quinta-feira, 29 dezembro 2016 11:21

Vamos falar sobre asma?

A asma, conhecida desde a Antiguidade, é ainda pouco valorizada, frequentemente não diagnosticada e muito mal tratada. Com gravidade variável afeta a vida de muitos portugueses.

asma

Metade das crianças asmáticas em Portugal tem a sua asma por controlar e todos os anos são gastos 40 milhões de euros com urgências ou atendimentos devido a crises de asmas na infância, indica um estudo.

Os resultados parciais do estudo Custo da Asma na Criança (CASCA), mostram que, em média, cada criança com asma vai 1,6 a 1,9 vezes por ano a serviços de urgência.

O estudo avaliou o custo da asma nas crianças portuguesas (0-17 anos) e estima os custos incrementais associados à asma controlada e à asma não controlada. O CASCA foi orientado pelo Professor João Fonseca do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) e contou com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.

Na véspera do Dia Mundial da Asma, que se assinala na terça-feira, o estudo refere que são gastos por criança entre 400 a 700 euros por ano em idas às urgências ou atendimentos não programados por causa da asma por controlar.

“Verificou-se que o principal fator agravante de custos é ter a asma não controlada. O custo médio por criança com asma não controlada é duas a três vezes superior ao de uma criança com asma controlada”.

O estudo abrangeu a análise de crianças asmáticas portuguesas até aos 17 anos. Em Portugal existem cerca de 175 mil crianças ou adolescentes asmáticos, uma prevalência de 8,4%.

A investigação avaliou ainda o impacto que a asma tem no quotidiano das crianças e verificou que, em cada ano, as crianças asmáticas portuguesas faltam mais de 500 mil dias à escola devido à doença. Em média, uma criança asmática falta seis dias num ano letivo.

Concluiu-se ainda que o absentismo das crianças, e respetivo absentismo laboral dos cuidadores, é três vezes maior em quem não tem a asma controlada.

A asma é uma doença crónica, não tem por isso cura, mas pode ser controlada, através de medicação. A asma diz-se controlada perante a ausência de sintomas, sem necessidade de medicação de alívio (ou medicação mínima) e sem crises ou exacerbações.

Published in Mundo
quinta-feira, 22 janeiro 2015 00:42

Asthma and COPD

calendário

DATA: 13 a 14 de Abril

LOCAL: Londres

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Published in Agenda (expirada)

[caption id="attachment_6262" align="alignleft" width="300"]asma O relatório de 2013 do ONDR refere dados da autoridade que regula o sector do medicamento (Infarmed) que “não parecem demonstrar retracção ao consumo de medicamentos broncodilatadores e antiasmáticos no ambulatório em 2012”[/caption]

O Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONSA) considera que o número de embalagens de medicamentos vendidas para a asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) em 2012 é “francamente baixo” para o número estimado de doentes.

O relatório de 2013 do ONDR refere dados da autoridade que regula o sector do medicamento (Infarmed) que “não parecem demonstrar retracção ao consumo de medicamentos broncodilatadores e antiasmáticos no ambulatório em 2012”.

“Todavia”, lê-se no documento que será hoje apresentado, o número total de embalagens vendidas foi de 1.188.375 em 2012, número que parece francamente baixo, para o número estimado de doentes com Asma e DPOC”.

Estão registados 1.794,27 doentes com asma por 100 mil habitantes e estima-se a existência de 800 mil portugueses com DPOC.

Os autores consideram que estes valores sugerem “subutilização desses medicamentos”.

“Para esta realidade poderão haver várias explicações, devendo ser avaliada a possibilidade de a situação financeira dos doentes ser um factor dissuasor do uso de medicamentos que, sendo essenciais ao controle da doença, são dispendiosos”, indica o documento.

Published in Medicamento

[caption id="attachment_6249" align="alignleft" width="300"]dpoc Em matéria de mortalidade, “assistiu-se a uma subida abrupta, praticamente em todos os grupos nosológicos das doenças respiratórias, tanto nas doenças não transmissíveis como a asma e a DPOC, como nas doenças infecciosas, nomeadamente nas pneumonias”. São dados de “preocupantes”, dizem os relatores do relatório.[/caption]

As doenças do foro respiratório foram responsáveis pela morte de 50 portugueses por dia, em 2012, um aumento de 17 por cento em relação ao ano anterior, segundo o relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR).

Este documento de 2013, elaborado pela Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP), indica que, em 2012, morreram por doenças respiratórias 13.908 portugueses.

A este número acrescem 4.012 óbitos por cancros da traqueia, brônquios e pulmão.

Os autores referem que estes números representam um aumento de 16,58% em relação a 2011 e de 24,07% em relação a 2005.

“Estes valores são muito superiores aos óbitos por todas as outras causas que, praticamente, não variam desde 2005”.

Em relação às pneumonias e os cancros do aparelho respiratório, estes representam 60,29% dos óbitos por doenças do foro respiratório (10.805 em 17.920).

No documento lê-se que houve um aumento da mortalidade em todas as patologias, à excepção da tuberculose, e uma relativa estabilização em relação aos cancros.

Os autores do documento ressalvam que, se se comprovar esta tendência, é necessário “procurar as razões”.

“Além do frio e das infecções virais, teremos de estar alertados para o facto de, em épocas de crise e de significativa diminuição do poder de compra, haver uma tendência, geralmente reconhecida, para o aumento das doenças respiratórias”, lê-se no relatório.

Os autores classificam estes dados de “preocupantes”, sublinhando que, em matéria de mortalidade, “assistiu-se a uma subida abrupta, praticamente em todos os grupos nosológicos das doenças respiratórias, tanto nas doenças não transmissíveis como a asma e a DPOC, como nas doenças infecciosas, nomeadamente nas pneumonias”.

Em matéria de internamentos por doenças respiratórias - asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), pneumonias, fibroses, neoplasias, bronquiectasias, patologia pleural, tuberculose e gripe - em 2012 foram internados 70.546 doentes (64.122 em 2011).

Em 2012, as três principais causas de internamento por doenças respiratórias foram as pneumonias (43.275 casos, 61,4%), a DPOC (8,967 casos, 12,7%) e as neoplasias (6.322 casos, 9%).

Por insuficiência respiratória foram internadas 51.322 pessoas em 2012 (45.395 em 2011).

Os autores consideram que “a gravidade destas doenças pode traduzir-se pela sua mortalidade intra-hospitalar, a qual é, em geral, superior à doutras doenças”.

A mortalidade intra-hospitalar foi de 0,8% na asma, 8,0% na DPOC, 16,7% na insuficiência respiratória, 21,7% nas pneumonias e 28,9% nas neoplasias, aumentando significativamente nos doentes ventilados: 5,3% na asma, 12,0% na DPOC, 31,4% na insuficiência respiratória, 35,7% nas pneumonias e 51,3% nas neoplasias.

No relatório lê-se que “todos os indicadores disponíveis sugerem que muitos dos doentes respiratórios continuam a estar sub-diagnosticados e sub-tratados”.

“Em tempos de crise certamente que esta realidade tenderá a agravar-se”, alertam os autores.

Artur Teles de Araújo, relator do documento e da direcção da FPP, destacou à agência Lusa o aumento das mortes e internamentos causados por doenças respiratórias e defendeu a articulação entre serviços para dar uma melhor resposta, principalmente num cenário de crise, como o actual.

Para justificar o lema deste relatório – “Prevenir a Doença, Acompanhar e Reabilitar o Doente” - a FPP considera que há "grandes lacunas: educação para a saúde insuficiente, escassa literacia em saúde, insuficiência de apoios no combate ao tabagismo, incompleta implementação da Rede de Espirometria, escassa sensibilização para as vantagens do exercício físico e erros na área da nutrição”.

No acompanhamento do doente, a Fundação identifica também falhas: “Falta de estratégias para promoção do diagnóstico precoce, insuficiências na acessibilidade e equidade nos cuidados de saúde, dificuldades no acesso aos medicamentos (roturas de stocks, elevado valor monetário desembolsado pelos doentes)”.

“Particularmente vulneráveis estão os doentes respiratórios crónicos para os quais não existe uma verdadeira rede de cuidados respiratórios domiciliários e aos quais não estão garantidos alguns direitos fundamentais”, prossegue o documento.

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COVID e não-COVID: Investimentos para resolver novos e velhos problemas
Editorial | Rui Nogueira, Médico de Família e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
COVID e não-COVID: Investimentos para resolver novos e velhos problemas

Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. O estado de emergência terminou e o estado de calamidade passou, mas o problema de saúde mantem-se ativo. É urgente encontrar uma visão inovadora e adotar uma nova estratégia. As unidades de saúde precisam de encontrar respostas adequadas e seguras.