Presidente do IPO/Porto quer "rede colaborativa de oncologia" na região Norte
DATA
16/04/2014 15:45:41
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Jornal Médico
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Presidente do IPO/Porto quer "rede colaborativa de oncologia" na região Norte

Pontes, Laranja

O presidente do IPO/Porto disse hoje à Lusa que o “grande desafio” do instituto é contribuir para que no Norte seja construída uma rede colaborativa de oncologia que “assegure a equidade no acesso aos tratamentos a todos os cidadãos”.

“É o nosso compromisso para os próximos anos. Em conjunto com a Administração Regional de Saúde do Norte, com os outros hospitais e com os cuidados primários, tentar melhorar ainda mais a gestão clínica e operacional dos doentes com cancro”, sublinhou Laranja Pontes.

Em declarações à Lusa a propósito dos 40 anos do IPO/Porto que se assinalam na quinta-feira, o responsável congratulou-se com o facto de “60%” dos doentes que entram no instituto estarem vivos ao fim de cinco anos e de existirem patologias com uma taxa de sobrevivência “superior a 90%”. “Há patologias muito importantes como é o caso do cancro da mama que tem uma taxa de sobrevivência acima dos 80%”, sublinhou.

Laranja Pontes disse que “apesar de a incidência de cancro estar a aumentar, aumenta também a sobrevivência, porque as pessoas têm cada vez mais acesso à informação e ficam mais alerta para os sinais da doença”. “Cada vez mais conseguimos controlá-la, porque só nas fases iniciais se consegue controlar o cancro. Um cancro numa fase avançada é incontrolável, mas quando é detectado cedo é possível tratá-lo e curá-lo”, afirmou.

O responsável frisou que “o que é surpreendente é que o Serviço Nacional de Saúde se transformou numa instituição eficaz. Hoje as taxas de sobrevivência em termos populacionais e territoriais são equivalentes às da Suécia ou às da Noruega, que são países que investem muito mais dinheiro, mas que obtém os mesmos resultados”. O presidente do IPO/Porto destacou os avanços registados nas últimas décadas na luta contra a doença referindo os métodos de tratamento, de reabilitação e cirúrgicos, que, neste caso, passaram a ser “menos mutilantes”.

Em seu entender, a cura ainda não foi encontrada porque “o cancro não é uma doença causada por um agente externo, por uma infecção que é possível combater com um antibiótico, matando o agente. O cancro é individual, é uma doença de cada um de nós”.

“Os tempos que se vivem nas áreas da biologia e genética trazem ao tema ‘cancro’ novos conhecimentos e novas esperanças. São estas realidades que o IPO-Porto vive com profundo empenho e entusiasmo, respondendo aos novos desafios por forma a dar continuidade à promoção da qualidade em todos os níveis”, afirmou Laranja Pontes. A este propósito, nas comemorações do seu 40.º aniversário o IPO-Porto adoptará, a partir de quinta-feira, a designação de Instituto Português de Oncologia e Esperança do Porto.

As comemorações incluem uma homenagem aos colaboradores do instituto e a entrega das bolsas de investigação em oncologia para 2014. O IPO-Porto irá atribuir 300 mil euros a seis projectos ligados às áreas da mama, próstata, colorrectal e células dendríticas. As actividades de comemoração integram ainda um concerto solidário, no Pavilhão Rosa Mota, cujas verbas revertem para a remodelação das instalações hospitalares.

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