Fátima Godinho: “Os médicos devem alertar os doentes para a importância desta vitamina hormona no metabolismo ósseo e outros sistemas”
DATA
19/04/2021 09:20:28
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Jornal Médico
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Fátima Godinho: “Os médicos devem alertar os doentes para a importância desta vitamina hormona no metabolismo ósseo e outros sistemas”

A reumatologista Fatima Godinho, do Hospital Garcia de Orta, foi a moderadora no webinar “Calcifediol - o seu papel na imunidade”, que decorreu no dia 24 de fevereiro numa iniciativa do Jornal Médico com o apoio dos Laboratórios Vitória. A vitamina hormona calcifediol tem vindo a alargar o seu campo de ação por várias patologias e a especialista destaca a importância do seu papel nas doenças reumáticas.

Jornal Médico (JM) | Qual a importância do papel da vitamina D nos tratamentos em reumatologia?

Fátima Godinho (FG) | A vitamina D tem um papel importantíssimo no tratamento de várias doenças na Reumatologia e também na sua prevenção. Por exemplo, no caso das doenças osteometabólicas, nomeadamente na osteoporose, em que não há nenhum tratamento que não seja feito em conjunto com a vitamina D e o cálcio, quer na prevenção, quer depois no tratamento. Todos os estudos sobre a eficácia de tratamentos na melhoria/prevenção desta doença são sempre feitos em conjunto com a vitamina D e o cálcio. Existem outras patologias como o lúpus eritematoso sistémico, em que, tendo em conta as suas particularidades , que inclui a contraindicação de exposição solar direta, temos sempre de suplementar os doentes com vitamina D. São muitas as doenças que se manifestam com dores articulares ou com dor musculoesquelética generalizada, e em que, ao fazer uma investigação, nos deparamos muitas vezes com défice significativo de vitamina D; ao corrigirmos este défice, podemos melhorar substancialmente a sintomatologia e a qualidade de vida do doente.

JM | Considera que o calcifediol pode ser uma boa opção para colmatar os efeitos das doenças reumáticas?

FG | Tendo em conta as caraterísticas que esta molécula apresenta relativamente ao colecalciferol, é, sem dúvida, uma boa opção para colmatar os efeitos das doenças reumáticas. O facto de a molécula ser mais polar, mais hidrofílica, de não precisar de metabolização hepática e, por isso, ser mais eficaz na adequação dos níveis desejados, a velocidade com que atingimos esses níveis – e tendo em conta que o colecalciferol pode demorar mais tempo e necessitar de doses mais elevadas para chegar aos valores considerados indicados no tratamento e prevenção do défice da vitamina D –, o calcefediol pode ser a melhor opção, também pela sua posologia, que é uma administração mensal , quando não é preciso uma reposição mais rápida.

JM | Qual será a melhor forma de chamar a atenção para a importância da vitamina D aos utentes dos cuidados de saúde primários?

FG | Os médicos devem alertar os doentes para a importância que esta vitamina hormona tem no metabolismo ósseo e em outros sistemas. Os cuidados de saúde primários deviam, na avaliação dos doentes que são idosos ou têm menor exposição solar, ou com outras patologias que possam interferir no metabolismo da vitamina D, considerar a probabilidade de défice de vitamina D e, se possível, saber o seu valor sérico. E, se for necessário a suplementação, o médico deverá fazê-lo com a maior brevidade.

JM | O que gostaria de acrescentar sobre este tema?

FG | A vitamina D tem assumido uma importância muito grande nos últimos tempos. A descoberta do seu papel em muitos outros sistemas além do musculoesquelético e   das doenças osteometabólicas levou a que houvesse um crescente interesse na comunidade científica sobre o que implica ter níveis adequados de vitamina D. Tem havido muitos estudos em áreas tão diferentes como a cardiovascular, neurologia e na prevenção e tratamento de da infeção. Estamos, portanto, cada vez a entender melhor qual a importância da vitamina D na saúde e a chegarmos a cada vez mais conclusões; isso vai levar a darmos cada vez mais valor a esta vitamina e a trabalharmos na prevenção de um conjunto de doenças através da adequação dos níveis séricos de vitamina D. 

 

Um ano depois…
Editorial | Susete Simões
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Corria o ano de 2020. A Primavera estava a desabrochar e os dias mais quentes e longos convidavam a passeios nos jardins e nos parques, a convívios e desportos ao ar livre. Mas quando ela, de facto, chegou, a vida estava em suspenso e tudo o que era básico e que tínhamos como garantido, tinha fugido. Vimos a Primavera através de vidros, os amigos e familiares pelos ecrãs. As ruas desertas, as mensagens nas varandas, as escolas e parques infantis silenciosos. Faz agora um ano.

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