Maria do Rosário André: “O Scicare foca-se numa ideia de futuro e não apenas no impacto a curto prazo”
DATA
03/02/2020 10:42:10
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Jornal Médico
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Maria do Rosário André: “O Scicare foca-se numa ideia de futuro e não apenas no impacto a curto prazo”

O programa Scicare Novartis Health Science Accelerator é um programa de aceleração científica desenvolvido pela Novartis em parceria com a Agência Nacional de Inovação (ANI), a Associação Portuguesa de Investigação em Cancro (ASPIC), Portugal Ventures e Creating Health – Research and Innovation Funding. Dirigido às equipas de investigação de instituições públicas e privadas com atividade em Portugal, as candidaturas estão abertas até ao dia 28 de fevereiro de 2020. Para conhecer mais sobre este projeto, o Jornal Médico entrevistou a diretora médica Novartis Oncologia Portugal, Maria do Rosário André.

JORNAL MÉDICO (JM) | Os projetos da Novartis relacionados com a investigação clínica têm sido uma constante. O que acrescenta a iniciativa Scicare – Novartis Health Science Accelerator? 

MARIA DO ROSÁRIO ANDRÉ (MRA) | A investigação clínica é claramente uma área prioritária para a Novartis em Portugal. Primeiro, porque somos cientistas – a ciência está no nosso DNA e a investigação clínica é a base de tudo o que fazemos. Adicionalmente, porque queremos continuar a reimaginar a medicina não só através dos medicamentos que trazemos, mas também através do conhecimento que podemos gerar ou ajudar a gerar. Atualmente, existe muita investigação relevante a ser desenvolvida no panorama nacional e internacional e há muitas áreas que ainda não têm soluções, que estão a ser trabalhadas e onde estão a surgir novidades. A constante investigação clínica que promovemos é também a forma de reforçar o impacto positivo que temos na sociedade e contribuir para que em Portugal se faça cada vez mais investigação e com crescente qualidade. Acreditamos que Portugal pode posicionar-se como um país de excelência para a investigação clínica e tornar-se mais competitivo internacionalmente e a Novartis quer ser parceira neste caminho.

O Scicare é um programa de aceleração dirigido à comunidade científica em Portugal, desenvolvido pela Novartis em parceria com a ANI, a ASPIC, Portugal Ventures e Creating Health – Research and Innovation Funding, que nasce do nosso compromisso com a investigação em Portugal e da vontade de poder contribuir objetivamente para o avanço da ciência no nosso país.

Discutindo com diferentes parceiros envolvidos na investigação, percebemos que muitas vezes existe um gap entre a investigação básica e a clínica. Cremos que, com a nossa própria experiência e com a experiência dos parceiros certos, podemos ajudar a construir pontes que facilitem a transição de projetos de fases pré-clínicas para fases clínicas. Queremos que o Scicare seja um facilitador desta interação entre todos os parceiros relevantes e um acelerador de conhecimento que possa capacitar equipas de excelência na investigação básica, colaborando para o desenvolvimento de projetos de investigação clínica.

JM | Para além desse gap, quais são os maiores desafios ao desenvolvimento de projetos de investigação em Portugal? Como podem ser ultrapassados? 

MRA | É importante referir que tem sido feito um caminho muito positivo na investigação em Portugal. Temos vários exemplos disto: grupos de investigação líderes globais nas suas respetivas áreas, bolsas muito importantes a serem atribuídas a investigadores portugueses, centros de investigação a conseguirem atrair cada vez mais talento e a competirem internacionalmente. Podemos, obviamente, ambicionar ir ainda mais longe e julgo estarmos num momento em que o podemos fazer.

Os três desafios que me parecem relevantes e que penso poderem ser ultrapassados a curto prazo são o tal afastamento que ainda existe entre os grupos de investigação básica e os especialistas clínicos, a imaturidade de redes de colaboração entre os diferentes grupos de investigação em Portugal e os tempos de aprovação/implementação dos projetos de investigação.

Por isso, se continuarmos a investir na aproximação da investigação básica e clínica, na criação de redes de colaboração mais próximas e estruturadas entre os diferentes grupos e na definição de uma estratégia nacional de investigação clara, já estaremos a contribuir para a melhoria da investigação em Portugal.

JM | O Scicare conta com uma semana de capacitação às equipas selecionadas. Que atividades preveem?

MRA | As equipas selecionadas irão ter oportunidade de participar numa semana imersiva de trabalho, num formato bootcamp, que irá decorrer em abril de 2020. Queremos que, durante esta semana, estas equipas estejam desligadas das atividades do seu dia-a-dia e se possam focar na ciência e no conhecimento, em aprender e trocar experiências. A agenda desta semana foi construída com o intuito de maximizar a aprendizagem e a interação entre indivíduos de áreas muito distintas, mas complementares quando falamos da implementação de projetos de investigação. As equipas selecionadas terão oportunidade de se desenvolver em áreas como medicina translacional, bioestatística, desenho de ensaios clínicos, direitos de propriedade intelectual, comunicação, soluções de financiamento e modelos organizacionais.

Existirão seminários, sessões de trabalho em grupo e coaching individual com especialistas clínicos e peritos em temas específicos, dotando os participantes de ferramentas necessárias para poderem potenciar a sua investigação e estabelecer ligações com o mundo empresarial. Acreditamos que destas interações resultará não só conhecimento como também aproximação entre estas diferentes realidades – academia, clínica e mundo empresarial.

JM | As inscrições estão abertas desde 16 de dezembro. O balanço, em termos de adesão, tem sido positivo? Observa alguma tendência em relação às candidaturas?

MRA | O balanço até ao momento tem sido muito positivo. Temos recebido interesse, quer de equipas de investigação básica, quer de investigadores clínicos, o que confirma a relevância de programas deste tipo.

Como ainda estamos numa fase inicial de receção de candidaturas, não identificamos tendências. No entanto, consideramos que o interesse que temos tido de diferentes áreas confirma a importância do grupo de parceiros relevantes que estão reunidos neste programa, críticos para o desenvolvimento da investigação em Portugal... E a Novartis quer continuar a posicionar-se como parceira na investigação, como parte integrante desta rede de conhecimento e expertise.

Com as candidaturas abertas até ao dia 28 de fevereiro de 2020, contamos receber mais candidaturas durante o mês de fevereiro. As candidaturas selecionadas para participar no Scicare serão conhecidas no dia 3 de abril de 2020.

JM | Que mais valias podem retirar deste programa no futuro, para além da investigação em curso? 

MRA | O modelo de programa do Scicare foca-se numa ideia de futuro e não apenas no impacto a curto prazo. Não queremos apoiar “apenas” um projeto de investigação específico – o benefício a curto prazo. Queremos antes ajudar estas equipas de investigação a adquirirem conhecimentos e a construírem redes de contactos que lhes permitam ter mais capacidade para desenvolverem projetos de translação no futuro.

Queremos também ajudar a aproximar a linguagem da investigação básica daquela da investigação clínica, porque acreditamos que isto poderá facilitar a colaboração entre os dois grupos de investigadores. Desta forma, estamos a construir bases sólidas para que estas equipas, e a investigação clínica em Portugal, possam continuar a crescer no futuro.

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