19.º Encontro Nacional de Internos e Jovens Médicos de Família: “Vem preencher um espaço vazio na formação”
DATA
17/05/2021 10:23:58
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Jornal Médico
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19.º Encontro Nacional de Internos e Jovens Médicos de Família: “Vem preencher um espaço vazio na formação”

Abordar temas apelativos e enriquecê-los com palestrantes com experiência e que contribuam positivamente e construtivamente para as discussões. É esta a preocupação subjacente ao programa do 19.° Encontro Nacional de Internos e Jovens Médicos de Família (ENIJMF), que começa a 19 de maio e se estende até dia 21, em formato virtual. Ao Jornal Médico, a porta-voz do evento, Vera Pires da Silva, disse esperar que “nesta edição se encontre um espaço em que as gerações mais novas da MFG exponham o seu valor e se afirmem como futuro promissor da especialidade”.

Jornal Médico | Como surgiu a ideia de criarem este encontro, autonomizando-o do encontro da APMGF propriamente dita?

Vera Pires da Silva | Esta ideia já vinha a ser idealizada há algum tempo, mas só agora foi possível concretizá-la. A Medicina Geral e Familiar é a especialidade com o maior número de internos e, por conseguinte, com o maior número de jovens especialistas. Assim, criar um evento dedicado a estes, com o programa construído com internos e jovens médicos de família, indo ao encontro das suas expectativas e necessidades, pareceu-nos um projeto de grande utilidade e que veio preencher um espaço vazio na formação.

JM | O que tiveram em conta para conseguir encontrar um programa que fosse “apelativo” para quem vai assistir nestes moldes online?

VPS | Primeiro de tudo, tivemos o cuidado de envolver todas de comissões de internos de MGF e vários jovens médicos de família das sete regiões nacionais, isto é, Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve, Madeira e Açores. A seleção dos temas foi feita com o envolvimento de todos eles. As comissões de internos auscultaram os seus colegas para definir os conteúdos das sessões e tiveram total liberdade para as organizar da forma que considerassem mais adequada. Por seu lado, os jovens médicos de família articularam-se entre si e determinaram as temáticas que poderiam ser importantes e que teriam impacto para as diversas regiões, definindo em conjunto os oradores que pretendiam convidar. Assim, a primeira preocupação foi criar uma comissão organizadora diversificada e inclusiva, participativa e representativa do público-alvo a quem se destina o congresso. Houve, depois, um grande cuidado em definir temas apelativos e enriquecê-los com palestrantes com experiência e que contribuíssem positivamente e construtivamente para as discussões. Por fim, a dinamização das sessões também foi alvo de reflexão e optou-se por uma abordagem prática, respondendo a questões do dia-a-dia, através de casos clínicos e questões que serão colocadas à audiência.

JM | Quais os temas que destaca nesta edição?

VPS | Esta edição tem uma grande diversidade de temas. Desde sessões mais clínicas que abordam temas como o burnout, a sexualidade, a terapia hormonal de substituição, a dor crónica, a polimedicação e a amamentação; a alguns temas da atualidade, nomeadamente a despenalização da morte assistida. Também terá sessões que irão explorar temas relacionados com o internato médico de MGF, e outras dedicadas a jovens médicos de família, nomeadamente os desafios inerentes à gestão de lista de utentes, o impacto da pandemia de Covid-19 e o papel de jovens médicos de família enquanto líderes. Este encontro contará igualmente com vários workshops submetidos por participantes e que foram selecionados através de um júri. Assim, a pluralidade de temas e áreas abordadas é uma característica deste evento.

JM | De que forma este encontro contribui para a atualização de conhecimentos dos participantes?

VPS | Tal como dito anteriormente, houve um grande cuidado na seleção dos conteúdos e esperamos que, através de um programa diversificado, com temas atuais com impacto no dia a dia médico, recurso a sessões dinâmicas, com palestrantes objetivos e práticos, que este encontro contribua para a atualização de conhecimentos dos participantes.

JM | No geral, quais as expectativas para esta edição?

VPS | As expectativas são que esta edição permita promover uma real partilha de experiências e conhecimentos entre internos e jovens médicos de família e uma aproximação entre todos. Esperamos que nesta edição se encontre um espaço em que as gerações mais novas da MFG exponham o seu valor e se afirmem como futuro promissor da especialidade. Um futuro alicerçado em práticas rigorosas, baseado na melhor evidência disponível e fomentado num espírito de união.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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