Medir a glicose sem picadas nos dedos? Sim, é possível
DATA
09/09/2016 12:41:54
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Jornal Médico
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Medir a glicose sem picadas nos dedos? Sim, é possível

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Chegou ontem a Portugal o primeiro medidor de glicose que evita as picadas nos dedos, passos rotineiros na vida de um milhão de pessoas que vive com a diabetes em Portugal. Estima-se que dois milhões de portugueses tenham um risco elevado de vir a desenvolver esta patologia.

O novo dispositivo é constituído por um sensor redondo que mede 35 por 5 milímetros que é instalado na parte posterior do braço e que tem uma duração de 14 dias, medindo em permanência os níveis de glicose intersticial.

Nas palavras do presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, José Luís Medina, considera que este medidor é “a última revolução” no controlo da diabetes, contribuindo para “melhorar significativamente a vida dos doentes”.

Possibilitando fazer várias leituras por dia além de dar ao doente o valor do momento, permite ainda perceber o que se passou nos níveis de glicose nas últimas oito horas e também mostra a tendência de evolução para o futuro.

Este novo medidor de glicose está indicado para todos os diabéticos, inclusivamente para crianças a partir dos 4 anos, mas são os doentes com diabetes tipo 1 e com diabetes tipo 2 menos controlada e que fazem insulina quem mais pode beneficiar, reconheceu José Luís Medina em declarações à Agência Lusa.

Em termos de custos, o kit inicial do aparelho Freestyle Libre tem um custo de 169,90 euros e traz um leitor e dois sensores, pensado para uma utilização de um mês, uma vez que os sensores têm duração de até 14 dias. Cada sensor custa depois 59,90 euros.

Assim, em média, o custo mensal para utilizar este novo medidor ronda os 120 euros, como reconheceu Paulo Sousa, responsável do laboratório que comercializa o dispositivo.

Mas Paulo Sousa defende que a diferença de preço para a normal tecnologia de tiras que obriga a picadas nos dedos não é muito significativa, se não for contabilizada a comparticipação estatal.

Um doente do tipo 1 controla os seus níveis uma média de seis vezes ao dia, consumindo assim uma média de 3,6 caixas de tiras por mês. Cada embalagem de tiras custa menos de 20 euros, o que perfaz um custo mensal de cerca de 80 euros.

Contudo, o utente não paga além de sete euros por mês porque o Estado comparticipa em 85% estes produtos para os diabéticos, além de comparticipar a 100% os tradicionais leitores das tiras que medem a glicémia.

O laboratório que comercializa o Freestyle Libre espera que esta tecnologia venha também a ser comparticipada pelo Estado e adianta que já foram feitas diligências junto das autoridades.

O responsável da Sociedade Portuguesa de Diabetologia defende igualmente que o Estado comparticipe esta tecnologia, adiantando que os doentes estão ansiosos por experimentar.

“Implica maior liberdade e melhor qualidade de vida”, argumenta o médico endocrinologista. E refere que estudos têm demonstrado que este novo método traz uma redução das baixas de glicose e consegue aumentar a adesão à monitorização ou controlo dos níveis, sobretudo para os doentes que têm de picar muitas vezes os dedos.

É o caso de João Nabais, professor universitário que tem diabetes tipo 1 há 35 anos e realiza, em média, oito picadas diárias para medir a glicose. Está agora a experimentar o novo medidor que é hoje lançado em Portugal e identifica para já a facilidade na sua aplicação e na leitura dos resultados.

Em declarações à Agência Lusa, este diabético relata ainda que o medidor é discreto, não se notando a sua utilização, e sublinha como principal vantagem ser um sistema de monitorização contínua que permite ver os perfis de glicémia, percebendo se há tendência ou não de subida.

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Editorial | Jornal Médico
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