“Atualmente é muito clara a necessidade de gerir de forma mais agressiva o risco de doença cardiovascular nas pessoas com diabetes, visto que são as doenças cardiovasculares a causa mais comum de morte entre os adultos com diabetes”, alerta o presidente do 2.º O Coração da Diabetes, José Luís Medina, encontro organizado pela Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), que junta no Porto centenas de profissionais de saúde em torno das principais questões relevantes na diabetes e doenças cardiovasculares.

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Serão cerca de mil, os especialistas, na sua maioria de Medicina Geral e Familiar, que entre os dias 25 e 28 de fevereiro rumarão ao Algarve para participar num dos mais importantes eventos do calendário científico português: o Congresso Internacional de Hipertensão e Risco Cardiovascular Global. À semelhança de anos anteriores, o programa da 10.ª edição procurou acolher a multiplicidade de fatores que associados à HTA integram a vasta equação do risco cardiovascular global, abordados por um painel de especialistas de renome internacional. Desenhado particularmente para satisfazer as necessidades de atualização dos especialistas da Medicina Geral e Familiar, a reunião magna da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH) contará este ano, uma vez mais, com sessões conjuntas de sociedades científicas de diferentes especialidades, nacionais e estrangeiras e com o já incontornável Curso de Pós-graduação em HTA e RCVG… Em entrevista ao nosso jornal, Manuel de Carvalho Rodrigues, Presidente da Comissão Organizadora e Presidente Eleito da SPH revelou alguns dos momentos que certamente irão marcar a reunião de Vilamoura

JORNAL MÉDICO | Uma breve consulta do programa científico do 10.º Congresso Português de Hipertensão leva-nos a afirmar que estamos perante um encontro internacional, tal o número de convidados estrangeiros presentes… A que se deve esta opção?

Manuel de Carvalho Rodrigues | Permita-me uma nota prévia nesta entrevista por traduzir o meu mais profundo sentimento: quero deixar, nesta altura em que o 10º Congresso Internacional da SPH está de pé, uma palavra de muita estima e agradecimento ao Prof. Dr. Mesquita Bastos, Presidente da SPH, por em mim ter confiado a organização deste evento. Pela verdade de que se reveste e pelo sentimento que em mim desperta, é da mais elementar justiça aqui deixar este meu testemunho. Voltando agora à sua pergunta: a Sociedade Portuguesa de Hipertensão tem vindo a apostar de forma concertada - desde 2007, sob a presidência do Professor Luís Martins e também com grande enfoque durante o mandato do Dr. Fernando Pinto - na sua internacionalização. Esta estratégia foi ficando espelhada nos programas das anteriores edições do Congresso Português de Hipertensão (CPH) e que se reflete, naturalmente, no programa científico da 10ª edição que se realiza de 25 a 28 de Fevereiro próximo. Esta internacionalização passa por vários vetores, o primeiro dos quais a ligação à Sociedade Europeia de Hipertensão (SEH). Desta ligação há a realçar como ponto alto a realização em Portugal do Summer Scholl Europeu de 2013 sob a presidência do Dr. Fernando Pinto. Esta e outras ações têm conduzido à presença constante nos nossos Congressos das mais altas individualidades desta Sociedade. Este ano não foge à regra e daí o termos já confirmado várias personalidades cuja ligação à SEH é ou foi muito forte, como o atual presidente, Professor Enrico Agabiti-Rosei e alguns ex-Presidentes, como os Professores Josep Redon, Krzysztof Narkiewicz ou ainda o ex-Secretário Geral Prof. Peter Nilsson.

Mas esta internacionalização não se esgota na ligação à SEH. Vamos poder contar com a 9ª edição do Simpósio Luso-Húngaro, como sinal de laços muito fortes entre as duas Sociedades e que ultrapassam já o simples carácter científico e, são mesmo, posso dizê-lo com grande manifestação de regozijo e especial alegria, de profunda amizade entre os seus principais responsáveis.

Também o Simpósio Luso-Brasileiro é já uma tradição, como reflexo desta internacionalização da SPH. Temos, como é natural, grande expectativa neste Simpósio, onde podemos contar não só com a presença, quer do Presidente do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Hipertensão, como do próprio Presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o que acontece pela primeira vez

JM | A prevenção é um tema presente em quase todo o programa deste ano…

MCR | E é também um dos ex-libris dos nossos congressos, que têm como ponto alto a Sessão Magna com a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) que se realizará no dia 27. O nosso principal público-alvo são os médicos de MGF, que têm em si a responsabilidade de em primeira mão acompanharem os doentes com HTA. Já o disse em outra ocasião e, volto a repetir: Os doentes hipertensos estão na MGF e não na Medicina Hospitalar. Ora, sendo eles os nossos principais destinatários, temos sempre o cuidado de garantir que no Congresso sejam debatidos casos clínicos da prática diária e também estratégias que permitam “prevenir para não tratar”.

Mas também temos sessões com outras sociedades médicas, como a Sociedade Portuguesa de Neurologia, presidida pelo Professor Victor Oliveira, que tem marcado presença nos últimos Congressos e com a qual a SPH tem vindo a desenvolver um esforço muito grande no sentido de alertar para esta verdadeira epidemia que é o acidente vascular cerebral como consequência da HTA. Esta sessão realizar-se-á em conjunto com o “Working Group on Hypertension and the Brain”, da Sociedade Europeia de Hipertensão, que se fará representar pelo seu presidente, o Professor António Coca, de Espanha - um dos grandes nomes da comunidade científica internacional; pelo seu secretário, Dariusz Gasecki, da Polónia e ainda por dois dos seus “officers”: Cristina Sierra, de Espanha e o português Pedro Serra.

Temos ainda inscrita no programa uma sessão conjunta com a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) onde se irão debater temas de relevo para a prática clínica.

JM | Este ano o Risco Cardiovascular Global tem mereceu um destaque acrescido. O que motivou a decisão?

MCR | A hipertensão arterial não pode ser vista de forma isolada. Tem que ser abordada no contexto do risco cardiovascular global (RCVG) em cuja equação entram, entre muitíssimas outras nosologias, tais como, a fibrilação auricular, a dislipidemia, a síndrome metabólica, a diabetes, a insuficiência renal… Ora, é necessário ajudar os colegas, particularmente os especialistas de Medicina Geral e Familiar, para que consigam avaliar um determinado doente em função destas muitas parcelas. Tendo em conta esta diversidade temática, decidimos este ano, pela primeira vez, dedicar não uma, mas duas Mesas Redondas ao RCVG.

JM | No programa sobressai, também, o elevado número de sessões mistas com sociedades estrangeiras congéneres…

MCR | Durante a presidência do Professor Luís Martins estabeleceu-se uma forte ligação com a Sociedade Húngara de Hipertensão, tendo desde então, como já atrás referi, as duas sociedades organizados oito simpósios conjuntos. Esta ligação tem-se mantido e mesmo vindo a fortalecer ao longo do tempo. Este ano não foge há regra: no dia 26 de fevereiro terá lugar o Simpósio Luso-Húngaro durante o qual iremos refletir sobre o que já se conseguiu alcançar ao longo destes anos de trabalho conjunto bem como sobre as perspetivas de cooperação futura entre os dois países, que com a Grécia apresentam semelhanças muito marcadas no que toca à incidência de acidente vascular cerebral (AVC).

De salientar, também, a tentativa muito bem-sucedida, na presidência do Dr. Fernando Pinto, de internacionalização transatlântica com o estabelecimento de protocolos de cooperação com o Brasil e outros países da América do Sul. No programa deste ano este esforço de aproximação materializa-se com a realização do, também já referido, Simpósio Luso-Brasileiro que terá como tema central “Dois continentes uma só realidade: HTA e risco cardiovascular global (RCVG) em Portugal e no Brasil”. Refira-se que o atual presidente da SBH Mário Fritsch Neves também estará presente no Congresso, no Simpósio da Lusofonia, que decorrerá no final da tarde de dia 25 e que contará com a participação de especialistas do Brasil, de Cabo Verde, de Angola e de Moçambique.

JM | Simpósio da Lusofonia que já tem lugar cativo no programa dos congressos da SPH…

MCR | Com essa designação penso que será a segunda vez que irá acontecer, muito embora já há alguns anos que temos vindo a organizar painéis com especialistas de países lusófonos no programa científico do congresso. O objetivo que presidiu à inscrição, uma vez mais, de um Simpósio da Lusofonia foi o de promover a cooperação entre povos que partilham a mesma língua, ainda que com culturas e problemas de saúde diferentes mas onde a hipertensão surge como problema de saúde pública comum que é necessário combater.

JM | Aposta continuada, também, nos cursos pós-graduados…

MCR | Os cursos de pós-graduação em hipertensão arterial e risco cardiovascular global sempre assumiram uma relevância muito particular nos congressos da SPH, pelo quem consideramos ser um dos pontos altos dos nossos Congressos. São, de alguma modo, uma forma de incentivar, alertar e também formar os médicos mais jovens para esta epidemia e para as suas consequências, que constituem a principal causa de morte em Portugal. Este ano, como sempre sucede, o curso divide-se em quatro sessões cujos temas refletem as principais preocupações na atualidade da abordagem do doente hipertenso.

JM | Factos, ficção e tolices sobre hipertensão é o tema de uma das conferências “internacionais”…

MCR | Sim, é verdade. Será proferida pelo Professor Franz Messerli… Que vem ao nosso congresso pela segunda vez. Trata-se de um especialista norte-americano de renome internacional, que muito embora seja admirado pelo seu elevado nível científico, tem a particularidade de ser controverso; de gostar de “desmascarar” incongruências; alertando-nos para situações de que nem sequer nos apercebemos … E fá-lo de uma forma simultaneamente engraçada e acutilante. Estou certo que será uma vez mais, um dos “momentos” marcantes do Congresso.

JM | Este ano o Congresso começa e termina com conferencistas italianos…. Alguma razão em particular?

MCR | Trata-se de uma feliz coincidência… O Professor Enrico Agabiti-Rosei é o atual presidente da Sociedade Europeia de Hipertensão e virá a Portugal falar da “Hipertensão nas pequenas artérias”. Já o Professor Alberto Zanchetti, que proferirá a conferência de encerramento, apresentará os resultados de uma recente-meta-análise que avaliou as diferentes classes de anti-hipertensores e de que forma as diferenças entre uns e outros se refletem nas guidelines. Gostaria de salientar que o Professor Alberto Zanchetti tem estado presente em todos os nossos Congressos após o estudo PHYSA, proferindo a conferência inaugural, ou a de encerramento. Quisemos manter esta presença, até como uma forma, ainda que modesta, de agradecimento pela deferência que um especialista de renome internacional como o é o Professor Alberto Zanchetti tem manifestado para com Sociedade Portuguesa de Hipertensão.

Mas já agora, permita-me que esta feliz coincidência com Itália não acaba aqui: Também no sábado haverá uma conferência internacional proferida pelo Prof. Roberto Ferrari, que é um dos mais prestigiados ex-Presidentes da Sociedade Europeia de Cardiologia.

Permita-me aproveitar esta oportunidade para deixar um apelo e um agradecimento: apelo, a todos os colegas, em especial aos mais jovens, para que estejam presentes no nosso Congresso. Fizemo-lo a pensar neles e, são eles a sua razão de existência. Julgo que o programa científico traduz esta preocupação e, aqueles que vierem não só vão dar por bem empregue o tempo, como nos darão força e ânimo para continuarmos nesta luta pela Saúde dos portugueses cuja luz ao fim do túnel ainda não se vislumbra.

Agradecimento muito especial e muito particular, à Indústria Farmacêutica, que em tempos difíceis e de grandes restrições, soube dizer presente e, sem a sua prestimosa colaboração este Congresso numa poderia vir a ser, como felizmente é, uma realidade que muito nos orgulha.

A todos: congressistas, palestrantes, moderadores, membros da Comissão Organizadora e da Comissão Científica, indústria farmacêutica, bem como a todos que nos bastidores têm desenvolvido um trabalho formidável e nem sempre valorizado, o meu Bem Haja!

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Cerca de 70% dos portugueses de alto risco cardiovascular apresentam elevado perímetro abdominal e perto de 40% sofrem de obesidade, segundo dados de um estudo europeu ontem divulgados em Portugal.

O estudo realizado em 14 países - incluindo em Portugal, através da Sociedade de Cardiologia - foi feito no âmbito dos cuidados de saúde primários com o objetivo de avaliar as medidas de prevenção cardiovascular nos doentes considerados de alto risco.

Os resultados, agora divulgados, mostram que a obesidade central (aumento do perímetro abdominal) afeta 68% dos doentes portugueses, um valor ligeiramente acima da média europeia, que se situa nos 64%.

A nível europeu, o estudo EuroAspir IV mostrou que 80% dos doentes de risco europeus têm excesso de peso.

No conjunto de países avaliados, Portugal aparece em 10.º lugar ao nível dos doentes com obesidade (38%), estando neste caso situado abaixo da média europeia que é de 44%.

No estudo realizado entre 2014 e 2015 participaram 6.700 pessoas de 14 países europeus, 406 deles são doentes portugueses.

Além da obesidade, o estudo avaliou os níveis de atividade física dos doentes de alto risco cardiovascular, concluindo que em Portugal apenas 20% desses pacientes pratica exercício.

Relativamente ao consumo de tabaco, apenas 10% dos doentes de risco eram fumadores, colocando Portugal abaixo da média europeia de 17%.

Lusa/Jornal Médico

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2020: Linhas de provocação de uma nova década com novas obrigações para novos contextos
Editorial | Rui Nogueira
2020: Linhas de provocação de uma nova década com novas obrigações para novos contextos

Este ano está quase a terminar e uma nova década vai chegar. O habitual?! Veremos! Na saúde temos uma viragem em curso e tal como há 40 anos, quando foi fundado o Serviço Nacional de Saúde (SNS), há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções.

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