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Filipa Fixe: “A Glintt Inov nasce pela vontade de colocar em prática ideias e projetos disruptivos”
DATA
18/01/2019 16:23:01
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Jornal Médico
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Filipa Fixe: “A Glintt Inov nasce pela vontade de colocar em prática ideias e projetos disruptivos”

Com mais de 20 anos de experiência, a Glintt – Global Intelligent Tecnologies – é uma empresa líder em Consultoria e Serviços Tecnológicos na Saúde. As suas soluções são utilizadas por mais de 200 hospitais/clínicas e mais de 12 mil farmácias da Península Ibérica utilizam o software de gestão suportado pela Glintt. Com o intuito de reforçar o seu compromisso na área da inovação, a empresa decidiu criar a Glintt Inov: uma plataforma de inovação que se propõe a transformar o ecossistema da Saúde. De acordo com a administradora da Glintt, Filipa Fixe, a ideia surgiu “pela vontade de colocar em prática ideias e projetos disruptivos”.

JORNAL MÉDICO (JM)| Por que razão decidiu a Glintt apostar num programa como a Glintt Inov?

FILIPA FIXE (FF)| O setor de Saúde é, sem dúvida, um dos setores em que a revolução tecnológica tem um papel muito importante a fazer. Tendo em conta que a Glintt já trabalha no setor há mais de 20 anos em Portugal, está por dentro das necessidades do ecossistema da Saúde, apostando num trabalho de equipas multidisciplinares e não apenas num tipo de conhecimento (ex: engenheiros biomédicos, profissionais de saúde). Por outro lado, a Glintt insere-se num ecossistema empresarial com vários pontos de ligação ao sistema de Saúde, o que permite pilotar e testar novas soluções. Embora a Glintt já tenha no seu ADN esta inovação incremental, é preciso avançar para uma inovação disruptiva, de forma a acompanhar a rápida evolução do setor da Saúde.

A Glintt Inov nasce, precisamente, por esta vontade efetiva de colocar em prática ideias e projetos disruptivos.

 

JM| A Glintt investiu quatro milhões de euros em novas soluções para a Saúde. Já existem projetos a decorrer?

FF| Neste momento, já existem três projetos a decorrer no contexto da Glintt Inov, sendo eles: o SIGEC, o gRUL e o MedOn. Em 2018, recebemos um total de 26 candidaturas, das quais 17 foram a pitch e oito foram selecionadas para, efetivamente, avançarem em 2019 no âmbito deste projeto. Destes oito, cinco já se encontram atualmente em curso e os restantes serão brevemente anunciados.

 

JM| Que critérios devem cumprir os projetos que pretendam participar na Glintt Inov?

FF| A Glintt Inov definiu um conjunto de parâmetros e linhas de intervenção que devem ser respeitados por todos os participantes, sendo eles: atuar na prevenção da doença e na redução de comportamentos de risco; reduzir a pressão da procura desajustada; aumentar a corresponsabilização do indivíduo na gestão da sua saúde; aumentar a eficiência dos prestadores; reduzir o risco clínico; melhorar a qualidade de vida dos doentes no tratamento; e por último, permitir a avaliação do desempenho dos prestadores.

Em suma, verificamos se o projeto promove melhores cuidados de saúde através de inovação, tanto tecnológica como de processos.

 

JM| Quais são as principais mais-valias destes projetos para o setor de Saúde?

FF| A tecnologia tem de ser o enabler para permitir que todos nós [consumidores], que hoje em dia temos vários dispositivos móveis, exijamos que essa tecnologia esteja dentro do setor e seja utilizada por todo o ecossistema da saúde, assente nas seguintes premissas: gerar eficiência dentro das instituições de saúde e melhorar a relação entre o profissional de saúde e o utente, na medida em que os aproxima. Por exemplo, há cinco anos ninguém corria em Lisboa, no entanto, hoje, vemos muitas pessoas a correr e, muitas delas, até partilham o número de passos, o número de calorias, etc. Tudo isto torna-nos consumidores de tecnologia em saúde. Acredito que a tecnologia deve ser uma aposta do setor para alcançar melhores resultados na fase de prevenção. No futuro, a tecnologia deverá permitir que os doentes possam ser tratados no seu domicílio, isto é, possam ser monitorizados à distância, através de centrais de telemonitorização e de telemedicina.

Todos estes projetos têm precisamente esta característica: permitem que a informação acompanhe sempre o cidadão, graças à tecnologia, e que não esteja somente compartimentada nas unidades de saúde.

O objetivo é que o próprio doente consiga gerir da melhor forma a sua própria condição de saúde, evitando a doença.

 

JM| Qual tem sido o feedback por parte dos projetos participantes?

FF| Existe um grande entusiasmo e orgulho em pertencer à Glintt Inov. O facto de poderem contar com o apoio de uma empresa que está no mercado há muitos anos, detentora de um grande conhecimento do setor, o que acaba por aportar valor aos projetos, faz com que a grande maioria dos participantes sinta uma grande motivação em participar e desenvolver as suas ideias.

 

JM| Existe algum projeto que se destaque em relação aos outros?

FF| Todos os projetos trazem uma visão de que é fundamental olhar para o ecossistema da Saúde como um todo. O objetivo é perceber de que forma pode a tecnologia ser utilizada para alcançar melhores cuidados de saúde e melhorar a eficiência das instituições de saúde. Por outro lado, estes projetos focam-se em avaliar os chamados outcomes em saúde para cada cidadão, isto é, pagamentos por valor e não apenas por quantidade. É nesse caminho que estes projetos se traduzem numa mais-valia.

 

JM| A implementação de alguns destes projetos em ambiente hospitalar poderá acontecer já em 2019?

FF| Todos os projetos devem ter, à partida, um cliente a bordo, de forma a garantir que os requisitos identificados satisfazem uma necessidade de mercado e que a adoção dos projetos no mercado é efetiva. Por isso, acredito vivamente que teremos, já em 2019, clientes interessados em utilizar estas soluções tecnológicas inovadoras.

 

JM| Quais são os maiores desafios das empresas da área Saúde no futuro?

FF| A tecnologia já existe. Nós conseguimos colocar pessoas em Marte e, portanto, o desafio agora é conseguir colocá-las novamente nesse planeta, mas monitorizá-las à distância e mantê-las saudáveis. Portanto, a tecnologia é real, falta-nos agora perceber qual é a melhor forma de adotá-la.

O grande desafio passa por desenvolvermos, cada vez mais, inovação, mas é preciso perceber de que forma a mesma pode ser utilizada no dia-a-dia das instituições e dos profissionais para que, efetivamente, consiga gerar maiores ganhos em saúde. Por exemplo, no caso de Portugal, a equidade no acesso aos cuidados de saúde ainda varia de forma geográfica.

Acredito que a tecnologia é, claramente, a alavanca para ultrapassar este tipo de constrangimento e garantir o acesso universal.

 

JM| O SNS tem condições para implementar as inovações tecnológicas que vão surgindo em Portugal?

FF| A Comissão Europeia, no último Programa-Quadro, conclui que existem vários projetos-piloto que, muitas vezes, não permitem o scale-up a nível local ou europeu. É essencial que se olhe para o sistema de saúde como um ecossistema completo. Ou seja, é preciso envolver os vários agentes, desde os profissionais de saúde aos pagadores para que a inovação seja feita quer no serviço público, quer no serviço privado. Por exemplo, os pagadores têm de estar a bordo e perceber que aquilo que estamos a fazer é realmente uma mais-valia para os seus utentes. A partir do momento em que isto aconteça, conseguimos escalar de uma forma muito mais rápida toda a inovação que queremos colocar ao serviço de saúde.

Em suma, acredito que a tecnologia é fundamental e deve ser orquestrada por uma arquitetura de referência e de processos, centrada nas pessoas, de forma a melhorar os cuidados em saúde, garantindo a gestão da saúde e não a gestão da doença. Temos de cuidar dos saudáveis antes de ficarem doentes.

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