Redimensionar as listas de utentes e rever a Carreira Médica é um imperativo

A dimensão das listas de utentes e a Carreira Médica são duas áreas que vão exigir, nos próximos tempos, uma reflexão e ação por parte dos médicos de família.

Sobre o primeiro tópico, temos doentes a mais e médicos de família a menos, o que resulta em listas de utentes sobredimensionadas, que não nos permitem responder aos desafios atuais e às necessidades de saúde da população. Além disso, a forma como as atuais listas estão organizadas não olham aos diferentes contextos sociodemográficos e de saúde do exercício clínico e esse é um aspeto pelo qual a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar se vai debater junto da tutela, na era governativa que agora se inicia.

No que concerne à Carreira Médica, é urgente a revisão da mesma, há muito abandonada e congelada. 

Urge orientar e apoiar as nossas equipas com hierarquia técnica, evoluir nas diferentes categorias e funções previstas na Carreira Médica, mas que na maior parte das vezes, na prática, não têm sido levadas em linha de conta.

É fundamental que os colegas mais novos tenham interesse pelo desenvolvimento e atualização da carreira médica, apesar da grande dificuldade que têm em percebê-la. Porque é para eles e por eles que a Carreira Médica tem que existir de modo a garantir qualidade e segurança na prestação de cuidados de saúde.

Nos próximos cinco anos, quase metade dos médicos de família – cerca de dois mil – vão aposentar-se. Assim sendo, e face aos novos desafios e novas obrigações do especialista de Medicina Geral e Familiar, é fundamental retomar a Carreira Médica e aproveitarmos esta janela de oportunidade.

A renovação geracional em curso poderá ser o momento ideal para atualizar e inovar a Carreira Médica.

800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde
Editorial | Jornal Médico
800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde

Se não os tivéssemos seria bem pior! O reforço do Programa Operacional da Saúde com 800 milhões de euros pode ser entendido como sinal político de valorização do setor da saúde. Será uma viragem na política restritiva? O Serviço Nacional de Saúde (SNS) de 40 anos precisa de cuidados intensivos! Há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções. É urgente pensarmos na nova década com rigor e disponibilidade sincera.

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