O impacto do drive tecnológico na Saúde
DATA
07/01/2020 15:35:25
AUTOR
Jornal Médico
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O impacto do drive tecnológico na Saúde

À margem da II Lusíadas Clinical Summit, o Jornal Médico conversou com a Unit Manager das Clínicas Lusíadas Almada e Parque das Nações, Sofia Couto da Rocha, no sentido de perceber o impacto do drive tecnológico no setor da Saúde, nomeadamente na relação médico-doente. Este foi um dos temas em destaque no evento, organizado pela Lusíadas Saúde, que teve a inovação como fio condutor e “The Circle of Life” como mote.

JORNAL MÉDICO (JM) | Quais são, no seu entender, as principais vantagens da tecnologia para o setor da Saúde?

SOFIA COUTO DA ROCHA (SCR) | No setor da Saúde, a tecnologia, enquanto ferramenta, é utilizada dos antibióticos às tecnologias de informação – existe na forma como comunicamos, monitorizamos e podemos ajudar alguém, ainda que à distância, a ter uma vida mais saudável –, ou seja, vai do wellness ao health.

A tecnologia a que normalmente nos referimos quando o tema é inovação e drive tecnológico consiste, mais concretamente, nas tecnologias de informação, isto é, em hardware e software, em ferramentas que nos ajudam a ter, não só mais qualidade, como também mais previsibilidade; a ter algo que muitas vezes menosprezamos, que é a capacidade de acesso a toda a informação que existe em tempo real e de imediato, bem como acesso a algo que nos seleciona essa informação previamente. Isto são tudo funcionalidades que tem um poder muito forte.  

JM | A relação médico-doente fica comprometida com a crescente utilização da tecnologia na Medicina?

SCR | Focando-me nas tecnologias de informação, diria que a relação médico-doente é na verdade muito mais afetada pela nossa capacidade de comunicação ou falta dela. Atualmente, a tecnologia está numa fase de transição, em que temos muito hardware – muitos ecrãs e muitos apetrechos – que só nos atrapalham a relação com o doente. Acredito que num futuro muito próximo, em que esta zona de transição fica solucionada, teremos uma facilitação da comunicação, porque em tudo o que são tarefas "aborrecidas" e burocráticas – tarefas que envolvem muita repetição – a tecnologia pode perfeitamente dar resposta e o médico pode, assim, voltar a uma relação muito mais simplista e de interação humano-humano. 

JM | A Lusíadas Saúde tem vindo a receber diversas certificações pela utilização da tecnologia em prol do doente. Consegue destacar alguns dos projetos que permitiram obter estas acreditações? 

SCR | O facto de certificarmos áreas como o Hospital de Cascais com um HIMSS Analytics no nível 7 ou o Hospital de Lisboa com o HIMSS 6, o que é que isto nos permite? Assumimos, amiúde, que as certificações não têm um valor de qualidade direto, mas pessoalmente acredito que nesta área têm muito! Porquê? Garantem-nos circuitos fechados, isto é, mesmo que queiramos ou não possamos controlar um circuito – por exemplo, o circuito do medicamento ou o circuito da classificação dos doentes – saber que aquele medicamento é para aquela pessoa, naquela hora ou saber quais são os doentes mais graves a menos graves na chegada à urgência e saber que todos estes circuitos são controlados de forma autónoma dá-nos segurança, porque sabemos que o erro é muito mais repetido pelo humano do que pela máquina.

Máquinas com a capacidade tecnológica atual não erram nestes procedimentos e circuitos, o que nos dá mais segurança e permite-nos estabelecer uma relação mais humana. Tudo o que é repetitivo a máquina repercute, tudo o que não é repetitivo passa pela relação do humano com outro humano.

Quanto a outras classificações nestas áreas, acreditamos que as únicas que nos são úteis são aquelas que nos trazem esta validade em relação à segurança e à qualidade. Tudo o resto é a relação humana. 

 
JM | Como está a crescer o mercado de Healthcare IT? 

SCR | Healthcare e wellness são provavelmente dois dos maiores mercados a nível mundial. Chamo mercados por haver um interesse de todos em que funcionem bem. Além disso, movem uma emoção muito intensa que é a nossa capacidade e necessidade de nos sentirmos bem!

O que acontece é que temos dois setores, sendo que um deles é o mais conhecido. Falo dos hospitais. Mas, há aqui outro setor, paralelo, e que globalmente também está a ganhar uma força muito grande, o do wellness, que faz com que substituamos o conceito de doente por indivíduo/pessoa, num contexto em que cada vez mais cidadãos se preocupam com o seu bem-estar e querem prolongar ao máximo a sua saúde e qualidade de vida. E este é um mercado muito interessante e atrativo. É o mercado em dos controlos remotos da Saúde, das apps, dos wearables e do acesso à informação, o “doutor Google”, a maneira como gerimos toda este ecossistema de autonomia do cliente. É, talvez, onde está o nicho mais interessante em relação ao futuro do mercado da Saúde. 

Outro campo interessante para o drive tecnológico na Saúde é o da hiperespecialização. Áreas como a Cirurgia ou a Medicina de Reprodução Assistida, onde a especialização é grande são áreas também fortemente atrativas neste contexto e de expansão, com a tecnologia a permitir que se desenvolvam muito mais rápido.

Paralelo a isto temos o setor farmacêutico, onde estamos a conseguir com a tecnologia fazer testes em laboratório com uma grande quantidade de acesso, o que antes não existia. Tal permite que a medicina personalizada – dirigida a uma pessoa específica, com um genoma específico e em determinada altura da vida – se torne cada vez mais uma realidade próxima.

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