Eduardo Infante de Oliveira: “O encerramento do apêndice auricular esquerdo constitui uma alternativa à utilização de anticoagulantes”
DATA
04/10/2019 11:20:11
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Jornal Médico
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Eduardo Infante de Oliveira: “O encerramento do apêndice auricular esquerdo constitui uma alternativa à utilização de anticoagulantes”

O Jornal Médico falou com o cardiologista de intervenção do Hospital Lusíadas Lisboa, Eduardo Infante de Oliveira, sobre a utilização pela primeira vez em Portugal, de um dispositivo de última geração no encerramento percutâneo do apêndice auricular esquerdo. Este procedimento permite proteger os doentes com fibrilhação auricular que não podem recorrer a medicamentos anticoagulantes.

A fibrilhação auricular é a arritmia crónica mais frequente e estima-se que afete cerca de 200 mil pessoas em Portugal.

JORNAL MÉDICO (JM) | Em que consistiu o procedimento?

EDUARDO INFANTE DE OLIVEIRA (EIO) | Realizámos um encerramento percutâneo do apêndice auricular esquerdo, utilizando um dispositivo de última geração que permite aumentar a segurança e eficácia do tratamento (Watchman Flex). O procedimento é realizado através de um acesso venoso femoral e punção transeptal. Por esta via é introduzida uma bainha até ao apêndice auricular esquerdo e, sob orientação fluoroscópica e ecocardiográfica, é implantado um dispositivo auto-expansível.

 

JM | Qual o tempo de recuperação para esta cirurgia?

EIO | Este procedimento é habitualmente realizado em menos de uma hora e o doente tem alta no dia seguinte. O doente não deverá realizar esforços físicos durante três dias, de modo a recuperar do local de punção.

 

JM | Qual a grande vantagem para os doentes com fibrilhação auricular?

EIO | O encerramento percutâneo do apêndice auricular está indicado essencialmente em doentes com fibrilhação auricular que não toleram ou apresentam contra-indicação para a anticoagulação oral crónica. Ou seja, o encerramento do apêndice auricular esquerdo constitui uma alternativa à utilização de anticoagulantes. As recomendações da Sociedade Europeia de Cardiologia suportam esta prática desde 2012 (classe IIb, nível B).

Existem outras indicações possíveis. Doentes com fibrilhação auricular que apesar de corretamente medicados com anticoagulantes sofrem de acidentes vasculares isquémicos ou embolização periférica. Nestes doentes, a missão do encerramento do apêndice auricular esquerdo não será substituir a medicação anticoagulante mas sim associar-se a esta no esforço de redução de risco.

 

JM | O procedimento foi realizado no Hospital Lusíadas Lisboa. Quando deverá estar disponível no Serviço Nacional de Saúde?

EIO | A técnica de encerramento percutâneo do apêndice auricular esquerdo está disponível no SNS há mais 10 anos. Todas as unidades que realizam esta técnica poderão ter acesso a este novo dispositivo nos próximos meses.

 

JM | Quantos doentes sofrem de fibrilhação auricular em Portugal?

EIO | O estudo SAFIRA, realizado em Portugal e publicado em 2018, refere uma prevalência de 9% em indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos. Deste modo, podemos estimar que existem cerca de 200.000 Portugueses com fibrilhação auricular.

 

JM | Como avalia a evolução do tratamento da fibrilhação auricular nos últimos anos?

EIO | A evolução tem sido constante e significativa. Destaco a introdução de novos anticoagulantes orais, a evolução das técnicas de ablação, a evolução dos sistemas de registo e diagnóstico e também o encerramento percutâneo do apêndice auricular esquerdo.

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Editorial | Jornal Médico
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