Maria de Belém Roseira: “É grande a vitalidade das organizações de Saúde no sentido da inovação”
DATA
08/11/2021 09:29:24
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Jornal Médico
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Maria de Belém Roseira: “É grande a vitalidade das organizações de Saúde no sentido da inovação”

A propósito da 10.ª edição do Prémio Saúde Sustentável, que tem como objetivo distinguir e premiar entidades, públicas ou privadas, que se destaquem por desenvolver e implementar iniciativas de sustentabilidade na saúde, o Jornal Médico esteve à conversa com um dos membros do júri, a ex-ministra da Saúde Maria de Belém Roseira. Já conhecidos os vencedores desta edição, Maria de Belém Roseira afirma que este prémio espelha bem como “é grande a vitalidade das organizações de Saúde no sentido da inovação”.

Jornal Médico (JM) | Decorreu a 10.ª edição do Prémio Saúde Sustentável. Esta edição distinguiu-se de que forma das antecedentes?

Maria de Belém Roseira (MBR) | Foi uma sessão muito especial porque comemorou o 10.º aniversário desta iniciativa e o programa foi construído com base na experiência dos anos anteriores para lhe introduzir maior dinâmica. Recorde-se que a pandemia veio introduzir hiatos e ajustamentos neste tipo de cerimónias presenciais, pelo que houve todo esse cuidado e foi muito bom termos conseguido esta celebração coletiva.

Infelizmente, foi também uma sessão de homenagem ao Presidente Jorge Sampaio, homenagem devida e sentida porque, desde o seu início foi o Presidente do Júri desta tão marcante realização e o seu desaparecimento físico constitui, também para o Prémio Saúde Sustentável, uma perda irremediável.

JM | Quantas candidaturas receberam?

MBR | Este ano recebemos 61 candidaturas, o que espelha bem o reconhecimento que este prémio tem e como é grande a vitalidade das organizações de Saúde no sentido da inovação e no impulso do aperfeiçoamento da sua ação.

JM | O que determinou a escolha dos vencedores? Foi difícil?

MBR | A escolha é sempre difícil! Por isso são tão importantes as reuniões em que podemos reunir em conjunto porque as diferentes perspetivas que cada um dos membros do júri valoriza acabam por permitir construir um máximo denominador comum, primeiro na escolha dos finalistas e seguidamente na escolha dos premiados e das menções honrosas que eu penso que é muito construtiva em termos de resultado final.

JM | O Prémio visa reconhecer e premiar entidades, públicas ou privadas, que se destaquem por desenvolver e implementar iniciativas de sustentabilidade com impacto na saúde. Como será posto em prática?

MBR | Não esqueçamos as instituições do sector social que têm um importantíssimo papel no domínio da saúde, sobretudo na sua relação com a Segurança Social e que demonstram um grande dinamismo de inovação e modernidade.

JM | Na sua opinião, como é que a área da saúde se pode preparar adequadamente para os desafios futuros, tendo em conta os projetos vencedores?

MBR | Tecnologias de informação que sustentem modelos de prestação integrados e adaptados aos ciclos de vida das pessoas, muita prevenção que permita diminuir o peso da doença e liberte recursos para a introdução da verdadeira inovação e humanização expressa na simplificação de circuitos e procedimentos que permitam o aprofundamento da relação entre quem presta cuidados e quem os recebe. E, evidentemente, muita investigação sem a qual a Saúde “não pula e avança”.

JM | Inovação em saúde. A pandemia criou uma ligação entre a tecnologia e a Medicina. Quais os prós e contras?

MBR | Prós e contras poderá haver sempre em qualquer atividade ou decisão humana, sobretudo onde a incerteza ainda tem um grande peso. O ideal estará em minimizar os aspetos positivos e diminuir ou anular os negativos e, nessa escolha ou nesse comportamento, teremos sempre os princípios éticos para nos guiarem.

JM | Dinheiro e recursos humanos qualificados são, habitualmente, duas ponderáveis difíceis de equilibrar quando se fala de saúde e sustentabilidade. Qual o caminho para se chegar ao equilíbrio?

MBR | Pensamento estratégico construído de forma participada, ponderação das escolhas, avaliação permanente dos resultados e capacidade de fazer a agulha em função dessa avaliação. Sobretudo a noção de que a permanente alteração das políticas de saúde em função de ciclos eleitorais curtos e não fundamentadas em dados objetivos serão sempre indutoras de insustentabilidade. Por isso é que será sempre fundamental encontrar o máximo denominador comum no apoio da sociedade às políticas definidas.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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