As farmácias estão a preparar um novo serviço com fisiologistas do exercício para fazerem prescrição de exercício físico individualizada. A informação foi avançada à Agência Lusa pelo diretor do Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física.

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O exercício físico é importante mas, e o doente cardíaco? Pode fazer? Em que condições? Leia a entrevista com o personal trainer Miguel Seixas e bons treinos!

Um estudo revela que Portugal é o país com a menor percentagem de pessoas que praticam exercício físico frequentemente num conjunto de 21 países europeus.

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O treino em jejum, já usado há muito tempo por atletas de competição, começa a tornar-se tendência para quem pretende emagrecer, mas os especialistas alertam para os riscos desta prática sem controlo adequado.

O treinador pessoal António Braz reconhece que, nos últimos dois anos, a prática de treinar em jejum começou a ser mais disseminada, acreditando que é apenas uma tendência para “procurar uma forma mais rápida de perder massa gorda”.

“As evidências científicas demonstram que os riscos existem. Pode ser um risco, uma vez que os processos metabólicos da gordura e a quantidade de açúcar disponível no sangue são extramente difíceis de controlar”, afirmou, em declarações à agência Lusa.

A ideia de quem procura os treinos cardiovasculares (corridas ou caminhadas) em jejum é aproveitar o período em que as reservas de açúcar estão baixas, para estimular a queima de gordura mais cedo no treino.

“A questão é que o nosso cérebro consome preferencialmente açúcar e, na ausência deste, vamos obrigar o nosso corpo a produzir corpos cetónicos. Prolongando este quadro podemos causar cetose, elevando a acidez do sangue”, defende o personal trainer e professor de capoeira António Braz, lembrando que a acidose prolongada pode ter efeitos nefastos.

Henrique Jones, ex-médico da selecção portuguesa de futebol, considera que uma refeição ligeira uma hora antes do exercício “é fundamental para preencher as reservas energéticas que permitem alimentar os músculos”.

Mesmo que em termos cardiovasculares não seja um risco imediato treinar em jejum, Henrique Jones defende que esta metodologia de treino é incorrecta e pode provocar fadiga precoce e até eventual agravamento das micro lesões musculares.

“Existe uma tendência para esta metodologia associada à prática de exercício sobretudo quando o objectivo não é o bem-estar físico e psíquico mas a perda de peso e massa gorda corporal a qualquer custo”, admite.

Contudo, o médico especialista em medicina desportiva José Gomes Pereira recorda que o exercício físico em jejum é uma prática utilizada em atletas há décadas. Trata-se de um exercício que consome mais gordura do que aquele que não é feito em jejum e que se utiliza em atletas de fundo, como maratonistas, para melhorar a sua performance.

“Se o exercício for estritamente aeróbio, de baixo impacto e com uma pessoa clinicamente saudável, não oferece qualquer risco realizá-lo. Porque uma pessoa metabolicamente saudável vai privilegiar, no exercício de baixo impacto, a utilização das gorduras em detrimento dos açúcares. Não provoca a hipoglicemia reactiva ao esforço, que é o risco associado a quem faz exercício em jejum”, indica.

Mas pode constituir um risco, caso a intensidade do esforço não seja rigorosamente monitorizado, podendo as pessoas ultrapassar o limiar da utilização dos açúcares durante o treino em jejum.

“Quem pode fazer exercício aeróbio em jejum? As pessoas que têm boa condição física, os atletas e quem está treinado. Os atletas de fundo usam preferencialmente as gorduras e poupam os açúcares, estão treinados para isso. Quem não está treinado, não o consegue fazer e tenta arranjar um truque e forçar o organismo a usar as gorduras, treinando em jejum. E indo em jejum correm riscos, porque não vão adaptados”, defende o antigo médico do Sporting.

Ainda assim, para Gomes Pereira, o treino em jejum “não é um bicho papão” se for devidamente orientado e dirigido a quem tem preparação física.

Também Pedro Carvalho, da Faculdade de Ciências de Nutrição da Universidade do Porto, defende que o treino em jejum “é uma estratégia que tem mais sentido ser usada em atletas do que em pessoas que não estão muito treinadas”.

“Não pode ser assumido por qualquer pessoa. Tem de existir o mínimo de capacidade cardiovascular. Quem quer queimar gordura, tem de se preocupar em treinar mais e comer melhor. Não é por treinar duas ou três vezes em jejum que vai recolher grandes benefícios”, declarou o especialista à Lusa, acrescentando, aliás, que o maior determinante da queima de gordura é a capacidade física e a quantidade de massa muscular.

No site de uma das maiores cadeias de ginásios em Portugal, os benefícios do treino em jejum para perder peso são apontados como bastante reduzidos: “Pesando os benefícios, era necessário um ano de treino em jejum comparado com o treino a seguir à refeição, para ter uma diferença de menos um quilo. Será que esse quilo vale os riscos de saúde?”.

O médico Gomes Pereira vinca que muitos querem perder gorduras antes do Verão, fazendo “dietas da moda” e treinos que lêem em revistas: “Quem faz treino em jejum com pressa de perder peso não faz só isso. Restringe-se muito a nível alimentar e isso tudo associado pode ser perigoso”.

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800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde
Editorial | Jornal Médico
800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde

Se não os tivéssemos seria bem pior! O reforço do Programa Operacional da Saúde com 800 milhões de euros pode ser entendido como sinal político de valorização do setor da saúde. Será uma viragem na política restritiva? O Serviço Nacional de Saúde (SNS) de 40 anos precisa de cuidados intensivos! Há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções. É urgente pensarmos na nova década com rigor e disponibilidade sincera.