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MIRANDAANACLAUDIA

Realizou-se no passado dia 18 a 2ª Reunião de Sócios da Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da Sida (APECS). Um encontro que para além da agenda de índole associativa, propriamente dita, integrou um programa científico de onde se destacou a comunicação de Ana Cláudia Miranda, especialista do Serviço de Infecciologia do Hospital de Egas Moniz, em Lisboa subordinada ao tema: “Tratamento – sim ou não? Argumentos a favor, argumentos contra, cura funcional – realidade ou miragem? Como tratar? Parar ou não o tratamento, quando? À conversa com o nosso jornal, a infecciologista deu conta do estado da arte do tratamento da infecção pelo VIH e sobre as verdades e mitos que amiúde vão surgindo sobre os avanços e recuos rumo à cura-funcional da infecção.

A sua comunicação na 2ª reunião de sócios da Associação Portuguesa para o Estudo Clínica da SIDA foi, de algum modo, provocadora… Falou em tratar, ou não… Em cura funcional… Em que ponto estamos ao nível da leges artis da intervenção terapêutica?

O patamar de eficácia da terapêutica anti-retrovírica alcançado permite-nos desbravar algum conhecimento. Hoje temos a possibilidade de escolher esquemas terapêuticos muito mais bem tolerados e com toxicidade a curto/médio prazo menos marcada bem como posologias mais “simpáticas” e fáceis de adaptar à vida do doente. Vantagens que no entanto não eliminam o facto de se tratar uma terapêutica crónica, com elevados custos associados. Que mesmo menos agressiva do que no passado, implica algum compromisso da qualidade de vida do doente, já que exige o cumprimento de um plano terapêutico estrito e por tempo indefinido.

Inovação que permitiu um melhor conhecimento da doença… Levando à discussão do “quando começar” a terapêutica.

O que ganhámos ultimamente e que veio despoletar a questão do tratamento na fase aguda foi um conhecimento mais detalhado da imunopatogénese da infecção; do efeito da replicação vírica no contexto da infecção aguda e do seu impacto na depleção do sistema imunitário numa fase muito inicial da doença bem como, naturalmente, nas implicações prognósticas que se lhe associam.

Existe hoje evidência sólida de que é benéfico iniciar a terapêutica numa fase muito inicial da infecção. Como também sabemos que essa “fase inicial” é uma “janela de oportunidade” muito estreita.

O grande benefício da introdução de terapêutica em termos de ganhos imunológicos é minimizar a depleção marcada que ocorre na infecção aguda, particularmente ao nível da mucosa intestinal. Ora, este benefício é mais marcado se acontecer antes do estabelecimento dos “reservatórios”, que se estima acontecer entre as três e as quatro primeiras semanas de infecção. Em média a pessoa infectada desenvolve sintomas na 2ª ou 3ª semana após a infecção, pelo que é fácil perceber que a “janela” de intervenção é demasiado estreita.

E no contexto da infecção aguda? Quando se deve iniciar terapêutica?

A evidência demonstra que existem várias vantagens em iniciar terapêutica o mais cedo possível. Esta permitirá o controlo sintomático, eliminação ou redução da replicação vírica e do potencial de instalação de reservatórios; recuperação imunológica mais sustentada, atingindo valores ditos “normais” de linfócitos TCD4+, com menor probabilidade de progressão da doença e melhor prognóstico. E adicionalmente, e não menos importante, a diminuição do risco de transmissão que, como se sabe, acontece predominantemente em fases de replicação viral muito elevadas como sucede no contexto da infecção aguda. Agora, o difícil não é tanto a decisão de iniciar terapêutica, mas a possibilidade de efectuar o diagnóstico durante a fase aguda da infecção por VIH.

Iniciar terapêutica apenas na fase sintomática… É opção?

A revisão da literatura vai tão longe quanto ponderar que iniciar terapêutica na fase sintomática da infecção aguda pode ser tardio, tendo em conta o estabelecimento dos reservatórios. E aqui importa distinguir conceitos: infecção aguda reporta aos primeiros 30 dias infecção; infecção primária às primeiras 12 semanas; infecção recente ao período dos seis primeiros meses.

Agora, é consensual que a intervenção nos primeiros trinta dias é a que permite uma maior rentabilidade e impacto na imunopatogénese da infecção, com redução do dano inicial.

Passados os seis meses… O que fazer?

Continuamos numa “zona cinzenta”, agora já com infecção estabelecida, crónica, para a qual existem orientações terapêuticas bem definidas (TCD4+< 500 células/mm3; carga vírica> 100.000 cópias/ml, entre outras situações clínicas bem definidas).

Interromper a terapêutica. É uma possibilidade que ainda se coloca?

Ao longo dos anos foram sendo avaliadas algumas estratégias, entre as quais as interrupções estruturadas da terapêutica, que foram digamos, “arrumadas”, após conhecidos os resultados do estudo SMART (2002-2006), que revelaram que a interrupção “controlada” acrescentava um aumento significativo do risco cardiovascular e de imunoactivação por inflamação crónica associada ao VIH. Ou seja, essa é uma estratégia que já sabemos que não funciona e não é recomendada. Hoje em dia, o que as orientações terapêuticas nos recomendam no contexto da infecção aguda ou recente é que uma vez iniciada terapêutica esta seja mantida por tempo indefinido.

Cura-funcional… Realidade ou miragem?

Neste momento decorrem estudos de interrupção terapêutica que têm como objectivo avaliar a possibilidade de obtenção de cura-funcional (remissão e controlo da replicação virológica). Estas são estratégias aplicadas em contexto de infecção aguda/recente e em populações de doentes seleccionadas. Até à data, e num cenário muito particular, o único caso de sucesso é o do denominado “Paciente de Berlim”.

Uma cura que resultou da conjugação de inúmeros factores… “Improváveis”.

A questão da cura-funcional remete-nos de imediato para a complexidade desta infecção e da imunopatogénese associada, que ainda não dominamos completamente. As hipóteses em estudo relativamente à chamada “cura-funcional” passam pela actuação muito precoce, pela redução da instalação de reservatórios e por estratégias de estimulação da resposta imunológica (quer por engenharia genética quer através do recurso a outras metodologias).

O “Paciente de Berlim” foi um acaso – feliz – de cura-funcional ocorrida em circunstâncias muito especiais e para a qual contribuíram um conjunto de medidas terapêuticas sequenciais e não reproduzíveis de forma generalizada. Sucintamente… O doente desenvolveu uma leucemia aguda e foi submetido a um primeiro transplante de medula e a um segundo um ano depois, por recidiva da doença hematológica. Por “acaso” teve a felicidade de ser transplantado com a medula de um dador que tinha uma mutação genética rara, designada por deleção delta-32 para o co-receptor do CCR5 (o VIH utiliza o CCR5 para entrar nas células), o que lhe conferiu resistência à infecção pelo VIH.

Em que ponto estamos?

Estamos a viver uma nova era na abordagem da doença. Atingimos o patamar da eficácia e da segurança da terapêutica anti-retrovírica. A doença é hoje uma doença crónica, controlável. Chegados aqui, começam-se a abrir novas janelas através das quais se procuram perspectivar caminhos rumo à cura e à erradicação total do vírus. Existem várias “vias” de investigação em curso e estou optimista quanto à possibilidade de se conseguir vir a dar esse “passo”.

Enquanto isso não acontece, importa investir na prevenção e na intervenção precoce, que passa, necessariamente, por um diagnóstico também cada vez mais precoce.

Estamos melhor… Ou pior do que há alguns anos atrás?

A infecção não regista um declínio evidente. Em alguns grupos populacionais continuamos a assistir a um acréscimo do número de casos. É preciso falar de terapêutica, de cura… Mas também e sempre de prevenção, o que nem sempre tem acontecido com a ênfase que a situação necessita.

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VIHSida

Um grupo de peritos, na sua maioria administradores hospitalares e médicos, é contra a transferência dos tratamentos de doentes com VIH para os centros de saúde, apesar de achar que cabe a estes diagnosticarem a doença.

A ideia consta das conclusões do estudo “VIH/Sida – Financiamento e Contratualização assente na eficiência e qualidade”, realizado pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), com o apoio de um laboratório, que serão hoje apresentadas em Lisboa.

O principal objectivo deste estudo foi “compreender se o modelo de financiamento do VIH/Sida se adequa às boas práticas definidas para esta área de tratamento”.

Para tal, foram convidados 295 peritos de diferentes áreas profissionais, sendo que o painel é composto maioritariamente por administradores hospitalares (33 por cento) e médicos (31 por cento).

Sobre a articulação entre hospitais e cuidados de saúde primários, 71% do painel considera que “não se deve equacionar a transferência dos doentes para o médico de Medicina Geral e Familiar, mesmo com menor complexidade de tratamento”.

No entanto, 87,1% dos peritos refere a importância dos cuidados de saúde primários para o diagnóstico precoce, concluindo que “o tratamento é reservado aos hospitais” e que os médicos especialistas têm dificuldade em dar alta para o tratamento nos centros de saúde.

Em relação aos indicadores sugeridos para monitorização do modelo de financiamento, uma larga maioria propõe o tempo desde a infecção e detecção, a adesão à terapêutica e o acesso à inovação.

Os peritos reconheceram igualmente a obrigatoriedade de ser levada em conta a avaliação do próprio utente, relativamente ao sistema.

“Em termos da articulação de cuidados é consensual que a reorganização passa por uma liderança clínica forte (74,2%) e pelo abandono de uma lógica de serviços em favor de uma abordagem multidisciplinar (83,9%)”, lê-se nas conclusões.

Uma larga maioria dos peritos (93,5 por cento) refere que “os utentes devem poder saber se estão a ser tratados numa unidade que segue o estado da arte e consideram que deve ser implementado um mecanismo de auditoria ao cumprimento das Normas de Orientação Clínica (NOC)”.

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Investigadores 4

Um cientista português liderou uma investigação para perceber como é que pessoas infectadas pelo HIV desenvolveram anticorpos para enfrentar o vírus e vem propor uma vacina "feita à medida" para as diferentes fases de resistência do organismo.

"Conseguimos determinar todos os passos de uma família de anticorpos desde o início, até à forma em que é mais eficiente contra o vírus, e conseguimos fazer o mapeamento das zonas do vírus que são importantes para o desenvolvimento destes anticorpos", disse à agência Lusa Fernando Garces Ferreira a propósito do trabalho, publicado na revista Cell.

O investigador do The Scripps Research Institute (TSRI), nos EUA, e a sua equipa propõem "uma vacina que tem de ser tailor made, feita à medida, para os diferentes passos" para que se possa "guiar o desenvolvimento do anticorpo numa determinada direcção".

O objectivo é "tentar ensinar o sistema imunitário de pessoas saudáveis, não infectadas com HIV, a produzirem esses anticorpos para que, na eventualidade de uma infecção, o sistema esteja preparado para ter uma resposta rápida e eficiente", resumiu o cientista.

"Todos temos a possibilidade de desenvolver esses anticorpos, mas é preciso realmente guiar o sistema imunitário a desenvolver esses anticorpos, por isso, provavelmente, temos de dar ao organismos diferentes vacinas", defendeu Fernando Garces Ferreira.

"Até agora, quando o anticorpo maduro se une ao vírus, desenhamos a parte viral e é essa parte que injectamos no organismo e vamos ver se o sistema imunitário consegue reproduzir a criação desse mesmo anticorpo", explicou.

O que falhava era que, até esse ponto final, "há muitos outros processos desenvolvidos" que, se não forem tidos em conta, impedem que se chegue ao anticorpo final, capaz de enfrentar o HIV, um vírus "muito sofisticado".

A família de anticorpos objecto do estudo foi descoberta há alguns anos num doente com HIV e chegou-se à conclusão que 10 a 15% dos doentes, passados alguns anos, desenvolvem anticorpos "extremamente potentes" na neutralização do vírus.

O problema é que esses anticorpos "já chegam tarde porque o vírus já está instalado e uma vez o HIV instalado no nosso corpo é impossível removê-lo", referiu Fernando Garces Ferreira.

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VIHSida

A Sida surgiu nos anos 20 do século passado, em Kinshasa, actual República Democrática do Congo, conclui um estudo ontem publicado pela revista Science e que teve dois portugueses na equipa que o fez.

Com o título “The early spread and epidemic ignition of HIV-1 in human populations” (“O início da disseminação e propagação epidémica do HIV-1 em populações humanas”), o extenso artigo vem provar que o primeiro vírus que provoca a Sida, o HIV-1, surgiu no antigo Congo Belga, uma novidade em relação a todos os estudos sobre a epidemia.

Nuno Faria, da Universidade de Oxford, Reino Unido, é o primeiro autor do estudo, que fez a análise genética de centenas de amostras de vírus (filogenética), conseguindo-se provar, perante outras hipóteses em África, que foi em Kinshasa que tudo começou, há quase um século.

João Sousa, o outro investigador português dos 14 que assinam o artigo da Science, investigador da Universidade Católica de Lovaina (Bélgica), também ligado ao Instituto de Higiene e Medicina Tropical (Universidade Nova de Lisboa), explicou que, no estudo, se conseguiu provar que o vírus de Kinshasa era o mais antigo.

Apesar de o vírus ter origem em chimpanzés dos Camarões (de um tipo que não há no Congo), terá passado para os humanos em algum episódio de caça e teria chegado a Kinshasa num ser humano, explicou João Sousa à Lusa.

O investigador, que para o artigo fez a pesquisa dos factores de risco, é da opinião de que as doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis, que na altura grassava em Kinshasa, terão ajudado muito a propagar o HIV-1.

O antigo Congo Belga tornou-se independente em 1960 e logo a seguir imigrantes do Haiti, nomeadamente professores, foram destacados para o Congo, pela ONU, para ajudar no desenvolvimento do país. Esses profissionais estiveram sobretudo em Kinshasa, onde alguns terão sido infectados, conta João Sousa.

E explica que no regresso a casa levaram com eles o vírus. “No Haiti o vírus propagou-se” e, em finais dos anos 60 e início dos anos 70, o Haiti tinha uma grande indústria de turismo sexual, especialmente procurada pela comunidade homossexual dos Estados Unidos, o que levou a que os primeiros casos da doença tenham sido reportados junto de homossexuais norte-americanos.

As explicações de João Sousa são suportadas em análises genéticas de vírus recolhidas no Haiti e na informação que está “escondida” no material genético. E explica também que, desde que se começou a desenvolver em Kinshasa até ser descoberto nos Estados Unidos, o vírus não deixou de se propagar.

Questionado pela Lusa, admite que se possa um dia descobrir que o vírus afinal surgiu antes dos anos 20. Para já, provou-se que começou em Kinshasa, há quase um século.

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VIHSida1

A 20.ª Conferência Internacional sobre a Sida, que reuniu mais de 12 mil especialistas em Melbourne, Austrália, para debater os principais avanços no tratamento do VIH/sida e das doenças associadas, termina hoje.

Organizada de dois em dois anos, a conferência, que se iniciou no passado dia 20, visou, sobretudo, concitar a atenção para os problemas de financiamento da pesquisa, tendo a edição deste ano decorrido sob o lema "Acelerar o Ritmo" (Stepping up the Pace).

Durante os trabalhos foi revelado que o número de pessoas com VIH/Sida em todo o mundo é 18,7% menor do que o calculado pela ONU/Sida, em 2012, e demonstrado que desde 2000 o total de doentes com VIH, tuberculose e malária desceu em todo o mundo.

O número de seropositivos em todo o mundo era de 35 milhões em 2013, segundo um relatório divulgado dias antes do início da conferência, pelo Programa Conjunto da ONU para o VIH/Sida (ONUSIDA).

O documento, de 400 páginas, destaca que 19 milhões daquelas pessoas ignoram que estão infectados com sida.

Quanto a novas infecções, o estudo salienta que a tendência é a sua diminuição, com 2,1 milhões em 2013, comparativamente aos 3,4 milhões registados em 2001.

A nível regional, a África subsaariana é a mais atingida pela epidemia, com 24,7 milhões de seropositivos, seguindo-se Ásia e Pacífico (4,8 milhões), América Latina (1,6 milhões), América do Norte, Europa Ocidental e Central (2,3 milhões), Europa de Leste e Ásia Central (1,1 milhões), Caraíbas (250 mil), Médio Oriente e norte de África (230 mil).

Em Portugal, a prevalência de VIH nos trabalhadores do sexo é maior nos homens (cerca de 15%) do que nas mulheres (6%), de acordo com o documento.

O número de novos casos de sida em Portugal diminuiu em 2013, ano em que, segundo as autoridades portuguesas, foram registadas menos 200 notificações relativamente a 2012.

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VIHSida

O estudo “Global Burden of Disease Study-2013”, ontem publicado na revista Lancet, considera que houve progressos na luta contra a SIDA, malária e tuberculose desde a adopção dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, em 2000.

Segundo aquela publicação científica, resultados de uma pesquisa compreensiva sobre as três doenças mostram um “impacto real” da redução destas doenças no mundo, apesar de ainda haver muito para ser feito e as enfermidades continuaram a ser os principais desafios da saúde em 2013.

As novas estimativas dos últimos 13 anos mostram, por um lado, que o número de pessoas que vivem com o VIH, vírus que causa a sida, tem aumentado de forma constante, na ordem dos 29 milhões de pessoas, mas os dados indicam, por outro lado, que a malária está a matar mais pessoas do que o estimado anteriormente, embora o número de mortes tenha reduzido desde 2004.

Apesar das tendências de queda das taxas de prevalência de tuberculose, desde 2000, o número de pessoas que vivem com a doença em todo o mundo aumentou cerca de 8,5 milhões, em 1990, para cerca de 12 milhões em 2013.

No estudo, os investigadores consideram que a epidemia do VIH é menor do que estimada anteriormente e que as mortes prematuras decorrentes desta epidemia são 25 por cento mais baixas do que a última cálculos fornecidos pelo Programa Conjunto das Nações Unidas Sobre o VIH/SIDA (ONUSIDA), em 2012.

Embora a incidência mundial de VIH tenha diminuído substancialmente anualmente, desde o seu pico em 1997 (ano em que se atingiu 2,8 milhões de novas infecções), por ano ainda são infectadas 1,8 milhões de pessoas.

No auge da epidemia, em 2005, o VIH causou 1,7 milhões de mortes em todo o mundo, mas este número caiu substancialmente para 1,3 milhões de mortes em 2013.

A revista Lancet considera que grandes progressos foram alcançados desde 2002 ao registar-se redução de novas infecções na ordem de 62 por cento em crianças.

No entanto, em mais de 100 países (74 dos quais Estados em desenvolvimento) a incidência do VIH tem aumentado.

As regiões com um aumento contínuo na mortalidade por VIH, desde 2000, incluem países ricos da Ásia-Pacífico, Ásia Central e Oriental, Europa, o Médio Oriente, Oceânia, o norte da África e África subsaariana, onde se registam casos de usuários de drogas intravenosa.

“Isso pode ser em parte porque os países estão menos inclinados a prestar serviços de tratamento para usuários de drogas, ou porque os usuários de drogas são um grupo mais difícil para os serviços de saúde alcançarem”, considera a revista Lancet.

Desde 1996, pelo menos 19,1 milhões de pessoas foram salvas graças à terapia anti-retroviral, 5,7 milhões dos quais de países ricos e 13,4 milhões (70 por cento do total de infectados) de nações em via de desenvolvimento.

Os resultados relativos à luta contra a tuberculose demonstram ter havido um declínio de incidência da doença em 12 regiões do mundo, em comparação com a década anterior quando se definiu a sexta Meta do Milénio da OMS, que apela para o combate do VIH/SIDA, a malária, tuberculose e outras doenças.

Desde 2004, ano de pico os casos de malária, doença que “mata mais pessoas no mundo do que se pensava anteriormente”, segundo o estudo, caiu de forma sistemática, em resultado dos esforços financeiros aplicados na luta contra o flagelo – o financiamento subiu para 11,3 mil milhões de dólares entre 2000 e 2011.

A incidência global da malária atingiu o pico em 2003, com 232 milhões de novos casos, posteriormente, houve uma queda de cerca de 29 por cento, para 165 milhões de novos casos em 2013.

Quatro países ainda têm mais de cinco milhões de novas infecções de malária por ano: a Índia, um dos países mais populosos do mundo, com cerca dois mil milhões de habitantes, regista mais de 60 milhões de casos; a Nigéria (30 milhões), enquanto a República Democrática do Congo e Moçambique registam seis milhões de infecções/ano cada.

As mortes por malária atingiram o pico em 2004, cerca de 1,2 milhões, mas no ano passado registou-se um declínio para cerca de 855 mil - um pouco maior do que o número de mortes estimados pela OMS em 2013 (627 mil mortes).

Três países - Nigéria, República Democrática do Congo, e Índia - são responsáveis por cerca de metade de todas as mortes por malária, que continua a ser a principal causa de mortes em crianças na África Subsaariana, apesar de ter caído em quase um terço (31,5 por cento) desde 2004.

 

 

 

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virussida
Cientistas conseguiram erradicar o vírus da sida de células de doentes, tratadas com medicamentos antirretrovirais, um passo na longa busca por um fármaco capaz de erradicar definitivamente o VIH, segundo resultados apresentados ontem numa conferência internacional na Austrália.

A experiência foi realizada em seis doentes voluntários e tinha por objectivo desalojar e, em seguida, erradicar o vírus, uma abordagem que tem sido testada por cientistas a nível internacional.

Actualmente, os medicamentos antirretrovirais reduzem a quantidade de vírus presente no sangue a um nível quase indetectável permitindo aos doentes viverem quase normalmente. Mas estes fármacos são caros, têm de ser tomados todos os dias e têm efeitos secundários.

Quando se interrompe o tratamento, o vírus recupera dentro de semanas e começa a infectar o sistema imunitário, tornando o doente vulnerável e podendo mesmo levar à morte.

Durante três anos, os investigadores tentaram desalojar o vírus e destruir as células, nas quais se refugia quando o doente toma os antirretrovirais.

Segundo uma apresentação feita na conferência internacional que decorre em Melbourne, investigadores da Universidade de Aarhus na Dinamarca deram um primeiro passo neste processo em seis doentes tratados com antirretrovirais e igualmente com um fármaco oncológico que tem o efeito de aumentar a quantidade de vírus no sangue.

Em cinco dos seis pacientes testados, o vírus tornou-se detectável com a medicação.

Agora, os investigadores têm ainda de determinar se todos os vírus ocultos foram revelados através deste tratamento.

“Mostrámos que podemos activar o vírus que hiberna e que esse vírus vai para a corrente sanguínea em grande quantidade”, declarou o líder da investigação, Ole Schmltz Sogaard.

“É um passo na direcção certa, mas o caminho ainda é longo e os obstáculos são muitos antes de podermos evocar uma cura para a sida”, acrescentou.

Observado com um microscópio, o vírus “reactivado” através deste tratamento deixa um rasto quando se encaminha para o sangue. Os investigadores esperam que este rasto, semelhante às impressões digitais na cena de um crime, possa ser detectado pelas células T, que combatem as infecções.

Os investigadores esperam que estas células reconheçam o vírus e destruam as células nas quais se refugia.

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sida - campanhas
As pessoas adultas que vivem com o VIH nos países desenvolvidos enfrentam risco substancialmente reduzido de morte por doenças relacionadas com a sida, comparativamente a há uma década, refere um estudo ontem publicado pela revista The Lancet.

As pessoas infectadas com o vírus que causa a sida, residentes na Europa, Austrália e Estados Unidos, estão também em menor risco de morte por doenças cardiovasculares e hepáticas, refere a revista científica, que hoje publicou uma edição especial com os resultados de um estudo internacional na véspera da Conferência internacional sobre a sida, que decorre este fim-de-semana em Melbourne, na Austrália.

Embora a maioria das mortes por essas causas tenha diminuído ao longo da última década, período em que decorreu a pesquisa, não houve registo de redução das taxas de mortalidades por cancros não relacionados com a sida.

Para o coordenador do estudo, Colette Smith, da Universidade de Londres, “estas reduções recentes nas taxas de mortes relacionadas com a sida prendem-se com a melhoria contínua na contagem de CD4 (usado para avaliar o progresso da doença) e fornecem mais evidências dos benefícios líquidos substanciais dos anti-retrovirais”.

“Mas, apesar destes resultados, a doença relacionada com a sida continua a ser a principal causa de morte nesta população. Esforços contínuos para garantir uma boa aderência aos anti-retrovirais e para diagnosticar os indivíduos numa fase mais precoce, antes do desenvolvimento de imunodeficiência grave, são importantes”, referiu Colette Smith.

O estudo envolveu cerca de 50.000 adultos VIH-positivos que recebem cuidados e terapia anti-retroviral em mais de 200 clínicas em toda a Europa, Estados Unidos e Austrália.

Este grupo descobriu que as taxas globais de mortalidade caíram quase para metade desde 1999, enquanto as mortes por causas relacionadas com a sida e doenças cardiovasculares diminuíram em cerca de 65 por cento e as mortes relacionadas com o fígado para mais de 50 por cento.

Também foram registadas reduções similares em mortes relacionadas com doença hepática (2,7 mortes por 1.000 pessoas-ano para 0,9) e doença cardiovascular (1,8 mortes por 1.000 pessoas-ano para 0,9).

A proporção de todas as mortes devido à sida também diminuiu ao longo da última década (de 34 para a 23 por cento) e doenças do fígado (de 16 para 10 por cento), enquanto a proporção de óbitos por doenças cardiovasculares permaneceu constante, neste período, na ordem dos 10 por cento.

Os pesquisadores observam que a redução substancial das taxas de mortalidade por fígado e doença cardiovasculares não pode ser completamente explicada por mudanças na demografia do paciente ou melhorias na supressão viral ou contagem de CD4.

Para os investigadores essa diminuição pode resultar de uma melhor gestão dos factores de risco tradicionais, nomeadamente o consumo do tabagismo, o uso de álcool, ou então a utilização de anti-retrovirais menos tóxicos.

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You've got mail! - quando um aumento da acessibilidade não significa melhoria da acessibilidade
Editorial | António Luz Pereira, Direção da APMGF
You've got mail! - quando um aumento da acessibilidade não significa melhoria da acessibilidade

No ano de 2021, foram realizadas 36 milhões de consultas médicas nos cuidados de saúde primários, mais 10,7% do que em 2020 e mais 14,2% do que em 2019. Ou seja, aproximadamente, a cada segundo foi realizada uma consulta médica.