Jose Quesada Gómez: “O calcifediol abriu uma porta muito grande no tratamento da Covid-19”

No webinar “Calcifediol- o seu papel na imunidade”, promovido a 24 de fevereiro pelo Jornal Médico com o apoio dos Laboratórios Vitória, Jose Manuel Quesada Gómez, especialista em Medicina Interna, Endocrinologia e Nutrição no Hospital Universitário Rainha Dona Sofia, em Córdova (Espanha), apresentou os resultados do seu estudo sobre o efeito do calcidefiol nos pacientes com Covid-19. O especialista explica agora em mais detalhe o impacto que o calcifediol pode ter também noutras doenças respiratórias.

Jornal Médico (JM) | De que forma atua o sistema endócrino da vitamina D no sistema imunitário? Qual o papel da vitamina D na modulação da resposta imune?

Jose Manuel Quesada Gómez (JMQG) | O sistema endócrino da vitamina D é critico para regular a resposta imune. Há dois tipos de resposta imune: uma é a resposta inata, que não necessita de sensibilização prévia, enquanto a outra requer sensibilização prévia, é a resposta imunológica adquirida. É importante porque estimula a resposta inata e modula a atividade. E é importante para modular a resposta a certas doenças como a Covid-19.

JM | Existem valores ótimos de vitamina D para que se consiga evitar uma maior gravidade na infeção respiratória provocada pela Covid-19?

JMQG | Não existe uma resposta, mas, a partir de estudos em vitro, pensamos que são necessários valores mínimos de 25-OH vitamina D de 30 ng/ml no mínimo, mas recomendaria valores médios entre 30 e 60 nanogramas.   

JM | Quais são os benefícios mais importantes da suplementação com calcifediol em comparação com a vitamina D nativa o colecalciferol?

JMQG | O principal benefício é que é independente dos valores mínimos de 25-OH. Quanto tomamos vitamina D com colecalcifederol, a oxidação ocorre no fígado. Isto não é necessário com o calcifediol, por isso, conseguem-se valores mais altos, mais rapidamente e de forma mais eficaz, evitando complicações como problemas hepáticos ou inflamação generalizada, como ocorre em doenças como a Covid-19.

JM | Suplementação com calcifediol poderá ser utilizada no futuro para prever ou prevenir infeções respiratórias?

JMQG | Sabemos através de estudos de meta análise que a administração de vitamina D diminui o risco de infeções respiratórias, sobretudo em pessoas que têm valores mais baixos de vitamina. Penso que a possibilidade de administrar vitamina D é uma excelente terapia para dar resposta a doenças infeciosas e, provavelmente, pode-se administrar o calcifediol para previr doenças respiratórias.

JM | Quais foram os desafios mais relevantes que encontrou no estudo de tratamento com o calcifediol?

JMQG | O primeiro desafio foi que o colecalciferol demorava muito tempo para normalizar os valores séricos de 25OHD e isso fazia com que a resposta dos pacientes fosse mais lenta. Este foi o maior desafio, encontrar uma molécula que pudesse normalizar os valores de vitamina D de forma mais rápida. O calcifediol foi a resposta ao problema: conseguiu uma resposta mais rápida.

JM | É mais eficaz utilizar o calcifediol como método preventivo ou como tratamento?

JMQG | É eficaz em ambos os casos. De modo preventivo, qualquer pessoa deve ter valores acima dos mínimos de vitamina D e isso consegue-se facilmente com o calcifediol. Também se consegue com a vitamina D, mas vai demorar mais tempo e vão ser precisas doses muito maiores; com o calcifediol consegue-se administrando uma cápsula mole de 0,266 mg a cada 15 dias ou uma vez a cada três semanas.

Os pacientes têm tido boas respostas no tratamento da Covid-19. Como tratamento, o calcidefiol, connosco e com outros colegas em Espanha, está a dar uma resposta extraordinária, com duas cápsulas no momento do diagnóstico, uma ao terceiro dia e uma cápsula ao sétimo dia. E depois semanalmente até o doente ter alta

JM | O que gostaria de acrescentar sobre este tema?

JMQG |O tratamento com calcifediol abriu uma porta muito grande no tratamento da Covid-19 e provavelmente também para outro tipo de stress respiratório, seja por inalação de gases, seja por sistemas infeciosos por vírus, por bactérias ou outro agente.

Crónicas de uma pandemia anunciada
Editorial | Jornal Médico
Crónicas de uma pandemia anunciada

Era 11 de março de 2020, quando a Organização Mundial de Saúde declarou o estado de Pandemia por COVID-19 e a organização dos serviços saúde, como conhecíamos até então, mudou. Reorganizaram-se serviços, redefiniram-se prioridades, com um fim comum: combater o SARS-CoV-2 e evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde, que, sem pandemia, já vivia em constante sobrecarga.

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