Sleep Apnea Winter Meeting: "A formação é um dos pilares da Unidade de Sono do Hospital CUF Infante Santo"
DATA
29/11/2019 16:36:58
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Jornal Médico
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Sleep Apnea Winter Meeting: "A formação é um dos pilares da Unidade de Sono do Hospital CUF Infante Santo"

Realiza-se no próximo dia 7 de dezembro a Sleep Apnea Winter Meeting, sob organização da CUF Academic and Research Medical Center. O Jornal Médico falou com a coordenadora da reunião, Susana Teixeira de Sousa, sobre os seus principais objetivos e a abordagem correta à Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), assim como, a importância das equipas multidisciplinares neste contexto.

JORNAL MÉDICO (JM) | Como surgiu a Sleep Apnea Winter Meeting?

SUSANA SOUSA (SS) | A formação é um dos pilares da Unidade de Sono do Hospital CUF Infante Santo. A par das Jornadas do Sono que contaram este ano com a sua segunda edição e que foram dedicadas ao tema Prós e Contras em Medicina do Sono, acreditamos que a formação básica em patologia do sono ainda é uma lacuna nas nossas faculdades. A Medicina do Sono está em constante desenvolvimento, com atualização crescente sobre os mecanismos da doença e inovações nas diferentes formas de tratamento, por isso, surgiu a necessidade de uma reunião sobre Apneia do Sono de A a Z, que abrange a patologia desde a etiopatogenia ao diagnóstico e à abordagem terapêutica, à luz do conhecimento atual.

JM | Quais são os principais objetivos da realização desta reunião? O que podem esperar os inscritos?

SS | A reunião pretende abordar desde a fisiopatologia da doença que permite compreender os meios complementares de diagnóstico: do estudo do sono aos métodos de imagem utilizados em patologia respiratória do sono à abordagem terapêutica que reflete a forma de trabalho da própria Unidade do Sono: em equipa.  Para o estudo e orientação destes indivíduos juntaram-se várias especialidades que, em conjunto, podem olhar para o doente como um todo e não em “secções”. Durante a manhã de sábado, a Pneumologia, a Neurologia, a Medicina Dentária, a Fisioterapia, a Imagiologia e a Otorrinolaringologia vão falar sobre o diagnóstico na perspetiva das diferentes especialidades e a abordagem terapêutica que deve ser discutida em equipa para a melhor opção terapêutica numa ótica da Medicina personalizada.

JM | Como deve ser feita a abordagem da Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono? Como se personaliza o tratamento para cada doente com SAOS?

SS | Tradicionalmente a Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) tem sido definida por um número - o índice de Apneia-Hipopneia (IAH) que nos é fornecido pelo estudo do sono. Hoje sabemos que a etiologia na base da doença nem sempre é igual e as manifestações clínicas de um indivíduo não são definidos apenas por esse valor. O conhecimento atual sobre os mecanismos fisiológicos que ajudam a definir os subtipos de SAOS permitem uma adequação e personalização do tratamento. O conhecimento sobre a doença, na perspetiva dos sintomas, dos mecanismos e da resposta ao tratamento, permite definir grupos específicos de doentes com SAOS e chegar à Medicina de Precisão aplicada a esta doença.

JM | As equipas multidisciplinares são importantes no acompanhamento do doente?

SS | Os mecanismos de doença não se limitam à anatomia da via aérea e ao estreitamento da faringe que leva a limitação da passagem do ar. Os mecanismos na base da SAOS incluem fatores anatómicos, funcionais, genéticos, dependentes do controlo ventilatório, do limiar para o despertar, entre outros. O diagnóstico desta doença tão prevalente passa pela consulta de ORL - do doente que vai a consulta porque a esposa se queixa do ressonar - à consulta do Dentista quando o doente se reclina na cadeira e adormece, passando pelo doente que apresenta complicações no pós operatório depois da sedação, entre outros cenários que podem levantar a suspeição diagnóstica. À parte do diagnóstico que pode ser proveniente de diferentes especialidades, também a abordagem e decisão terapêutica pode incluir o suporte por aplicação de uma pressão positiva na via aérea através de um equipamento gerador de pressão (CPAP), abordagem cirúrgica pela ORL ou a intervenção da Medicina Dentária, através de dispositivos de avanço mandibular que permitem melhorar a permeabilidade da coluna aérea faringe, entre outras. A decisão da melhor terapêutica para o indivíduo que está a nossa frente em consulta deve ser decidida em equipa multidisciplinar, com os exames complementares adequados que nos conseguem predizer o sucesso de cada tratamento.

 

Para consultar mais informação sobre a reunião: https://bit.ly/2P1L5oF

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