Sustentabilidade ambiental e biodiversidade têm ganho “mais expressão” na Dermatologia e Dermocosmética
DATA
19/11/2021 10:13:07
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Jornal Médico
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Sustentabilidade ambiental e biodiversidade têm ganho “mais expressão” na Dermatologia e Dermocosmética

“Penso que cada vez mais doentes e consumidores se preocupam com estas questões”. Palavras da dermatologista Virgínia Sousa que, em entrevista ao Jornal Médico, falou sobre as questões de sustentabilidade ambiental e biodiversidade no âmbito da dermatologia e dermocosmética. Deixou ainda a nota de que existe “muito trabalho de evolução pela frente”.

Jornal Médico (JM) | A sensibilidade e preocupação com questões de sustentabilidade ambiental e biodiversidade tem estado cada vez mais na ordem do dia. Quão recentes são estas preocupações no âmbito da dermatologia e dermocosmética? Considera que estas questões têm ganho cada vez mais expressão?

Virgínia Sousa (VS) | Estas questões têm ganho mais expressão e devem ganhar mais expressão, pois não podemos ignorar a evolução negativa das condições ambientais em consequência da atividade humana.

JM | Qual a importância da rastreabilidade dos produtos dermocosméticos sustentáveis/ecológicos e dos certificados de qualidade “bio” para o profissional de saúde e para o doente?

VS | Penso que cada vez mais doentes e consumidores se preocupam com estas questões. O mercado terá uma evolução adaptada a esta realidade, o que é já bem visível nas redes sociais, onde o marketing é hoje mais trabalhado, mas também na publicidade convencional. As pessoas estão mais preocupadas com o impacto que o consumo tem no planeta. As marcas têm também uma responsabilidade em desencadear e acompanhar essa evolução. Os profissionais de saúde têm eles próprios que se debruçar sobre estas questões, que nos afetam a todos enquanto seres humanos que dependemos deste planeta. Mas também terão de estar mais atentos de futuro ao que os doentes procuram neste domínio.

JM | Qual o perfil típico do doente que mais procura ou pode beneficiar destes produtos?

VS | Há alguns anos, o perfil seria o de um doente mais jovem. Hoje em dia cada vez mais pessoas têm esta consciência. Todos nós ouvimos falar do clima e do aquecimento global, numa base quase diária. Assim, penso que grande parte dos consumidores poderá optar por produtos mais ecológicos se tiver essa escolha. Vejamos o exemplo das grandes superfícies comerciais. Há alguns anos não havia qualquer preocupação com os plásticos. Hoje em dia já estão cada vez mais disponíveis produtos a granel, com embalagem de papel, sacos reutilizáveis para fruta, entre outras. A disponibilidade e variedade dos produtos biológicos é cada vez maior. Temos ainda muito trabalho de evolução pela frente. Mas é um começo.

JM | Existem desafios adicionais, ao nível da segurança, associados aos produtos de dermocosmética vegetal ecológica/sustentável?

VS | Existem questões ambientais próprias ao nível da produção das matérias-primas. Estas devem ser controladas na sua origem, por exemplo, garantir que não contribuem para a desflorestação na obtenção dos locais de cultivo das plantas aplicadas. Recentemente surgiram notícias da União Europeia sobre esta questão, relativa a regulação da origem de produtos importados. Ao nível da segurança existe muita regulação neste sentido e acredito que as marcas procuram criar produtos seguros para os consumidores.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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