Maria José Ribas: “O Encontro é sempre enriquecido pela multiplicidade de profissões, experiências, novidades, desafios”
DATA
15/09/2021 09:36:28
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Jornal Médico
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Maria José Ribas: “O Encontro é sempre enriquecido pela multiplicidade de profissões, experiências, novidades, desafios”

Debater temas de modo a trazer novas formas de pensar, de organizar, de reformular o trabalho, e, sobretudo, trazer esperança e otimismo a todos os que participam. É esta a preocupação subjacente ao 12.º Encontro Nacional das USF, agendado para 17 e 18 de setembro, tendo como cenário o Super Bock Arena — Pavilhão Rosa Mota, no Porto. Em entrevista, a presidente da comissão organizadora, Maria José Ribas, faz a projeção do essencial do evento.

Jornal Médico (JM) | O 12.º Encontro Nacional das USF propõe-se conjugar os verbos “AGIR, CAMINHAR, PROGREDIR”. Quer explicar-nos o porquê da escolha deste tripé temático?

Maria José Ribas (MJR) | Estivemos, no último ano e meio, como que suspensos: as nossas vidas paradas, o nosso trabalho virado do avesso, as nossas USF desorganizadas pela pandemia. Queremos voltar às nossas vidas e prosseguir com os nossos projetos de Saúde Familiar. É preciso AGIR e voltar a pegar em mãos os nossos destinos. CAMINHAR em conjunto e voltar a ser Equipa. E PROGREDIR na Reforma dos Cuidados de Saúde Primários [CSP].

JM | Este evento reveste-se de especial importância porque assinala o regresso da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) aos eventos presenciais, interrompidos por força da pandemia. Como vê este regresso?

MJR | Será um regresso de esperança, de confiança de que o futuro será melhor. Um regresso de reencontro entre colegas que têm uma visão comum. Um regresso de festa e celebração.

JM | Como estão os profissionais de saúde das USF passado este ano e meio de duro confronto, em várias frentes, devido à pandemia?

MJR | Desgastados, esgotados. O efeito da pandemia nas USF foi pouco mediatizado, face aos números, aos internamentos, aos cuidados intensivos e às perdas de vida. Pouco se falou do impacto que a pandemia teve nas vidas e no trabalho dos profissionais das USF. Não tenho dúvidas de que o seu trabalho é e será reconhecido. No entanto, há limites para continuar a pedir tudo e mais e mais. Mas se algo este ano e meio nos mostrou é que os profissionais têm uma coragem, resiliência e sentido de dever extraordinários.

JM | Este 12º Encontro Nacional das USF será o único evento multiprofissional do País, onde se reúnem médicos de família, enfermeiros de família, secretários clínicos e outros profissionais da saúde — além de académicos, autarcas, utentes e profissionais que atuam para além do setor. O que se espera desse debate e discussão percorrendo várias latitudes e diferentes áreas de atividade e esferas de competência?

MJR | O encontro é sempre enriquecido pela multiplicidade de profissões, experiências, novidades, desafios. A participação de todos é o que o torna rico. Espero que este seja ainda mais rico, se possível. Espero que o debate traga novas formas de pensar, de organizar, de reformular o nosso trabalho. E, sobretudo, que traga esperança e otimismo a todos os que nele participam.

JM | Gostaria de destacar algumas personalidades ímpares do setor, pelos seus contributos e visões para a melhoria dos CSP e do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que estarão presentes neste encontro?

MJR | Estamos a contar com a presença da Sra. ministra da Saúde, Marta Temido, com Constantino Sakellarides [ex-diretor-geral da Saúde], com elementos das Ordens Profissionais e com médicos, enfermeiros e secretários clínicos de diferentes USF, que vêm partilhar a sua experiência.

JM | E quanto aos temas escolhidos, é possível desde já referir os mais prementes e importantes e o que foi tido em conta para essa mesma escolha?

MJR | Sim, sublinho o debate sobre o futuro do Modelo USF, mais premente hoje que nunca, a aposta nos Recursos Humanos, a Valorização das Carreiras, a Contratualização e a discussão sobre a Carteira Básica de Serviços. Mas também, para além dos temas organizativos, o Pensamento Positivo, o trabalho em equipa nos Cuidados Paliativos e os temas clínicos.

JM | Na linha das edições anteriores, o programa do 12.º Encontro Nacional das USF vai incluir o ACONTECE’21, espaço aberto a comunicações orais e em póster. Quer concretizar?

MJR | O ACONTECE é mais um espaço de partilha de ideias, experiências e resultados do trabalho dos profissionais e chama os participantes a trazer os seus trabalhos. No final, serão distribuídos os prémios às melhores apresentações, como é costume. Há tanto trabalho feito, porque não o mostrar?

JM | Mesmo perante este esforço acrescido das equipas de saúde familiar, a USF-AN vem dando nota que os CSP e as suas Unidades Funcionais têm sido desconsideradas e desvalorizadas pelas estruturas governamentais e pela comunidade em geral. Pensa que ainda será possível “reerguer” a reforma dos CSP?

MJR | Claro que sim. Sem os CSP, como bem se provou neste último ano e meio, não há cuidados de saúde de qualidade em Portugal. A reforma tem de continuar.

JM | Considera que este evento pode representar um ponto de viragem no SNS, em especial nos CSP?

MJR | Todos esperamos ser chegado o momento de voltar à normalidade. Este Encontro é um marco nesta história e um momento de reflexão sobre o que fazer e como fazer a partir daqui. Será histórico e estaremos lá para fazer história.

JM | Que mensagem/apelo gostaria de deixar aos seus colegas?

MJR | Mesmo esgotados e cansados, venham e participem, divirtam-se e tragam uma boa dose de energia para casa!

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Editorial | Carlos Mestre
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