Pedro Mendes Bastos: “O dermatologista deve ser o centro da equipa que cuidará dos doentes com dermatite atópica”
DATA
11/09/2020 10:58:53
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Jornal Médico
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Pedro Mendes Bastos: “O dermatologista deve ser o centro da equipa que cuidará dos doentes com dermatite atópica”

No âmbito do Dia Mundial da Dermatite Atópica, que se assinala a 14 de setembro, o Jornal Médico falou com Pedro Mendes Bastos, médico especialista em Dermatologia e Venereologia no Hospital CUF Descobertas e consultor científico da ADERMAP – Associação Dermatite Atópica Portugal, que destacou a importância de existir uma abordagem multidisciplinar no tratamento da doença e suas comorbilidades.

Jornal Médico (JM) | Como caracteriza atualmente o panorama da dermatite atópica em Portugal?

Pedro Mendes Bastos (PMB) | Não dispomos de números fidedignos em Portugal, mas será apresentado este mês de setembro de 2020 um estudo muito relevante levado a cabo pela Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia em colaboração com a Universidade Nova de Lisboa e a ADERMAP (Associação Dermatite Atópica Portugal) que procura responder a essas perguntas. Na prática, extrapolamos dados de outros países ocidentais. Acreditamos que a dermatite atópica possa afetar >10% das crianças e 7% dos adultos, sendo que 20% de todos os doentes são considerados casos moderados-a-graves, implicando opções terapêuticas sistémicas para o seu adequando controlo.

JM | Qual o papel do dermatologista no acompanhamento de um doente com dermatite atópica?

PMB | A dermatite atópica (DA), também conhecida como eczema atópico, é uma doença de pele crónica, imuno-mediada, que não tem uma causa simples ou única: é determinada pela interação entre fatores de predisposição genéticos e fatores ambientais. Não é uma doença alérgica, e, apesar da sua fisiopatologia não estar ainda totalmente elucidada, as alterações na barreira epidérmica e a disfunção imune do tipo Th2 são os dois vetores fundamentais para o desencadear e perpetuar da DA. O dermatologista é o especialista que diagnostica, estuda e trata as doenças dermatológicas devendo este ser o centro da equipa que cuidará dos doentes com dermatite atópica.

JM | Como deve ser a articulação entre o médico de família e o especialista?

PMB | O médico de família é habitualmente o primeiro contacto do doente com o sistema de saúde. O especialista em MGF está familiarizado com esta doença, particularmente na faixa etária pediátrica. Tem um papel importante no tratamento da dermatite atópica ligeira, sendo muitas vezes necessário partilhar a gestão do doente moderado-a-grave com o dermatologista, principalmente quando existe dúvida diagnóstica ou é necessário instituir tratamento sistémico ou biotecnológico. Uma grande dificuldade ocorre a nível do diagnóstico diferencial, não sendo rara a rotulagem incorreta de doentes. Na dúvida, o doente com manifestações cutâneas deve sempre ser avaliado pela Dermatologia.

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Editorial | Jornal Médico
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