Cuidados Paliativos: “Falta ainda muita sensibilização, inclusivamente dos profissionais de saúde”
DATA
17/07/2019 14:25:00
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Jornal Médico
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Cuidados Paliativos: “Falta ainda muita sensibilização, inclusivamente dos profissionais de saúde”

A CUF Academic and Research Medical Center promove nos dias 19 e 26 de julho e 2 de agosto o curso de Noções Fundamentais em Cuidados Paliativos. O Jornal Médico falou com uma das responsáveis pela iniciativa, Florbela Gonçalves, médica internista, sobre os objetivos do curso e o panorama português em cuidados paliativos.

A formação terá lugar no Hospital CUF Coimbra e as inscrições podem ser feitas em: https://bit.ly/2XQ34pl

JORNAL MÉDICO (JM) | Quais os principais objetivos da realização do curso de Noções Fundamentais em Cuidados Paliativos e como surgiu o conceito?

FLORBELA GONÇALVES (FG) | Os principais objetivos do evento são familiarizar os formandos com os conceitos fundamentais dos cuidados paliativos, uma temática ainda tão silenciada. Não podemos esquecer que a Medicina Paliativa é hoje considerada transversal a todas as especialidades médicas, na medida em que lida com doentes com doenças ameaçadoras de vida, maioritariamente crónicas e avançadas. Os Cuidados Paliativos são considerados um indicador de qualidade de uma Medicina que se quer humanizada e holística, razão pela qual a formação é tão importante.

JM | O que é que os participantes podem esperar deste curso?

FG | Preparámos comunicações científicas de elevada qualidade, apresentadas por profissionais reconhecidos e que irão explorar noções fundamentais dos cuidados paliativos. Esta ação poderá ser particularmente transformadora para formandos menos experientes que passarão a ter a humanidade e a esperança muito presentes na sua prática médica.

JM | Quais serão os principais temas a discussão? 

FG | Abordar-se-ão temas tão vastos como o luto, as conferências familiares, a espiritualidade, a comunicação de más notícias, a ética em fim de vida, o controlo sintomático, os cuidados na agonia, entre outros.

JM | Em Portugal o que falta em matéria de cuidados paliativos? 

FG | Essencialmente falta ainda muita sensibilização, mesmo entre profissionais de saúde. Faltam também motivação, formação e políticas adequadas de gestão de recursos humanos e materiais que permitam a criação de novas equipas, quer em âmbito hospitalar quer na comunidade. Os doentes precisam e merecem ter acesso aos Cuidados Paliativos quando confrontados com doenças avançadas, causadoras de grande sofrimento físico, emocional, social ou espiritual.

JM | Registamos um atraso em relação a outros países ou acredita que é generalizado? É dada a devida importância a esta competência? 

FG | Portugal é infelizmente um país muito carenciado em matéria de Cuidados Paliativos, mas também tem havido um envolvimento e interesse cada vez mais notórios dos profissionais de saúde nesta área. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer que, por exemplo, nos países nórdicos se iniciou mais precocemente. Os Cuidados Paliativos não podem continuar a ser o parente pobre da Medicina.

A acreditação em Medicina Paliativa é ainda residual, o que ajuda a justificar o demorado desenvolvimento desta área. Há equipas sem um único elemento com esta competência.

JM | Ainda existe estigma associado aos cuidados paliativos?

FG | Infelizmente sim. Há ainda doentes e profissionais de saúde a associar os Cuidados Paliativos à morte. Há profissionais a ver a morte como um fracasso e não como uma etapa natural da vida. É preciso abandonar a ideia de que os Cuidados Paliativos só servem para "quando não há nada a fazer"! Há muito a fazer, há que tratar e acompanhar os doentes em fim de vida com humanismo. O verdadeiro Paliativista é aquele que consegue que o seu doente tenha esperança e sentido de vida na terminalidade.

#sejamestrelas
Editorial | António Luz Pereira
#sejamestrelas

Ciclicamente as capas dos jornais são preenchidas com o número de novos médicos. Por instantes todos prestam atenção aos números. Sim, para muitos são apenas números. Para nós, são colegas que se decidiram pelo compromisso com os utentes nas mais diversas áreas. Por isso, queremos deixar a todos, mas especialmente aqueles que abraçaram este ano a melhor especialidade do Mundo uma mensagem: “Sejam Estrelas”.

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