Rui Cernadas: CSP e Cirurgia Vascular conectados no Porto Vascular Conference 2022
DATA
14/10/2022 11:57:18
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS

Rui Cernadas: CSP e Cirurgia Vascular conectados no Porto Vascular Conference 2022

Satisfeito com a qualidade das participações do painel e audiência, Rui Cernadas, chairman para a área de MGF no Porto Vascular Conference 2022, comenta aqui a sessão “Os Cuidados Primários e a Cirurgia Vascular – desafios e problemas”, composta por seis temas, dois dos quais palestrados pelo especialista.

Inaugurando a sessão com o tema “O tempo passa, os artigos científicos ficam”, aqui foi feita uma revisão da literatura da MGF em Portugal relativamente a temas relacionados com a cirurgia vascular,  perante “o que é publicado na revista da associação vascular, e tem muitas vezes origem nos serviços cirurgicovasculares, face à transversalidade das patologias vasculares”, Rui Cernadas confessa que se “esperava uma produção proveniente de MGF fosse mais evidente e com um peso proporcional”. Esta revisão foi, assim, útil para se identificar esta lacuna.

Coube também a Rui Cernadas encerrar a sessão com “Doença Arterial Periférica”, cuja taxa de prevalência conhecida internacionalmente fazia prever que “em Portugal, se verificassem muitos mais casos, tendo em conta que esta patologia aumenta em escalões etários mais elevados - e uma fatia considerável da nossa população ser velha - isso não se verificou”. Tal facto leva a duas interpretações: “A primeira é que estamos perante uma patologia que é subdiagnosticada e a segunda é que podem haver situações camufladas, devido ao afastamento dos doentes dos CSP nestes anos de pandemia”.

A doença arterial resulta, muitas vezes, de um diagnóstico de exclusão, porém, “devia ser o primeiro a considerar”. Na maioria das situações, são tidas em conta “causas neurocirúrgicas, causas ortopédicas, em causas desportivas, no sentido da Medicina Desportiva, da Reumatologia, no entanto, na opinião do especialista, são poucos os que têm em mente a Cirurgia Vascular, pois o tecido vascular é tão natural que deveria ser o primeiro a ser equacionado em termos de investigação”.

A interação com a enfermagem foi, também, uma das ideias centrais da sessão, tendo em conta que “os CSP não são apenas compostos por médicos de família. Incluem também no seu conjunto a Enfermagem Domiciliária, especialidade que trabalha com os seus doentes ao lado do médico de família, e cujo envolvimento parece-me, no contexto da Porto Vascular Conference, muito importante e envolvente”.

Presença assídua neste evento científico, Rui Cernadas salienta que a conferência acaba por ser uma oportunidade de expor e partilhar algumas das inquietações da sua prática clínica, até porque acontece “num período de vida da MGF delicado”, devido, entre outros fatores, a uma “reforma dos CSP parada no tempo, com a COVID-19 a acabar com o que sobrava dela: contratualizações a perderem o seu timing, e as pessoas envoltas em burocracia que, do ponto de vista assistencial, nada trazem de benéfico para os doentes”.

Perspetivando a próxima edição, Rui Cernadas manifestou contentamento pelo evento bem participado, com gente jovem, e a vontade em procurar “ativamente colocar desafios e construir o programa no sentido inverso daquilo que tem sido o habitual, até para conseguir uma maior coerência nas apresentações com uma viagem pela MGF e das fronteiras com a cirurgia vascular de forma mais organizada”.

A sessão “Os Cuidados Primários e a cirurgia vascular – desafios e problemas”, que integrou o primeiro dia do Porto Vascular Conference 2022, decorreu de 7 a 8 de outubro no Centro de Investigação Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (CIM-FMUP).

You've got mail! - quando um aumento da acessibilidade não significa melhoria da acessibilidade
Editorial | António Luz Pereira, Direção da APMGF
You've got mail! - quando um aumento da acessibilidade não significa melhoria da acessibilidade

No ano de 2021, foram realizadas 36 milhões de consultas médicas nos cuidados de saúde primários, mais 10,7% do que em 2020 e mais 14,2% do que em 2019. Ou seja, aproximadamente, a cada segundo foi realizada uma consulta médica.

Mais lidas