Sistemas de navegação e inteligência artificial na investigação em Urologia
DATA
07/01/2020 16:00:18
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Jornal Médico
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Sistemas de navegação e inteligência artificial na investigação em Urologia

Organizado pela CUF Academic and Research Medical Center, o evento 2nd Portuguese Symposium on Research and Innovations in Urology teve lugar a 9 de novembro, na Porto Business School. O urologista Estevão Lima destacou aquelas que considera serem as inovações mais interessantes na investigação em Urologia. Participando em duas sessões, o especialista partilhou a sua experiência de trabalho enquanto investigador em diferentes grupos de estudo, sobretudo a nível das tecnologias de navegação.

JORNAL MÉDICO (JM) | Relativamente ao “estado da arte” da investigação em urologia, que inovações apresentadas no evento destacaria?

ESTEVÃO LIMA (EL) | São inúmeras as inovações em Urologia. Apesar de haver muitas áreas em Portugal onde se faz excelente investigação urológica, acho que o mais interessante é a translação que se tem conseguido fazer – que era algo que não se via no passado – de determinadas investigações. Por exemplo, na questão do desenvolvimento de stents biodegradáveis e na sua capacidade de translação para o mercado, com a criação de empresas. Para além dos stents, há todo um conjunto de novos produtos que estão a ser desenvolvidos, alavancados nessa investigação inicial do stent biodegradável.

Destacaria ainda o caso dos sacos de urostomia: havia a necessidade de colá-los e em determinadas pessoas o uso constante de cola causa irritação; entretanto, desenvolveu-se uma solução para este problema e criou-se uma empresa startup para comercialização do produto.

A investigação base do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup) sobre biomarcadores para cancro também é de salientar. Os investigadores concluíram que no cancro da bexiga era muito frequente um tipo de alteração genética e sentiram a necessidade de passar da investigação básica para, por serem vencedores de um projeto, a criação de uma empresa, o Uromonitor. Neste momento estão no mercado e o produto já está a ser comercializado.

JM | Enquanto médico e investigador, o que nos pode dizer acerca dos grupos de trabalho em que está inserido?

EL | Neste simpósio estou representado em dois grupos de trabalho diferentes.

Na área da engenharia biomédica, trabalho num grupo multidisciplinar com engenheiros que desenvolveram sistemas de navegação para punção do rim. Esta era uma grande dificuldade para os médicos, por exemplo, quando era preciso fazer um trajeto em direção a uma pedra no rim. Os meios tradicionais – raio x ou ecografia – tinham uma curva de aprendizagem muito elevada para um cirurgião que necessitasse de fazer esse procedimento. O nosso sistema de navegação permite a quase qualquer pessoa – não é preciso grande formação – fazer esse procedimento. Esta tecnologia foi alvo de uma grande venda pela Universidade do Minho a uma multinacional estrangeira.

O outro grupo de investigação é na área da inteligência artificial, que vai ser aplicada cada vez mais em todas as áreas, nomeadamente no diagnóstico. A avaliação diagnóstica vai ser feita por máquinas, isto é, por meios de inteligência artificial, com maior eficácia do que os levados a cabo por humanos.

JM | Quais acredita serem os maiores desafios nesta especialidade?

EL | Os principais desafios podem ser divididos em várias frentes. Na área da compreensão da biologia do cancro, temos a necessidade de compreender as questões “ómicas” – genómica, epigenómica e proteómica – para nos levar a um melhor conhecimento do novo conceito de medicina de precisão, que consiste em descobrir determinado defeito celular e fazer dele o target terapêutico, e a partir daí desenvolver tratamentos mais eficazes.

Depois, a nível da área funcional da especialidade de Urologia, temos casos como as incontinências urinárias, a hiperplasia benigna da próstata – que é altamente prevalente – e onde enfrentamos diversos desafios em termos de investigação. Em Portugal, há um grupo que trabalha na etiologia da hiperplasia benigna da próstata.

No âmbito do tratamento cirúrgico, também há toda uma evolução associada que tem de ser desenvolvida. Nesse contexto, surgem as questões da navegação, da robótica – de momento, a robótica assistida pelo humano, mas acredito que no futuro (ainda agora foi alvo de uma recente publicação, ainda muito preliminar) sejam cirurgiões-robôs não comandados por cirurgiões-humanos.

JM | Na sua opinião, qual é o maior contributo deste evento?

EL | O principal contributo do CUF Update in Oncology foi colocar as pessoas em contacto, a partilhar ideias e experiências. É importante sabermos o que se faz investigação em Portugal e os participantes têm assim a oportunidade de explorar os temas pelos quais se interessam em conjunto com pares de diferentes grupos de investigação.

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