O bastonário da Ordem dos Psicólogos, Francisco Miranda Rodrigues, lamentou a falta de aposta na sinalização precoce na área da saúde mental em Portugal e a falta de investimento na saúde primária.

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O projeto de resolução do PCP sobre saúde mental foi ontem aprovado por unanimidade no Parlamento, tendo o projeto do PSD sobre a mesma matéria sido aprovado com exceção do ponto que previa mais articulação com os hospitais privados.

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A Assembleia da República debate hoje projetos de resolução do PSD e do PCP, que recomendam ao Governo um reforço das respostas na área da saúde mental e que pedem a contratação de mais profissionais para esta área.

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depressao

Por cada euro investido no tratamento da depressão e da ansiedade ganham-se quatro em saúde e capacidade de trabalho, revela hoje um estudo que estima em 870 mil milhões o custo anual das doenças mentais no mundo.

Publicado hoje na revista científica The Lancet Psychiatry e coordenado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o estudo estima, pela primeira vez, os benefícios de investir em tratamentos para as formas mais comuns de doença mental a nível global, tanto para a saúde, como para a economia.

"Sabemos que o tratamento da depressão e da ansiedade faz sentido em termos de saúde e bem-estar. Este novo estudo confirma que faz muito sentido a nível económico também", disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, citada num comunicado conjunto da OMS e do Banco Mundial.

Para a dirigente, é agora preciso "encontrar maneira de assegurar que o acesso aos serviços de saúde mental se torna uma realidade para todos os homens, mulheres e crianças, onde quer que eles vivam".

O número de pessoas que sofre de depressão e/ou ansiedade aumentou quase 50% entre 1990 e 2013, de 416 milhões para 615 milhões em todo o mundo.

Atualmente, cerca de uma em cada dez pessoas sofre de doenças mentais e estas representam 30% do peso global das doenças não fatais.

As situações de emergência e de conflito contribuem ainda mais para o problema, estimando a OMS que, durante essas crises, cerca de uma em cada cinco pessoas seja afetada por depressão e ansiedade.

O estudo agora publicado calcula os custos do tratamento e os respetivos benefícios em 36 países de baixo, médio e alto rendimento entre 2016 e 2030.

O custo de apostar no tratamento, sobretudo em aconselhamento psicossocial e medicação antidepressiva, é estimado em 147 mil milhões de dólares (128 mil milhões de euros).

No entanto, escrevem os autores do estudo, o retorno compensa largamente o custo.

Um aumento de cinco por cento na participação da força de trabalho e na produtividade é valorizada em 399 mil milhões de dólares (349 mil milhões de euros) e a melhoria na saúde equivale a mais 310 mil milhões de dólares (271 mil milhões de euros) em retorno.

O problema é que o investimento atual em serviços de saúde mental está muito abaixo das necessidades.

Segundo a OMS, os governos investem em saúde mental uma média de três por cento dos seus orçamentos para a saúde, variando entre menos de um por cento nos países de baixo rendimento e cinco por cento nos países de alto rendimento.

"Apesar de centenas de milhões de pessoas em todo o mundo viverem com doenças mentais, a saúde mental continua na sombra", disse o presidente do Grupo Banco Mundial, Jim Yong Kim, citado no mesmo comunicado.

"Não é apenas uma questão de saúde pública, é uma questão de desenvolvimento. Temos de atuar agora porque a perda de produtividade é algo que a economia global simplesmente não pode pagar".

Os resultados deste estudo estarão em debate numa série de eventos coorganizados pela OMS e pelo Banco Mundial, que decorrem entre quarta e quinta-feira em Washington, no âmbito das Reuniões de Primavera do Banco Mundial - Fundo Monetário Internacional.

Ministros das finanças, agências de desenvolvimento, especialistas em desenvolvimento, académicos e médicos vão discutir como colocar a saúde mental no centro da agenda da saúde e do desenvolvimento, tanto a nível global, como a nível nacional.

Durante estes eventos, alguns países que tiveram êxito a apostar na saúde mental, incluindo o Brasil que desenvolveu uma rede de cuidados psicossociais, vão partilhar os desafios que enfrentaram e como os ultrapassaram.

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Cuidados
O Governo prevê criar cerca de 300 camas no âmbito dos cuidados continuados de saúde mental, bem como unidades pediátricas, já durante o primeiro semestre deste ano, anunciou ontem o coordenador da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI).

O anúncio foi feito numa cerimónia pública de apresentação da reforma da RNCCI, que contou com a presença dos ministros da Saúde, Adalberto Campos Fernandes e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, José Vieira da Silva.

No final, em declarações aos jornalistas, o coordenador nacional da reforma da RNCCI adiantou que é propósito do Governo conseguir ter, ainda no primeiro semestre deste ano, cerca de 300 camas para cuidados continuados de saúde mental, bem como unidades para cuidados continuados pediátricos.

Manuel Lopes explicou que entre a saúde mental e os cuidados pediátricos, a primeira é a que tem o processo mais adiantado, estando neste momento a ser ultimado o processo legislativo e a serem selecionadas as unidades que irão abrir ainda neste ano.

O coordenador explicou que são para já unidades piloto, dispersas por todas as regiões, que vão prestar “cuidados muito controlados, com muita vigilância”.

“Pensamos abrir qualquer coisa como 300 lugares de apoio domiciliário e de unidades residenciais que deem resposta a estas situações”, disse Manuel Lopes.

No que diz respeito aos cuidados pediátricos, o responsável adiantou que o processo está “um bocadinho mais atrasado”, razão pela qual não disse quantos lugares vão ser criados e onde.

“Estamos a fazer todos os esforços para inaugurarmos algumas unidades ou no Dia Internacional da Criança, a 01 de junho, ou no dia do aniversário da rede, a 06 de junho”, acrescentou.

O ministro da Saúde também não quis adiantar quantas unidades vão abrir ou onde, dizendo apenas que “ainda neste ano” haverá novidades, provavelmente por alturas do décimo aniversário da RNCCI.

Outro dos aspetos previstos na reforma da RNCCI tem a ver com o apoio domiciliário, tendo Adalberto Campos Fernandes revelado que “pretende ampliar tanto quanto possível essas respostas”, mas sem especificar.

Atualmente existem no país 6.712 equipas, estando previsto um reforço para as regiões do Porto e de Lisboa e Vale do Tejo, sendo que esta última depende de um acordo com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

O coordenador da reforma da RNCCI tinha já explicado que é objetivo reforçar a articulação entre as equipas de cuidados continuados integrados e as equipas de apoio domiciliário da Segurança Social, estando previsto a criação de lugares de promoção de autonomia, bem como a capacitação dos cuidadores.

“Dar condições para que quem já faz isso o faça, sabendo o que está a fazer, ou seja, dar-lhes capacitação em contexto. Os profissionais de saúde que vão lá, vão trabalhar com essas pessoas no sentido de elas serem capazes de fazer bem aquilo que estão a fazer”, adiantou Manuel Lopes.

O Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social defendeu que com esta reforma vai ser possível aprofundar e alargar o trabalho da rede.

“Do ponto de vista da Segurança Social apenas isso corresponderá para o ano de 2016 a um crescimento de lotação disponível na ordem dos 15%”, adiantou Vieira da Silva.

No que diz respeito ao orçamento necessário para comportar esta reforma, Viera da Silva disse que, pela parte do seu ministério, estão previstos 40 milhões de euros para 2016, enquanto pela Saúde, Adalberto Campos Fernandes referiu que haverá um reforço de entre 20 milhões a 25 milhões de euros.

A RNCCI tem atualmente 7.759 lugares, um pouco mais de metade dos 13.966 definidos como meta para 2016.

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O diretor-geral da Saúde afirmou que “não é possível medir a evolução do suicídio em Portugal”, uma vez que, em 2014, o registo das causas de morte passou a ser feito através de uma nova metodologia.

Francisco George falava na apresentação do relatório “Portugal – Saúde Mental em Números 2015”, no qual se lê que a taxa de mortalidade por suicídio passou para 11,7 por 100 mil habitantes, em 2014, quando em 2012 e 2013 tinha sido de 10,1, por 100 mil habitantes.

“Não sabemos, nem podemos medir, a evolução do suicídio em Portugal, devido a uma quebra de série”, disse o diretor-geral da Saúde, acrescentando que, por esta razão, não se pode dizer que houve um aumento do suicídio.

Até 2014, explicou, o certificado de óbito era em papel assinado pelo médico. “Muitas vezes – por pressão da família ou por motivos religiosos – o suicídio era subnotificado”, pelo que “terão existido mais suicídios do que os notificados”.

Há dois anos, iniciou-se uma nova série, com o registo eletrónico, que “veio reduzir a subnotificação”, disse Francisco George.

Esta dificuldade em medir o suicídio é “motivo de inquietação” para o diretor-geral da Saúde.

O relatório, que foi apresentado em Lisboa, analisou a variação da mortalidade por suicídio, ao longo de três intervalos de tempo (1989-1993, 1999-2003 e 2008-2012), concluindo que o período mais recente – “de crise” – apresentou “a mortalidade por suicídio mais alta", assim como "a taxa bruta mais alta”.

Entre 1989-1993 e 1999-2003, a taxa de suicídio tinha diminuído 5,4%; já desde o segundo período até 2008-2012, registou-se um aumento de 22,6%.

Segundo este estudo por intervalos temporais, os homens apresentam uma taxa de suicídio três vezes maior, assim como os maiores aumentos de taxa, entre os diferentes períodos de tempo analisados.

Há também uma distribuição geográfica marcada no suicídio, que é tradicionalmente menor no Norte e maior na região Sul.

Nas últimas décadas, contudo, esta divisão geográfica Norte/Sul parece ter vindo a esbater-se, “devido ao aumento das taxas na região Centro e no interior da região Norte”.

O estudo encontrou ainda uma associação estatística entre os altos níveis de ruralidade e de privação material e a taxa de suicídio aumentada para os homens.

São mudanças recentes nestes padrões que poderão resultar do atual período de crise, indica o relatório.

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Um projeto coordenado pelo Centro de Estudos em Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT) da Universidade de Coimbra, aponta para um aumento de quase 70% de utentes em consultas de Psiquiatria com pensamentos suicidas, entre 2007 e 2012.

Um dos estudos integrados no projeto Smaile (Saúde Mental - Avaliação do Impacte das condicionantes Locais e Económicas) que analisou as consultas e internamentos em serviços de Psiquiatria nas Áreas Metropolitanas de Lisboa (AM) e do Porto aponta para um incremento de 67% de utentes com ideias suicidas em consultas nos serviços de Psiquiatria de Lisboa e do Porto, entre 2007 (antes da crise) e 2012 (em crise).

A investigação, que procura analisar os efeitos da crise na saúde mental da população, aponta também para um aumento de 52% de consultas nos cuidados psiquiátricos das AM de Lisboa e do Porto de pessoas que realizaram pelo menos uma tentativa de suicídio nesse ano.

Nos doentes internados nos serviços de Psiquiatria da área referida, comparando 2007 e 2012, o mesmo estudo refere que os grupos de utentes com tentativa de suicídio em que se registou um maior aumento de internamentos foram o das mulheres entre os 50 e os 64 anos (com um aumento de 52% dos internamentos) e o dos homens entre os 30 e os 49 anos (aumento de 34%).

Nos internamentos com ideação de suicídio, o grupo que registou um maior incremento foram também mulheres, entre os 50 e os 64 anos.

De acordo com a psiquiatra e investigadora deste estudo, Graça Cardoso, esse impacto particular nas mulheres pode estar relacionado com o facto de Portugal ter "uma alta taxa de ocupação [profissional] das mulheres", em comparação com os restantes países europeus.

"Aspetos como redução de salários, despedimentos e dificuldades na gestão do orçamento familiar poderão ter tido um efeito particularmente intenso neste grupo", refere o estudo do projeto SMAILE, sublinhando que as dificuldades económicas "aliadas ao papel social que as mulheres desempenham" podem-nas tornar "num grupo mais vulnerável", quando as famílias são afetadas pela crise.

Outro estudo presente no projeto Smaile, com base num inquérito a 1.609 residentes dos municípios da Amadora, Lisboa, Mafra e Oeiras, conclui que jovens (com menos de 35 anos) desempregados e com um nível de escolaridade mais elevado "são os que reportam pior saúde mental".

Uma das possibilidades, refere o investigador Pedro Pita Barros, centra-se nas "expectativas criadas com o acesso à formação superior, que sendo mais elevadas constituem um choque maior quando se dá a situação de desemprego".

No entanto, o investigador da Nova School of Business and Economics sublinha que deverá ser realizado "trabalho futuro para perceber melhor se é uma questão de expectativas ou se é outra justificação".

O projeto de investigação SMAILE, coordenado por Paula Santana do CEGOT da Universidade de Coimbra, procurou avaliar "o efeito das condicionantes locais e económicas na saúde mental e no uso dos serviços de saúde mental em tempos de crise".

Reunindo diversos estudos no mesmo projeto, os diferentes resultados sugerem "uma relação entre a crise a saúde mental", disse Paula Santana.

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sexta-feira, 25 setembro 2015 18:45

Reinternamentos em saúde mental aumentaram

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Os reinternamentos na área da saúde mental e a taxa de segundos episódios pela mesma causa aumentaram entre 2012 e 2013, revelando falta de qualidade dos serviços de saúde, concluiu a ERS.

Num relatório hoje divulgado, a entidade reguladora da Saúde indica que relativamente aos indicadores de qualidade, constatou-se que “a taxa de reinternamento aumentou ligeiramente entre 2012 e 2013, bem como a taxa de segundos episódios pela mesma causa”.

O reinternamento é um dos principais indicadores de qualidade da assistência prestada a estes doentes, podendo indiciar um tratamento mal sucedido ou uma alta hospitalar precoce.

Aliás, o número de camas por habitante em psiquiatria de adultos é inferior ao rácio padrão apenas nas ARS Norte e Alentejo, enquanto na psiquiatria da infância e adolescência apenas as ARS Norte e Lisboa e Vale do Tejo dispõem de resposta em internamento.

De uma maneira geral, revela o relatório, o acesso aos cuidados de psiquiatria com financiamento público é muito assimétrico a nível nacional, com escassez de acesso mais vincada em psiquiatria da infância e da adolescência, e nas regiões do Alentejo e Algarve.

No Algarve não existem prestadores sociais com acordo com o Serviço Nacional de Saúde, nem sequer prestadores públicos de psiquiatria da infância e da adolescência, enquanto a ARS Alentejo não tem psiquiatras na Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano.

No entanto, mesmo nas regiões mais bem servidas em termos de serviços existe o problema da falta de profissionais para atender este tipo de doentes, já que são menos do que o que ficou definido como necessário há 20 anos.

A ERS detetou que os rácios de recursos humanos médicos e não médicos por habitantes, nos prestadores públicos, estão abaixo dos rácios definidos pela DGS em 1995, a nível nacional e regional.

A exceção vai para o número de psicólogos, embora, ainda assim, uma avaliação produzida em 2011 pela OMS tenha concluído que face aos padrões europeus, o número de enfermeiros a trabalhar em saúde mental e o número de psicólogos por população eram extremamente baixos.

Esta situação assume proporções mais graves se se tiver em conta que Portugal é precisamente um dos países europeus com maior prevalência de perturbações psiquiátricas, com quase um quarto da população (22,9%) a sofrer de algum tipo de perturbação.

Este é um dos motivos para que o Programa Nacional para a Saúde Mental (PNSM) seja um dos programas prioritários da DGS.

No entanto, muitas das medidas preconizadas nesse documento continuam por fazer, apesar de o programa terminar no próximo ano.

Segundo a ERS, existe um desfasamento no cumprimento dos objetivos definidos, concretamente no que se refere ao desenvolvimento de uma rede de cuidados continuados integrados de saúde mental, de uma política de avaliação e garantia de qualidade dos serviços, à criação de um sistema informático para recolha e tratamento da informação de todos os prestadores de cuidados de saúde mental, e à definição de um modelo de financiamento baseado em princípios de contratualização.

O regulador identificou “constrangimentos estruturais” que terão dificultado a plena aplicação do PNSM, quer do ponto de vista do modelo de financiamento, como da distribuição das responsabilidades entre os intervenientes ou da inexistência de “guidelines” para prescrição racional de psicofármacos e envolvimento de profissionais não médicos em programas terapêuticos.

A ERS sublinha ainda o facto de a maioria da população residir em regiões com nível de acesso baixo ou a mais de 40 minutos de cuidados públicos de psiquiatria (apenas 1,5% da população tem acesso alto, percentagem que baixa para 0,3% na psiquiatria da infância de da adolescência).

O regulador considera que a escassez de normas de organização e funcionamento resultam em diferenças de procedimentos, que podem ter impacto na qualidade dos serviços prestados.

Lusa

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O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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