Investigação em Urologia: “Acredito que o futuro é risonho”
DATA
07/01/2020 16:02:46
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Jornal Médico
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Investigação em Urologia: “Acredito que o futuro é risonho”

No decorrer do evento 2nd Portuguese Symposium on Research and Innovations in Urology, no passado dia 9 de novembro, na Porto Business School, o urologista Ricardo Leão salienta como ponto positivo a investigação que se tem feito na área da Urologia em Portugal. Não obstante, afirma que a nível clínico ainda existem muitos obstáculos a ultrapassar. O evento, organizado pela CUF Academic and Research Medical Center, contou com várias sessões, uma delas dedicada à Oncologia no contexto de Urologia, em que foram discutidos temas relativos à biologia do cancro, tendo em conta a genómica, epigenómica e proteómica, aos biomarcadores, às terapêuticas, bem como a algumas atualizações no cancro da próstata.

JORNAL MÉDICO (JM) | Que análise faz da investigação no âmbito da Urologia em Portugal?

RICARDO LEÃO (RL) | Atendendo ao nível de investigação que existe, em geral, no resto do país e nas outras áreas, eu acho que a investigação em Urologia se coloca num bom patamar em termos nacionais. Existe muita investigação e inovação, mesmo do ponto de vista da tecnologia, nomeadamente devices. Claro que ainda há muito por onde melhorar, mas há muita informação e tecnologia nova e, portanto, acredito que o caminho e o futuro são risonhos.

Há ainda, contudo, algum desconhecimento entre a população em geral – e até mesmo entre a comunidade médica – relativamente à investigação que se faz em Portugal na área da Urologia. Por vezes, há trabalhos de investigação muito interessantes, levados a cabo por portugueses, que são mais conhecidos fora do país do que propriamente a nível nacional.

JM | Quais são os principais desafios que a especialidade de Urologia enfrenta atualmente?

RL | A especialidade de Urologia enfrenta diversos desafios. Abstraindo-nos um pouco daquilo que é a investigação e focando no que se prende com a vertente clínica, hoje em dia vivemos com algumas dificuldades em termos da capacidade de organização do Estado para disponibilizar um bom Serviço Nacional de Saúde. Este é o aspeto inicial de vários dos obstáculos que os profissionais de saúde encontram na sua prática.

Enquanto médico, gostaria que os doentes tivessem cada vez mais um melhor acesso aos cuidados de saúde. Com este acesso quero dizer ter a capacidade de fornecer aos doentes aquilo que são as novas terapêuticas do ponto de vista cirúrgico e médico.

Por exemplo, no que respeita à recente notícia sobre o primeiro robô em Portugal: é uma boa notícia, mas se calhar fará sentido ter mais dois ou três centros com acesso a robôs para permitir a todos os doentes em Portugal beneficiar desse tipo de tecnologia, que é como um upgrade em termos cirúrgicos.

Essencialmente, temos de tentar pugnar por um melhor acesso, do ponto de vista da Oncologia, a terapêuticas inovadoras e, consequentemente, a melhores cuidados de saúde. Acho que esse é um caminho mais político e menos médico.

JM | Na sua perspetiva, qual é o papel e a importância de encontros como o 2nd Portuguese Symposium on Research and Innovations in Urology?

RL | Estes encontros são extraordinariamente importantes para dar a conhecer o que se faz em Urologia e as pessoas se conhecerem entre si, o que facilita a discussão destes temas e proporciona massa crítica e capacidade para se ser e fazer cada vez melhor.

O facto de, na audiência, estarem não só médicos como investigadores de carreira permite divulgar estas informações, o que é bom. Por outro lado, não há boa investigação em Medicina sem uma estreita colaboração com médicos e corpo clínico e investigadores, sejam de carreira, sejam médicos investigadores.

Este tipo de encontros permite criar sinergias entre todas as pessoas que fazem investigação em Urologia. Cada vez mais se torna crucial ter um grupo de Urologia, não só local ou dentro da universidade, mas a nível nacional, a funcionar em network. Até no panorama internacional, isto nos permite posicionar como país interessante em termos de investigação em Urologia.

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Editorial | Jornal Médico
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Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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