Congresso de Internos e novas idoneidades formativas são reflexo da aposta da CUF na formação médica
DATA
18/10/2019 10:26:12
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Jornal Médico
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Congresso de Internos e novas idoneidades formativas são reflexo da aposta da CUF na formação médica

O 6º Congresso do Internato Médico José de Mello Saúde (JMS) decorreu nos passados dias 19 e 20 de setembro, pela primeira vez no Porto, com o tema “Dor”. No evento – organizado pelos internos dos vários hospitais CUF, com ajuda dos respetivos diretores do internato médico, e pela CUF Academic and Research Medical Center – foram atribuídas pela Ordem dos Médicos (OM) novas idoneidades formativas ao Grupo. As primeiras idoneidades formativas do grupo CUF foram conferidas em 2012, seguida da entrada dos internos em janeiro de 2013. Para perceber a importância deste evento para a JMS e desta aposta educativa na perspetiva da CUF, o Jornal Médico entrevistou o diretor do internato médico, João Paulo Farias.

JORNAL MÉDICO (JM) | Qual é a importância dos congressos anuais do Internato Médico José de Mello Saúde para a instituição?

JOÃO PAULO FARIAS (JPF) | Este é um congresso que começa a ter algum nome no mundo dos internos porque as pessoas começam a procurá-lo. Todos os anos o fazemos – há seis anos. É um evento importante por duas razões principais.

A primeira é uma razão científica relevante a nível do internato médico do país, não só do grupo: habitualmente, temos oradores convidados nacionais e estrangeiros de renome, dentro do tema que é escolhido. Selecionamos um tema que seja transversal a várias especialidades – este ano a dor, o ano passado a infeção, há dois anos a urgência – para podermos atrair internos de várias especialidades. Portanto, do ponto de vista científico, tem algum peso para os formandos.

A segunda razão deve-se a este tipo de eventos ser uma forma de aprendizagem para os internos sobre como se devem organizar, como se contactam as pessoas, como se faz um congresso. Muitos terão de o fazer no futuro e assim começam a aprender já nesta fase, a cometer alguns erros e a serem corrigidos. Isso, no contexto da formação de internos, também é essencial. E, claro, para o grupo em si é um investimento no nosso internato pois os nossos médicos internos têm todo o apoio para fazerem este tipo de iniciativas, o que, do ponto de vista de nome e reputação da José de Mello Saúde e da CUF, também é muito importante – não só dentro do próprio grupo, mas também junto da comunidade científica.

JM | Como pode a aposta nas idoneidades formativas contribuir para o desenvolvimento do grupo?

JPF | A formação médica pós-graduada e o internato médico são uma fonte de desenvolvimento técnico e de qualidade das instituições que prestam cuidados de saúde, públicas e privadas, e são reconhecidos internacionalmente.

Obrigam, por um lado, a que as instituições e os serviços se desenvolvam porque para formarem têm que ter qualidade. Obrigam a que os seus próprios médicos se mantenham atualizados – há uma pressão muito grande nos médicos mais novos para aprender e, portanto, para poder ensinar é preciso estar atualizado – e até a desenvolver múltiplos projetos, assistenciais e de desenvolvimento da sua atividade médica, de investigação, que os serviços que não têm internato médico têm em menor tamanho. É o interesse das próprias instituições em desenvolverem-se e a serem melhores.

Por outro lado, os médicos da minha geração seguem o racional “nós fomos ensinados pelos nossos colegas mais velhos e, portanto, temos uma obrigação de ensinar os médicos mais novos”. É um sentido de obrigação de formação.

Até há quase sete anos as instituições privadas e os hospitais privados não tinham internos, não tinham idoneidades formativas. Há cerca de dez anos o grupo José de Mello Saúde começou a apostar no tema também porque, do ponto de vista do nome da instituição e do serviço, um internato médico é uma atribuição de um selo de qualidade pela OM.

JM | Em que especialidades podem os jovens médicos realizar internato na CUF, atualmente?

JPF | Nós gostaríamos de ter, se possível, idoneidade formativa em todas as especialidades hospitalares. Não conseguimos porque temos serviços que não têm dimensão – não têm número suficiente de intervenções, de consultas, de exames – para formar de forma adequada e com qualidade na sua especialidade. Logo, aquilo que nós fazemos é procurar os serviços onde temos maior qualidade e dimensão suficiente para propor idoneidade formativa à OM.

Neste momento, no Hospital CUF Descobertas temos idoneidade formativa para oito especialidades: duas delas foram obtidas este ano – Oncologia Médica e, em parceria com o grupo Germano de Sousa, Patologia Clínica –; duas o ano passado – Medicina Interna e Anatomia Patológica –; e as outras quatro temos desde 2012 – Ortopedia, Otorrinolaringologia, Pediatria e Imunoalergologia. O Hospital CUF Infante Santo teve na mesma data idoneidade formativa para Otorrinolaringologia, que aliás é a única neste momento. Finalmente, o Hospital CUF Porto tem idoneidade formativa em Medicina Interna.

JM | Está prevista a atribuição de novas idoneidades num futuro próximo?

JPF | Soubemos recentemente que o Hospital CUF Infante Santo obteve idoneidade em Radiologia, mas ainda não será para o próximo ano, será só para ter internos em 2021. O Hospital CUF Porto também se candidatou a Radiologia, mas ainda não temos a resposta.

Outras áreas em que estamos a apostar são Dermatologia e Ginecologia/Obstetrícia (idoneidade parcial). Também estamos a considerar Urologia em vários dos hospitais CUF. A estratégia é definitivamente aumentar o número de idoneidades, por isso estamos a negociar com a OM e a identificar as áreas a desenvolver a fim de conseguirmos idoneidade total para receber internos.

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