Investigadores demonstraram o papel do cérebro na obesidade, ao verificarem em ratos que as mutações num gene do hipotálamo, o IRX3, podem originar animais 30 por cento mais magros e resistentes a dietas ricas em gorduras.
As conclusões do estudo são publicadas hoje, na revista Nature.
Até agora, sabia-se que as mutações com maior grau de associação com a obesidade residiam no gene FTO. Contudo, investigadores em Espanha, nos Estados Unidos e no Canadá descobriram que tais mutações afectam elementos reguladores, que, apesar de estarem localizados no gene FTO, controlam o gene IRX3.
Marcelo Nóbrega, geneticista brasileiro da Universidade de Chicago que coordenou o estudo, sustenta que, numa experiência com ratos de laboratório, os roedores com mutações no IRX3 revelaram-se 30 por cento mais magros – devido à perda de tecido adiposo branco, ao aumento de tecido adiposo castanho e à actividade metabólica – e mais resistentes às dietas ricas em gorduras.
Tal aconteceu, não obstante os ratos terem comido e exercitado o mesmo que os roedores com o gene "intacto".
"Os nossos dados sugerem, fortemente, que o IRX3 controla a massa de gordura", ao regular o metabolismo, assinalou o geneticista, citado pela agência AFP.
As mutações causam uma produção excessiva da proteína com o mesmo nome no cérebro, afectando possivelmente, segundo os cientistas, o hipotálamo, onde são regulados o apetite e o metabolismo.
A próxima meta da equipa de investigadores será identificar quais as funções das células que foram alteradas pelo IRX3, e de que forma, para que possam ser desenvolvidos medicamentos que bloqueiem os efeitos causadores da obesidade.
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