sexta-feira, 10 abril 2015 11:44

Falta de rumo na Saúde Mental em Portugal

Teixeira_Joao_Marques

Pesem as muitas dúvidas que amiúde surgem sob a forma de denúncia na comunicação social, existe em Portugal um Programa Nacional de Saúde Mental. O problema é que tem sido implementado aos solavancos, com pouca sustentação em estudos empíricos e sem que tenha existido uma qualquer avaliação que permitisse ajustar o rumo às necessidades concretas da população. Um percurso errático, marcado pelo encerramento precipitado de hospitais psiquiátricos sem que tivessem sido criadas no terreno instituições que os substituíssem.

Os resultados estão à vista: na maioria dos casos as condições de vida dos doentes “transinstitucionalizados” pioraram ao invés de melhorarem. In dúbio, o melhor que se pode apontar à actuação da tutela é negligência no desenho e no timing de execução do Plano. Em entrevista ao nosso jornal, João Marques Teixeira expõe as preocupações dos especialistas e confessa querer fazer da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, de que é presidente-eleito, o “guarda-chuva” debaixo do qual, quer os psiquiatras, quer os doentes, se sintam protegidos.

JORNAL MÉDICO | Nos últimos tempos tem surgido a acusação de que não existe em Portugal uma política de saúde mental. Concorda?

João Marques Teixeira | Não! O que dizemos é que se verifica um défice de sustentação das políticas em estudos empíricos sobre a realidade portuguesa. Ora, qualquer política que não seja sustentada firmemente em dados empíricos transforma-se facilmente em ideologia.

Estamos todos de acordo que nas últimas décadas o modelo de assistência psiquiátrica mudou em todo o mundo. Como também é consensual que os cuidados de proximidade são mais eficazes em alguns grupos de doentes do que o modelo clássico da institucionalização. Quando se diz que em Portugal não existe uma política de saúde mental, penso que o que se pretende dizer é que há um Plano Nacional de Saúde Mental (PNSM) que tem sido aplicado aos solavancos.

JM | E como é que se explica essa situação?  

JMT | Têm sido avançadas várias explicações. A última que me chegou foi a de que não há financiamento para a implementação de muitas medidas. Todavia, penso que essa não será a única explicação. Há factores que vêm de antes da crise e que podem ter sido determinantes para este percurso errático da implementação do Plano.

JM | Por exemplo?

JMT | Falhou-se no planeamento da transição do modelo que vigorava, de institucionalização, para o actual, de integração noutras instituições ou na comunidade, que assegurasse a não alteração do estado de saúde dos doentes. Países que passaram pelo mesmo processo muito antes de nós levaram mais de uma década a planear e a criar condições para que a transição fosse bem-sucedida. Houve uma precipitação, a meu ver por pressões de natureza política, que levou, por exemplo, a que se encerrassem alguns hospitais psiquiátricos sem que estivessem garantidos na comunidade os recursos necessários para receber os doentes.

JM | É verdade que neste momento há doentes que não estão a ser acompanhados como deveriam devido a essa circunstância?

JMT | Essa foi uma das consequências. De acordo com os resultados de um estudo financiado pela Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), que investigou as trajectórias dos doentes que saíram das instituições entretanto encerradas e que foram colocados noutros locais, na maioria dos casos as condições de vida desses doentes pioraram ao invés de melhorarem. Isto só revela que na melhor das hipóteses houve alguma negligência no desenho e no timing de execução do Plano.

JM | O estudo informa também que se registam grandes assimetrias relativamente à qualidade das instalações e adequação dos cuidados entre regiões… E por vezes numa mesma região…

JMT | É também essa a realidade do País noutros domínios, onde se registam desigualdades gritantes ao nível da oferta de serviços. Penso que o processo poderia ter sido conduzido de outra forma, com uma planificação adequada, cuja implementação acompanhasse a criação de estruturas comunitárias alternativas, o que não aconteceu. Ou seja, temos um bom PNSM, mesmo quando comparado com os de outros países europeus, com uma implementação medíocre.

Outro aspecto que para nós assume particular relevância é o da avaliação da eficácia das medidas que se vão tomando, de modo a que os processos possam ser ajustados em função dessa avaliação. E isso não aconteceu ao longo da implementação do Plano, nem acontece actualmente.

JM | A tutela diz que avalia…

JMT | Os dados “oficiais” divergem dos que nós recolhemos no terreno. Pelo que é necessário confrontá-los, discutindo de forma aberta, sincera e honesta as diferentes percepções do que está a acontecer.

JM | Do modo como o PNSM tem sido implementado fica alguma indefinição sobre o que “pertence” à psiquiatria e o que é competência de outras profissões da saúde…

JMT | Na minha opinião o problema não deve ser posto dessa maneira. Hoje é difícil conceber uma intervenção na área da psiquiatria e da saúde mental que não seja no formato de equipa multidisciplinar. Nesta equipa cada membro tem o seu papel bem definido. O problema, na minha opinião, é o modo de abordar o doente psiquiátrico de evolução prolongada: continua a ser um doente com necessidade de cuidados médicos e psicossociais ou transformou-se numa pessoa que essencialmente precisa de cuidados psicossociais? Eu defendo que um doente psiquiátrico, independentemente do seu grau de evolução, é sempre um doente que necessita, em primeiro lugar, de ser medicamente tratado – entenda-se psiquiatricamente tratado – para poder usufruir dos cuidados psicossociais. E esses cuidados não são episódicos, mas continuados. Não conhecendo as razões que determinaram uma certa deriva, o que é facto é que olhando para o modelo em implementação, vemos um excedente de técnicos não médicos e uma diminuição da intervenção psiquiátrica, que configura uma concepção de cariz social do modelo assistencial destes doentes. Que não é, a meu ver, a correcta.

JM | Não estaremos perante uma deriva para a “socialização” por falta de médicos?

JMT | Essa é uma explicação possível, mas que acho simplista. Estou convencido de que se trata de facto de uma questão ideológica; de um primado psicossociogenético na concepção da doença mental, com repercussões mais evidentes no período da reabilitação, mas que vão ao arrepio da evidência empírica mais actual.

O que eu penso é que todos os factores (bio-psico-sociais) são importantes em qualquer fase da intervenção, mas do que não tenho dúvidas é que se um doente não tiver o seu direito ao tratamento médico-psiquiátrico assegurado qualquer uma das outras medidas de intervenção psicossocial são votadas ao fracasso.

JM | A renovação geracional é hoje um problema comum a muitas especialidades médicas. A Psiquiatria é uma excepção?

JMT | Não é fácil responder a essa questão. Em todo o caso… Temos entre 800 e 900 psiquiatras em Portugal… Para 10 milhões de habitantes. Mal distribuídos em termos territoriais, é certo, mas em número que não reflecte uma “falta gritante” de profissionais. Já se analisarmos a distribuição etária da população e toda a problemática que se lhe associa, verificamos que há uma enorme carência de pedopsiquiatras. Temos cerca de duas dezenas destes especialistas, o que é muitíssimo pouco.

Quanto a novos especialistas… A Psiquiatria é hoje uma das especialidades mais escolhidas pelos jovens médicos, com as vagas disponíveis a serem preenchidas quase na totalidade, ano após ano. A falta de candidatos não é problema.

JM | Mas há problemas…

JMT | Há, de vária ordem. A má distribuição de especialistas que referi há pouco e também uma deficiente ligação entre a Psiquiatria e os cuidados de saúde primários. Um quadro que temos que alterar valorizando o papel essencial que os médicos de família têm no acompanhamento destes doentes.

Por outro lado, temos o problema das “camas” cuja disponibilização é essencial e que têm sido maioritariamente garantidas, nas últimas décadas, pelo sector social. Há que reconhecer este trabalho, apoiando devidamente as instituições que o prestam.

Finalmente, a questão, pouco abordada, dos “novos crónicos”; do “novo” doente psiquiátrico cuja evolução é diferente da do doente “antigo”, institucionalizado; doentes que recorrem aos serviços em situações de agudização da doença, onde permanecem algum tempo – normalmente pouco devido às exigências associadas aos tempos médios de internamento – para depois retornarem à comunidade, recaírem por razões da doença ou do seu curto tempo de tratamento agudo, serem re-internados e repetindo-se este ciclo de uma forma “crónica”. São estes os novos “crónicos”.

JM | Qual o principal desafio que se propôs enfrentar quando decidiu candidatar-se à presidência da SPPSM?

JMT | A SPPSM esteve muito tempo “bloqueada”, em estado “semicomatoso”. Foi preciso recriá-la, uma tarefa para a qual muito contribuíram as direcções do Prof. Adriano Vaz Serra, do Prof. António Pacheco Palha e da Profª. Maria Luísa Figueira. Assumi como sendo também meu dever contribuir para esse esforço de revitalização que ainda não está consolidado. Há ainda muito a fazer no sentido de expandir o reconhecimento por parte dos colegas da importância de termos uma associação forte e credível.

JM | E como pensa alcançar esse objectivo?

JMT | Através de uma série de estratégias que se traduzem basicamente numa presença muito forte junto da comunidade, em que nos assumiremos sempre como a associação de defesa dos psiquiatras, que é o mesmo que dizer, como um dos garantes do bom exercício da Psiquiatria em Portugal, mas também de defesa dos doentes para os quais exigiremos sempre as melhores condições de tratamento. O leitmotif do meu futuro mandato é que a SPPSM seja o “guarda-chuva” debaixo do qual, quer os psiquiatras, quer os doentes, se sintam protegidos.

JM | Uma pergunta à qual a Psiquiatria tende a fugir, escudando-se na falta de evidência é a de se existe uma relação entre crise e aumento da doença mental. Existe uma relação?

JMT | Existe e tem vindo a ser estudada! A questão é como é que se mede esse impacto. Recorre-se com frequência ao número de consultas, que não será, naturalmente, o melhor indicador, mas que ainda assim nos permite ter uma ideia da situação. É evidente que há muita patologia mental “escondida”, que não chega aos serviços… Que é calada. Por isso, a grande tarefa é encontrar os indicadores mais fiáveis dessa relação entre crise económica e doença mental.

JM | Mas que é medicada. Somos os europeus que mais ansiolíticos e antidepressivos consomem… Para matar a tristeza.

JMT | Houve uma mudança de indicação nos antidepressivos. Antigamente, davam-se apenas para depressões. Ora hoje, o antidepressivo trata depressões, trata ansiedade, trata obsessões e trata fobias. Este alargamento de indicação veio provavelmente fazer com que se consumam mais antidepressivos. Ora este aumento deveria ser acompanhado por uma diminuição do consumo de benzodiazepinas, o que aparentemente não está a acontecer. Esse é, na minha opinião, o grande problema. Mas também não podemos esquecer que aquilo a que eu chamo a “sanitarização” da sociedade é um outro factor importante para o maior consumo de fármacos em geral e de psicofármacos em particular.

JM | Como assim?

JMT | Por exemplo, a tristeza de ontem é a depressão de hoje. Hoje se se está triste… toma-se um antidepressivo. Ora, nem toda a tristeza é depressão, nem toda a depressão necessita de tratamento farmacológico. É evidente que se evolui no sentido de uma perturbação major, categorizável, tem que ser tratada medicamente.

JM | Para quando dados fidedignos sobre o estado da saúde mental dos portugueses?

JMT | Pelo menos de três em três anos deveríamos ter dados fidedignos, que pudessem ser comparados com os de outros países. Mas não temos. Muita embora não seja propriamente uma atribuição da SPPSM iremos com certeza contribuir para colmatar essa lacuna.

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depressao

O director do Programa Nacional para a Saúde Mental afirmou hoje que houve “um acréscimo muito significativo” de crianças e adolescentes de famílias em situação de crise a recorrer às urgências com situações de depressão, ansiedade e tentativas de suicídio.

“Desde que a crise tem estado mais significativa o que empiricamente tenho recolhido da parte dos meus colegas dos serviços de saúde mental de adultos, de crianças e adolescentes é que há um aumento de recursos a serviços de urgência por situações de depressão e de ansiedade”, disse Álvaro de Carvalho.

No caso das crianças e jovens houve “um acréscimo muito significativo”, adiantou o psiquiatra, que falava à Lusa a propósito de um relatório da Organização Mundial da Saúde e do Observatório Europeu sobre Sistemas e Políticas de Saúde hoje divulgado, que sublinha as evidências "bem documentadas" do impacto da crise na saúde mental.

Álvaro de Carvalho explicou que esta situação “não é de estranhar, porque havendo crise nas famílias, originada em dificuldades económicas, desemprego, etc., é inevitável que os elos mais fracos”, as crianças e os adolescentes, repercutam essa situação de tensão.

Na base destas idas às urgências estão situações de depressão e ansiedade, mas também tentativas de suicídio de jovens adolescentes.

“Os meus colegas responsáveis dos serviços de psiquiatria do Porto (Centro Hospitalar do Porto) e de Lisboa (Hospital D. Estefânia) registaram um aumento de recursos às urgências também com tentativas de suicídio de jovens adolescentes com origem em famílias com rendimento médio e médio alto, contrariamente ao que era tradicional”, adiantou.

Defendendo que os pais devem estar atentos a estas situações, o psiquiatra explicou que no caso destas crianças e jovens, os pais estão “tão preocupados com a crise” que estão menos atentos e menos sensíveis aos sinais de alarme emitidos pelos filhos.

Estes sinais de alarme são “bastante inespecíficos”, mas nas crianças e jovens a depressão manifesta-se mais através da ansiedade, dificuldade de concentração, problemas alimentares, alterações do sono e automutilações, que têm estado a aumentar, o que pode estar relacionado com a situação de crise, adiantou.

Ressalvando que não há dados epidemiológicos em Portugal sobre o impacto da crise a nível da saúde mental, o psiquiatra disse que a evidência internacional de outras crises na União Europeia aponta para um crescimento significativo da depressão e da ansiedade.

“A evidência também mostra que na maioria dos países esse aumento da depressão e ansiedade está associado ao aumento de pessoas com ideação suicida e eventualmente de risco de concretização do suicídio”, adiantou.

“Mas aparentemente nesta crise, Portugal e Espanha parecem ter menos aumento de suicídio com a crise do que a Grécia, por exemplo”, disse Álvaro de Carvalho, baseando-se em “dados ainda muito preliminares”.

Apesar de não ter havido um reforço significativo dos cuidados de saúde mental, houve um aumento do número de serviços comunitários.

“A maioria das pessoas em Portugal com problemas emocionais recorre em primeira linha aos cuidados de saúde primários e na medida em que haja uma articulação entre as equipas de saúde mental comunitárias e os cuidados de saúde primários há melhor capacidade de diagnóstico”, explicou.

No entanto, o número de consultas manteve-se porque os transportes aumentaram e as pessoas que estão empregadas deixaram de ter tanta facilidade para irem a uma consulta ou a um tratamento.

Por outro lado, “as pessoas em crise nem sempre, por pudor, evidenciam os sintomas emocionais”, frisou.

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Luisa_Figueira_Psiquiatria

A presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental considera que a desinstitucionalização dos doentes psiquiátricos falhou, tendo antes existido uma transferência entre instituições, algumas delas sobrelotadas ou sem condições.

A responsável da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), Luísa Figueira, falava à Lusa a propósito de uma reunião a ter lugar na sexta-feira, sob o tema a Saúde Mental em Questão, para debater o futuro da gestão da saúde mental em Portugal.

O ponto de partida para esta discussão será um relatório promovido pela SPPSM e pela associação Encontrar-se, que conclui que houve desigualdade no tratamento de pessoas com doença mental e “graves lacunas” no processo de desinstitucionalização psiquiátrica.

Para Luísa Figueira, “ficou claro” com este estudo que os doentes não foram "desinstitucionalizados" mas "transinstitucionalizados", isto é, transitaram dos Hospitais para outras instituições, maioritariamente do sector social.

“Algumas com poucas condições para os receber, outras sobrelotadas. Não foram criadas instituições específicas de prestação de cuidados de saúde mental ou estruturas comunitárias alternativas aos Hospitais encerrados”, alerta.

Segundo o estudo em causa, a premissa que devia orientar um processo de desinstitucionalização, que é melhorar a qualidade e as condições de vida das pessoas, “não foi acautelada” e as pessoas não foram tratadas de igual forma, como demonstra o facto de 24 doentes do Hospital Miguel Bombarda, que encerrou em 2011, terem sido transferidos para uma “vivenda de luxo” – a Casa do Restelo -, enquanto outros utentes foram colocados em lares de terceira idade que vieram a ser encerrados por falta de condições mínimas de habitabilidade, ou levados para o Centro Social do Pisão (Sintra).

Este tipo de situação decorre da dificuldade que tem havido em pôr em prática aspectos fundamentais do Plano de Saúde Mental, como a criação de estruturas adequadas para estes doentes, uma das principais preocupações da SPPSM.

“Não foram devidamente implementadas nem as estruturas comunitárias e integradas (equipas multidisciplinares) que melhoram a acessibilidade dos doentes aos cuidados psiquiátricos e psicológicos, nem as estruturas para os cuidados continuados dos doentes mentais mais graves”, alerta Luísa Figueira.

Quanto às razões que justificam tais falhas, a responsável aponta em primeiro lugar o “défice de financiamento”, já que os cuidados integrados e os cuidados continuados são dispendiosos em termos de gestão de recursos humanos.

Além disso, existe no país uma “má distribuição geográfica dos cuidados clínicos e sociais, muitas vezes feitos a uma distância do local de residência perfeitamente contrária às boas práticas clinicas nesta área”.

Para tentar inverter esta situação, a SPPSM sugere que o Plano de Saúde Mental seja revisto à luz dos conhecimentos actuais da Psiquiatria e Saúde Mental e que o próprio sistema de financiamento seja reanalisado.

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conde ferreira

Os cuidados continuados integrados de saúde mental estão finalmente a arrancar no terreno. O primeiro passo foi dado no Norte, no passado mês de Dezembro, com a reconversão da unidade de cuidados de longa duração do Hospital Conde de Ferreira, no Porto, numa unidade de cuidados continuados e integrados (UCCI) de saúde mental.

"É a primeira unidade do país com esta tipologia. Tem cerca de 25 camas e já começou a receber doentes de vários serviços psiquiátricos da região", adiantou ao JN o vice-presidente do conselho directivo da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, Rui Cernadas.

Está ainda em cima da mesa um segundo projecto nesta área, que passa pelo aproveitamento para a saúde mental de uma unidade em Melgaço, com cerca de 30 camas, criada para integrar os cuidados continuados, mas que nunca chegou a fazer parte da rede.

No início de Dezembro, o secretário de estado adjunto do ministro da saúde, Fernando Leal da Costa, garantiu que os cuidados continuados de saúde mental vão dar passos significativos este ano. O governante falava a propósito da apresentação do relatório Portugal - Saúde Mental em números 2014, que revelou um aumento da prevalência total das perturbações mentais, com um em cada cinco portugueses a sofrer de problemas psiquiátricos.

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Fernado Leal da Costa

O Ministério da Saúde defendeu hoje a criação de enfermarias para adolescentes com perturbações psiquiátricas, evitando o seu internamento junto de adultos, como solução transitória até serem criadas mais unidades específicas para jovens na área da saúde mental.

Durante a apresentação pública do relatório “Portugal – Saúde Mental em Números 2014”, foi manifesta a preocupação dos profissionais de saúde mental com a falta de respostas para a infância e a adolescência, quer ao nível de recursos humanos como físicos.

A falta de camas para internamento, a existência de apenas duas unidades de saúde específicas e a escassez de médicos direccionados para esta problemática da saúde mental foram os temas que mais preocupação e debate suscitaram.

O director do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria, Daniel Sampaio, considerou que a situação é “dramática” e “exige uma tomada de decisão”, em que a “resposta ao nível das camas é determinante”.

O psiquiatra alertou que os jovens são internados em alas psiquiátricas de adultos, o que cria problemas aos adolescentes e aos serviços.

Esta preocupação foi partilhada por outros profissionais na sala, que afirmaram não só assistir a um aumento do número de adolescentes em unidades de adultos, como alertaram para os “imensos riscos” que tal circunstância acarreta.

A necessidade de formar mais pedopsiquiatras também foi amplamente referida, embora tenha sido igualmente reconhecido que para tal é preciso que existam mais centros para a infância e a adolescência.

Respondendo ao repto lançado pelos profissionais de saúde, o secretário de Estado Leal da Costa reconheceu que a resposta em ambulatório ainda é insuficiente e que “o internamento está em situação paupérrima e de depauperamento”.

Para o governante, a criação de uma unidade de internamento em Coimbra, para dar resposta à zona Centro, é necessária e urgente, mas não se comprometeu com prazos, afirmando que “em alguns momentos o óptimo é inimigo do bom”.

“Temos que encontrar algumas soluções enquanto não conseguimos chegar ao óptimo. Os internamentos em unidades de adultos é obviamente uma péssima solução em que não podemos continuar a insistir”, afirmou.

Como tal, lançou um desafio aos especialistas, no sentido da “criação de enfermarias próprias para adolescentes”.

“Estou a pensar numa solução transitória, em vez do internamento em unidades de adultos”, sublinhou Leal da Costa.

O relatório hoje apresentado indica que em Portugal existem apenas 24 camas de internamento psiquiátrico para crianças e jovens: 10 na zona Norte e 14 na zona de Lisboa e Vale do Tejo.

Tendo em conta esta escassez, o relatório refere que muitos casos acabam por ser internados noutras estruturas, nomeadamente em serviços pediátricos e psiquiátricos.

Relativamente às duas unidades especializadas existentes no país (uma em Lisboa e outra no Porto), “verifica-se, em ambas, uma alarmante incapacidade das estruturas da comunidade (quer famílias quer instituições) em gerirem adequadamente os casos mais sensíveis, endossando-os mais frequentemente aos serviços de urgência com frequente pedido de internamento”.

O relatório revela ainda que a região do Porto referenciou mais primeiros surtos psicóticos, enquanto a região de Lisboa e Vale do Tejo registou um aumento de tentativas de suicídio, oriundas sobretudo de classes sociais médias e médias/altas.

Esta mesma unidade de Lisboa assinalou também um aumento de pressão no Serviço de Urgência no último trimestre de 2013, muito superior ao tradicional – de Maio a Julho.

Cuidados continuados em saúde mental avançam ainda nesta legislatura

Leal da Costa afirmou hoje que os Cuidados Continuados Integrados em Saúde Mental (CCISM) vão avançar ainda durante a actual legislatura, dando resposta a uma necessidade “sistematicamente anunciada e adiada”.

A promessa foi deixada hoje durante a apresentação pública do relatório “Portugal – Saúde Mental em Números 2014”, que revela uma elevada prevalência de perturbações mentais em Portugal e alerta para a necessidade de criação de uma rede de cuidados continuados nesta área.

"Estou perfeitamente convicto de que será nesta legislatura que serão dados passos significativos com experiências duradouras na área dos cuidados continuados, e que ganhem a relevância que não puderam ter”, disse Fernando Leal da Costa.

O relatório hoje apresentado considera “inevitável e premente falar nos CCISM (Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental), sistematicamente anunciados e adiados por conhecidos constrangimentos financeiros, com muitos a interrogarem-se se a situação presente não sai mais onerosa”.

O documento lembra que o aumento do risco de dependência não é isento de custos para o Serviço Nacional de Saúde e acrescenta que neste contexto se registam "as declarações recentes da tutela de que, ainda em 2014, vão estar no terreno as primeiras tipologias de cuidados continuados de saúde mental”.

“Prometemos que arranjaremos estruturas de cuidados continuados”, afirmou hoje Leal da Costa.

O governante sublinhou também a importância dos cuidados comunitários para apoiar estes doentes, mas reconheceu o défice de cuidados ao nível de recursos humanos, bem como a dificuldade de gestão do património dos doentes internados.

Esta preocupação ganha mais volume com a prevalência total de perturbações mentais, reveladas no relatório e que levaram Daniel Sampaio, a considerar este um “problema de saúde pública da maior importância”.

“É preciso uma resposta para este magno problema, que deveria ser uma prioridade nacional”, frisou.

Um em cada cinco portugueses sofre de perturbações psiquiátricas, patologias que mais contribuem para anos de vida perdidos, a seguir às doenças cérebro-cardiovasculares, segundo o relatório “Portugal – Saúde Mental em Números 2014”, hoje apresentado.

Com os valores mais altos de prevalência anual destacam-se as perturbações da ansiedade (16,5%) e as perturbações depressivas (7,9%).

“Em comparação com outros países ocidentais, Portugal apresenta dos mais altos valores de prevalência de perturbações psiquiátricas (22,9%), apenas comparáveis com a Irlanda do Norte (23,1%) e com os EUA (26,4%).

Reportando-se aos dados mais recentes disponíveis sobre os anos perdidos de vida saudável, relativos a 2010, o relatório revela que as doenças psiquiátricas representaram 11,75% da carga global de doença, logo atrás das doenças cérebro-cardiovasculares (13,74%) e com mais peso do que as doenças oncológicas (10,38%).

Em relação à carga de morbilidade, quantificada através dos anos vividos com incapacidade, as perturbações mentais e do comportamento constituem um “motivo acrescido de preocupação” face ao valor apurado (20,55%), em relação às doenças que se lhe seguem: respiratórias (5,06%) e diabetes (4,07%).

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depressao

Um em cada cinco portugueses sofre de perturbações psiquiátricas, patologias que mais contribuem para anos de vida perdidos, a seguir às doenças cérebro-cardiovasculares, segundo o relatório “Portugal – Saúde Mental em Números 2014”, hoje apresentado.

De acordo com o relatório, que cita o 1º Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental divulgado em 2013, as perturbações psiquiátricas afeCtam mais de um quinto da população portuguesa.

Com os valores mais altos de prevalência anual destacam-se as perturbações da ansiedade (16,5%) e as perturbações depressivas (7,9%).

“Em comparação com outros países ocidentais, Portugal apresenta dos mais altos valores de prevalência de perturbações psiquiátricas (22,9%), apenas comparáveis com a Irlanda do Norte (23,1%) e com os EUA (26,4%).

Reportando-se aos dados mais recentes disponíveis sobre os anos perdidos de vida saudável, relativos a 2010, o relatório revela que as doenças psiquiátricas representaram 11,75% da carga global de doença, logo atrás das doenças cérebro-cardiovasculares (13,74%) e com mais peso do que as doenças oncológicas (10,38%).

Em relação à carga de morbilidade, quantificada através dos anos vividos com incapacidade, as perturbações mentais e do comportamento constituem um “motivo acrescido de preocupação” face ao valor apurado (20,55%), em relação às doenças que se lhe seguem: respiratórias (5,06%) e diabetes (4,07%).

Quanto à taxa de mortalidade por suicídio, o relatório aponta para um aumento em 2012, último ano com dados disponíveis.

Entre 2008 e 2012, esta taxa variou entre 9,7 e 10,1 por 100 mil habitantes, sendo que os valores mais expressivos se verificam na faixa etária acima dos 65 anos, com uma taxa de 21,1 casos por 100 mil habitantes.

O relatório sublinha, contudo, a existência de “fortes indícios de subnotificação” do suicídio como causa de morte, devido ao grande número de mortes por “causa indeterminada”, uma realidade que deverá mudar em 2014, com a entrada em vigor em Janeiro do sistema SICO (Sistema de Informação de Certificados de Óbito), que permite conhecer dados mais actualizados e mais rigorosos.

O relatório da Direcção-geral da Saúde revela ainda que as equipas comunitárias de saúde mental em Portugal continuam num patamar de desenvolvimento inferior ao dos restantes países da Europa Ocidental, considerando que o modelo de financiamento e composição continua a ser um dos maiores obstáculos à evolução do funcionamento dos serviços.

“Enquanto este aspecto não se modificar, a intervenção psicofarmacológica tenderá a continuar a ser a resposta predominante, mesmo nas situações em que não está particularmente indicada”.

Portugal é também um dos países europeus com maior consumo de ansiolíticos, sedativos e hipnóticos, sendo o alprazolam e o lorazepam as duas substâncias que mais se destacam e que integram o subgrupo das benzodiazepinas com maior potencial de induzirem tolerância e dependência.

Estas substâncias têm registado acréscimos anuais de consumo, contrariando a tendência verificada no resto da União Europeia, pelo que o relatório recomenda uma “análise da prática sobre a prescrição e utilização destes fármacos”.

O documento aponta ainda para a necessidade de reforçar e descentralizar médicos especialistas, quer para adultos quer para crianças e adolescentes.

Faltam camas para internamento psiquiátrico de crianças em Portugal

Portugal precisa de mais camas de internamento psiquiátrico para crianças e jovens, dado existirem apenas 24 para todo o país, alerta o relatório que é hoje apresentado.

O documento aponta para a necessidade de mais camas no sector público destinadas ao grupo de crianças e jovens, uma vez que existem apenas 10 para a zona Norte e 14 para a zona de Lisboa e Vale do Tejo.

“Tendo em conta a escassez de camas nas duas estruturas de psiquiatria da infância e adolescência com unidades de internamento”, o relatório refere que muitos casos acabam por ser internados noutras estruturas, nomeadamente em serviços pediátricos e psiquiátricos.

Relativamente às duas unidades especializadas existentes no país (uma em Lisboa e outra no Porto), “verifica-se, em ambas, uma alarmante incapacidade das estruturas da comunidade (quer famílias, quer instituições) em gerirem adequadamente os casos mais sensíveis, endossando-os mais frequentemente aos serviços de urgência com frequente pedido de internamento”.

O relatório revela ainda que a região do Porto referenciou mais primeiros surtos psicóticos, enquanto a região de Lisboa e Vale do Tejo registou um aumento de tentativas de suicídio, oriundas sobretudo de classes sociais médias e médias/altas.

Esta mesma unidade de Lisboa assinalou também um aumento de pressão no Serviço de Urgência no último trimestre de 2013, muito superior ao tradicional – de Maio a Julho.

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mendigoOs países mais “ricos”, com Produto Interno Bruto (PIB) mais elevado, são os que apresentam menor qualidade organizacional na prestação de cuidados de saúde mental para grupos socialmente marginalizados, revela um estudo publicado por investigador do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto.

A investigação, realizada em 14 capitais europeias, conclui que o contexto macroeconómico dos países, em particular o PIB, explica parte das diferenças de qualidade organizacional observadas.

O estudo, denominado “Factors associated with quality of services for marginalized groups with mental health problems in 14 European countries” e publicado na última edição do BMC Health Services Research, teve como objectivo, comparar a organização dos serviços de saúde mental para grupos socialmente marginalizados na Europa.

“As características macroeconómicas dos países estão relacionadas com a qualidade organizacional dos serviços prestadores de cuidados de saúde mental, destacando-se a influência do PIB, isto é, quanto maior o PIB, menor a qualidade”, explica Diogo Costa, investigador do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), que utilizou dados recolhidos no âmbito do projecto PROMO – Best Practices in Promoting Mental Health in Socially Marginalized People in Europe.

Nesse sentido, importa destacar ainda que a desigualdade social (medida através do Coeficiente de Gini), bem como o número de programas ou valências disponibilizados pelos serviços para grupos marginalizados relacionam-se também com a melhor organização na prestação de cuidados de saúde mental direccionados a estes grupos.

Para fazer a medição da qualidade organizacional dos serviços é utilizada uma ferramenta, criada para o efeito, que avalia componentes como a acessibilidade dos serviços, a existência de equipas multidisciplinares, supervisão ou rede de referenciação.

Segundo o investigador do ISPUP, Diogo Costa, a explicação para os resultados registados pode ser explorada sob dois ângulos. Por um lado, “os países mais “ricos” deverão ter um menor número de pessoas marginalizadas na sua população e, como tal, serão os que menos necessitam de investimento fragmentado em integração social e cuidados de saúde mental”. Por outro lado, “apesar de mais eficientes na organização dos serviços, com um apoio mais específico e direccionado, acabam por ser superados pelos países mais “pobres” no que concerne à qualidade”, porque “os serviços podem ver-se forçados a prestar uma variedade de cuidados com poucos recursos, mas que se reflectem em melhores pontuações no índice específico que utilizamos para esta medição”, afirma Diogo Costa.

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saudementalUm estudo da Universidade de Coimbra (UC) concluiu que “a execução prática do Plano Nacional de Saúde Mental” (publicado em 2007) tem sido “francamente insuficiente, sobretudo no que diz respeito à reabilitação psicossocial de pessoas com doença mental severa”.

Desenvolvido na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UC e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, o estudo analisa, pela primeira vez, os serviços de reabilitação psiquiátrica em Portugal e as barreiras ao seu desenvolvimento.

A investigação focou-se na “avaliação dos programas de reabilitação existentes para a doença mental severa, nomeadamente para as perturbações do espectro da esquizofrenia”, adianta a UC, em nota enviada às redacções.

[caption id="attachment_6443" align="alignleft" width="300"]carinateixeira “Em termos de qualidade de vida e de funcionamento ocupacional e social, não foram encontradas diferenças significativas entre pessoas com doença mental incluídas em programas de reabilitação e pessoas com doença mental sem qualquer acompanhamento psicossocial”, destaca a investigadora Carina Teixeira, cujos resultados do estudo constam na sua tese de doutoramento, orientada por Julian Leff, cientista do King’s College London, e por Eduardo Santos, investigador da UC[/caption]

Desenvolvida nos últimos quatro anos, a pesquisa “abrangeu 70 instituições de todo o país a trabalhar na área e doentes integrados em programas de reabilitação em dois hospitais psiquiátricos e duas IPSS (instituições privadas de solidariedade social), bem como um grupo de controlo”, sem “qualquer acompanhamento psicossocial”.

A maioria das instituições que participaram no estudo referiram prestar actividades de reabilitação, mas “os programas recomendados pelas directrizes internacionais (por terem comprovada eficácia) encontram-se insuficientemente implementados em Portugal”, sublinha na mesma nota.

Além disso, “em termos de qualidade de vida e de funcionamento ocupacional e social, não foram encontradas diferenças significativas entre pessoas com doença mental incluídas em programas de reabilitação e pessoas com doença mental sem qualquer acompanhamento psicossocial”, destaca a investigadora Carina Teixeira, cujos resultados do estudo constam na sua tese de doutoramento, orientada por Julian Leff, cientista do King’s College London, e por Eduardo Santos, investigador da UC.

Esta situação ocorre porque “os serviços de reabilitação portugueses caracterizam-se, salvo poucas excepções, por contextos educacionais, ocupacionais e habitacionais segregados”, sustenta o estudo.

Tais modelos são “obsoletos, estando longe do que é actualmente praticado” em países como EUA e Reino Unido e “a literatura científica mostra claramente que não favorecem a integração comunitária e impedem a recuperação dos utentes”.

Outra das conclusões da pesquisa, que “propõe medidas para uma efectiva reabilitação psiquiátrica”, é “o estigma em relação à esquizofrenia, cuja taxa de prevalência em Portugal se situa na ordem dos 100 mil”, segundo dados da Organização Mundial de Saúde.

A luta contra o estigma “deve começar nos próprios profissionais, que subestimam as capacidades das pessoas com doença mental, acabando por lhes transmitir mensagens de desesperança que afectam a sua luta pela recuperação e pelo alcance dos objectivos pessoais”, assegura a investigadora da UC.

O sistema “tem de perceber que a esquizofrenia não é uma fatalidade” e que “a reabilitação psicossocial é possível”, sustenta Carina Teixeira.

“É urgente implementar programas de educação apoiada, modelos de colocação no emprego competitivo que tenham em conta as especificidades desta população, e programas residenciais que promovam a obtenção de habitação independente, da escolha da pessoa em reabilitação e com apoio flexível, na comunidade”, sublinha.

“A ideia, amplamente difundida, de que a recuperação na esquizofrenia não é possível é um mito", defende a investigadora, que decidiu estudar esta temática por ter identificado “debilidades nas oportunidades de reabilitação proporcionadas a esta população, enquanto psicóloga voluntária na Associação Recriar Caminhos” – instituição que promove o desenvolvimento vocacional, formação e inclusão de pessoas com esquizofrenia.

A legislação existente também foi analisada no estudo, verificando-se ser “bastante frágil e desajustada”, como revelam artigos já publicados em jornais e revistas científicas, como, por exemplo, no International Journal of Culture and Mental Health.

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O Novo Livro Azul tem um passado e um futuro a defender e a promover num novo ciclo
Editorial | Jornal Médico
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O Novo Livro Azul da APMGF é um desejo e uma necessidade. Volvidos 30 anos é fácil constatar que todos os princípios e valores defendidos no Livro Azul se mantêm incrivelmente atuais, apesar da pertinência do rejuvenescimento que a passagem dos anos aconselha. É necessário pensar, idealizar e projetar a visão sobre os novos centros de saúde, tendo em conta a realidade atual e as exigências e necessidades sentidas no futuro que é já hoje. Estamos a iniciar um novo ciclo!

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