Convencionados de Bragança contra concentração total de análises clínicas no público
DATA
10/12/2013 15:57:37
AUTOR
Jornal Médico
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Convencionados de Bragança contra concentração total de análises clínicas no público

[caption id="attachment_5166" align="alignleft" width="300"]analisesclinicas “A efectivar-se esta medida, é o fim da linha para os laboratórios de análises clínicas do distrito”, lê-se no documento que partiu de um dos laboratório convencidos de Bragança (BragançaLab), e no qual os trabalhadores pedem que seja reavaliada[/caption]

Trabalhadores do sector privado dirigiram uma carta aberta à administração da Unidade Local de Saúde do Nordeste (ULSNE) a alertarem que a internalização das análises clínicas em toda região ditará o fim dos laboratórios convencionados.

Em Março de 2012, a administração da ULSNE decidiu retirar aos laboratórios convencionados este serviço e encaminhar todos os doentes para os hospitais públicos nas três maiores cidades da região (Bragança, Mirandela e Macedo de Cavaleiros), medida que pretende agora alargar aos restantes concelhos do Nordeste Transmontano.

“A efectivar-se esta medida, é o fim da linha para os laboratórios de análises clínicas do distrito”, lê-se no documento que partiu de um dos laboratório convencidos de Bragança (BragançaLab), e no qual os trabalhadores pedem que seja reavaliada.

A ULSNE pagava anualmente dois milhões de euros aos privados para a realização deste tipo de exames e a internalização apenas nas três maiores cidades correspondeu a uma poupança de metade daquele valor, segundo dados da administração.

A medida originou manifestações dos trabalhadores dos prestadores convencionados que, poucos meses apôs a entrada em vigor, denunciavam a falência de um dos três laboratórios privados de Bragança, o despedimento de 30 funcionários, num universo de cerca de uma centena, e uma quebra na facturação “de 50 a 60%”.

Na carta aberta agora divulgada, alegam que o alargamento da medida aos restantes concelhos irá originar a destruição “de largas dezenas de postos de trabalho qualificado e [que] será posto em causa um serviço essencial para a população”.

Os signatários falam em “perseguição aos laboratórios convencionados” por não verem, “por exemplo, qualquer serviço de radiologia internalizado”.

A administração da ULSNE respondeu, também por escrito, numa nota enviada à Lusa, em que esclarece que os serviços públicos estão dotados de “três laboratórios especializados – em Bragança, Macedo de Cavaleiros e Mirandela - equipados com elevada diferenciação humana e tecnológica, necessária aos padrões de excelência para a realização de análises clínicas”.

Salienta que “a internalização das análises clínicas veio possibilitar a disponibilização imediata, via informática, dos resultados no processo clínico do doente, sem necessidade de nova deslocação para levantamento dos mesmos, nem apresentação em papel nas consultas”.

A ULSNE esclarece ainda que “o alargamento da internalização de análises clínicas a todo o distrito de Bragança constitui uma possibilidade em análise, no entanto, tal só acontecerá no momento em que estiverem reunidas todas as condições (nomeadamente ao nível do estabelecimento de um circuito adequado de colheitas), que ofereçam aos utentes a garantia máxima de qualidade, segurança e conforto”.

Refere também que este pressuposto é o “motivo pelo qual a internalização não se verificou, ainda, ao nível de meios complementares de diagnóstico de outras especialidades”.

JM/Lusa

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Editorial | Jornal Médico
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