Tiago Maricoto: 7.as Jornadas do GRESP querem “colocar os cuidados de saúde respiratórios na agenda das prioridades das unidades de CSP”
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15/10/2021 09:33:24
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Jornal Médico
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Tiago Maricoto: 7.as Jornadas do GRESP querem “colocar os cuidados de saúde respiratórios na agenda das prioridades das unidades de CSP”

“Estamos entusiasmados por ir reencontrar os colegas aficionados pela área respiratória”, disse ao Jornal Médico Tiago Maricoto, membro da comissão organizadora das 7.as Jornadas do Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias (GRESP), que vão decorrer já nos próximos dias 21 e 22 de outubro, no PT Meeting Center, Parque das Nações. Em entrevista, o responsável adianta que uma das grandes ambições destas Jornadas é serem um “pontapé de saída para que as doenças respiratórias passem a ser um elemento central na agenda da gestão dos doentes em CSP”. 

Jornal Médico (JM) | Como antecipa que será este reencontro presencial entre colegas passado todo este tempo de confinamento?

Tiago Maricoto (TM) | Tenho uma enorme expectativa, pois realmente passámos por um longo período de tempo privados do convívio e do contacto humano mais físico. Por isso, agora que estamos a retomar as atividades presenciais, estamos entusiasmados por reencontrar os colegas aficionados pela área respiratória, não só os membros mais ativos do GRESP, mas também todos os colegas de Medicina Geral e Familiar (MGF) que gostam desta área. Portanto, vai ser muito bom reencontramo-nos novamente e poder partilhar ideias, discutir os tópicos que estão na ordem do dia e conviver, algo que nos está a fazer falta. Penso que este reencontro será excelente e uma oportunidade para retomar a nossa vida normal, até porque as Jornadas do GRESP sempre foram marcadas por uma grande e forte componente de convívio. 

JM | Pode falar-nos um pouco sobre o programa científico?

TM | O programa está dividido em sessões plenárias, por um lado, e oficinas/comunicações livres, por outro. Essa estrutura é, aliás, uma identidade do GRESP desde o início das Jornadas, pois sempre tivermos uma componente mais teórica e plenária de discussão de grandes tópicos e, em paralelo, uma parte de oficinas muito prática, muito objetiva, de treino e vocacionada para as necessidades clínicas do dia a dia. Esta é uma imagem de marca que queremos preservar porque consideramos que vai ao encontro das diferentes necessidades sentidas na prática clínica.

JM | Quais os assuntos que estarão em foco e quais os critérios para a sua escolha?

TM | Irão estar em destaque os temas de maior atualidade e que estão na ordem do dia. Desta forma, naturalmente que teremos uma sessão sobre COVID (“SAOS e precauções Em tempo de Pandemia”), mas também sobre todos os outros relacionados com as doenças respiratórias mais prevalentes, como a asma, a DPOC, as infeções respiratórias ou a apneia do sono, para além das oficinais sobre técnica inalatória, a espirometria ou a cessação tabágica, assuntos que geram sempre muito interesse.

JM | Quem irá proferir a conferência de abertura e a cerimónia de encerramento?

TM | Este ano, para a cerimónia de abertura, convidámos o Dr. Ricardo Mexia, um reputado e bem conhecido colega da área da Saúde Pública, que nos irá falar sobre a realidade atual do estado de pós-pandemia que estamos a vivenciar, e perspetivar aquilo que aprendemos, o que mudámos e o que podemos esperar para o futuro, numa visão muito centrista sobre os cuidados de saúde primários [CSP], que, como sabemos, foram o grande elemento de gestão dos doentes com COVID-19 em todo o país e, provavelmente, em todo o mundo.

Já para a cerimónia de encerramento vamos ter como palestrante o Prof. Jaime Correia de Sousa, que está numa fase de aposentação da sua carreira, e que durante muitos anos coordenou o GRESP, tendo sido o elemento responsável pelo crescimento significativo do GRESP nos CSP e nos cuidados respiratórios em Portugal, Grupo que atualmente se assume com uma forte componente científica e técnica, mas também de influência política e de gestão de saúde.

“QUEREMOS QUE TAMBÉM EM PORTUGAL A ÁREA DA INVESTIGAÇÃO NA DOENÇA RESPIRATÓRIA SEJA ALAVANCADA”

JM | Quais as novidades em termos científicos e inovação terapêutica esperadas?

TM | Vamos abordar alguns assuntos de grande discussão recente e da qual resultaram bastantes novidades. Por exemplo, iremos apresentar, por exemplo, na asma e na DPOC (as doenças crónicas obstrutivas mais frequentes em CSP e na população em geral) muitas novidades terapêuticas, em face de estudos recentes dos últimos dois/três anos, que nos trouxeram, de facto, uma grande evidência científica sobre novas opções e novas formas de olhar para o doente e de realizar o diagnóstico tendo em conta as suas características individualizadas. O programa inclui igualmente outros temas, que de alguma maneira são novidade, como por exemplo a “Abordagem da dor na doença respiratória”, um aspeto muito pertinente no doente respiratório crónico numa fase avançada, ou uma sessão dedicada à “Rinite e rinossinusite: Várias faces da mesma moeda”, doença muito importante e muitas vezes associadas a outras doenças respiratórias, como a asma. Está também prevista uma sessão dedicada às “Infeções respiratórias – Covid, what else?”, não só para enquadrar a pandemia da COVID-19 em termos clínicos, mas também as outras doenças respiratórias. Haverá ainda espaço para uma sessão dedicada à investigação na área respiratória, pois trata-se de uma área que tem assumido grandes avanços, em termos do rigor e da dimensão, e queremos que também em Portugal esta área da investigação seja alavancada, sendo que esta sessão vai-nos ajudar a perceber o que precisamos de saber e de fazer no nosso país.

JM | Quantas inscrições já têm e quantas comunicações livres?

TM | Não temos ainda números oficiais, pois as inscrições ainda estão a decorrer, se bem que os últimos registos das Jornadas do GREP têm apontado para uma ordem dos 300-500 participantes e, como tal, gostaríamos de manter essa ambição de ter esse elevado número de participação. Em relação ao número de comunicações, e embora não seja habitual existirem muitas apresentações de autoria individual, vamos ter duas sessões dedicadas precisamente às comunicações orais, nas quais os colegas vão apresentar os seus trabalhos de investigação e os seus relatos de caso, ou de casos clínicos, e vamos ter prémios dedicados às melhores comunicações em cada área temática.

JM | Qual o grande objetivo deste evento e o que espera alcançar?

TM | Para além de, naturalmente, transmitir informação científica e formação de qualidade aos colegas que vêm assistir, uma das grandes ambições destas Jornadas é dar um empurrão, um pontapé de saída para que as doenças respiratórias passem a ser um elemento central na agenda da gestão dos doentes em CSP. E, para isso, o programa inclui uma sessão sobre “Indicadores da Área Respiratória - O que temos e o que precisamos”, na qual pretendemos lançar o desafio para produzirmos mais indicadores que reflitam realmente cuidados de saúde com qualidade, que espelhem uma boa vigilância nestes doentes. Por isso, esperamos que esta sessão tenha um papel fundamental nas nossas Jornadas e que permitam colocar, já no próximo ano, os cuidados de saúde respiratória na agenda das prioridades das unidades de CSP, dos médicos de família e das equipas de saúde.

JM | Quer deixar alguma mensagem para os colegas sobre a participação nestas Jornadas?

TM | Deixo dois apelos, o primeiro é para que os colegas participem ativamente nas Jornadas, não só online, mas também presencialmente, para que, todos juntos, possamos fazer um debater alargado sobre os assuntos que interessam à área respiratória. Por outo lado, lanço também um call to action, para que estejam atentos a estes doentes, que passam muitas vezes pelas nossas consultas de vigilância, até de HTA e diabetes, de forma a podermos prestar-lhes um bom acompanhamento. Estamos a sair da pandemia, a entrar no inverno, e esta é uma altura ideal para retomar o controlo clínico destes doentes e para pôr as suas vigilâncias em dia. Além disso, os colegas de MGF estão cada vez mais capacitados para gerir o doente respiratório, têm conhecimentos adquiridos, know-how, e por isso podem pôr em prática bons cuidados de saúde de vigilância e controlo.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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