OMS decreta emergência de saúde mundial devido ao crescimento de poliomielite
DATA
05/05/2014 18:40:32
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Jornal Médico
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OMS decreta emergência de saúde mundial devido ao crescimento de poliomielite

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou hoje uma emergência sanitária mundial devido ao aumento dos contágios de poliomielite nos últimos seis meses, depois de detectar casos em mais de uma dezena de países.

A decisão foi tomada após várias reuniões no seio do Comité de Emergência da OMS, formado por especialistas na matéria, que recomendaram a declaração do estado de emergência porque estes contágios podem representar uma ameaça para o resto do mundo, afirmou Bruce Aylward, director-geral adjunto da OMS.

Em comunicado, a Organização Mundial da Saúde especifica que a propagação internacional da poliomielite até agora “constitui um ‘evento extraordinário’ e um risco público de saúde para outros Estados, para o qual é essencial uma resposta internacional coordenada”.

“A situação actual é um forte contraste em relação ao estado de quase-cessação da propagação do poliovírus selvagem desde Janeiro de 2012 até à época de baixa transmissão (de Janeiro a Abril) de 2013. Se nada for feito, esta situação pode resultar na impossibilidade de erradicar globalmente uma das doenças mais graves e evitáveis por vacina”, refere o comunicado do Comité, que revela ter considerado estarem reunidas as condições para decretar uma emergência de saúde pública.

No final de 2013, 60 por cento dos casos de pólio tinham origem na propagação internacional do poliovírus selvagem, e existiam provas de que os viajantes adultos contribuem para esta propagação, segundo a OMS.

Já este ano, mesmo durante a época de baixa transmissão, houve contaminação internacional de três dos dez países onde existem actualmente infecções: na Ásia central (do Paquistão ao Afeganistão), no Médio Oriente (da Síria ao Iraque) e na África central (dos Camarões à Guiné Equatorial).

“Uma resposta internacional coordenada é considerada essencial para travar esta propagação e para prevenir nova contaminação, tendo em vista o período de elevada transmissão, em Maio e Junho. Medidas unilaterais podem ser menos eficazes”, sustenta o Comité de Emergência da OMS.

As consequências de mais casos de propagação internacional são particularmente graves actualmente, tendo em conta o elevado número de países livres de pólio, mas alvos de conflitos e frágeis, onde os serviços de imunização foram “severamente comprometidos” e, por isso, “correm o risco de uma reinfecção”, refere.

Segundo a OMS, a prioridade máxima dos países infectados deve ser a de interromper a transmissão desta doença no interior das fronteiras “o mais rapidamente possível” através da “imediata e total aplicação das estratégias de erradicação, entre as quais campanhas de imunização suplementar com vacina oral, vigilância do poliovírus e imunização de rotina”.

Os países que a organização considera representarem o maior risco para a transmissão internacional são o Paquistão, Camarões e Síria, aos quais a OMS recomenda que declarem o estado de emergência de saúde pública e garantam que a população e visitantes de mais de quatro semanas recebem vacinação antes de viagens internacionais, devendo também os visitantes, pelo menos, ser vacinados aquando da partida.

Quanto aos países infectados, mas que não estão actualmente a exportar a doença – Afeganistão, Guiné Equatorial, Etiópia, Iraque, Israel, Somália e Nigéria – a OMS recomenda que declarem também o estado de emergência e recomendem a vacinação.

Os especialistas do Comité deverão voltar a avaliar a situação dentro de três meses.

A poliomielite, também chamada de pólio ou paralisia infantil, é uma doença infecciosa viral aguda transmitida de pessoa a pessoa, principalmente pela via fecal-oral. Atinge em particular crianças com menos de cinco anos.

As certezas enganadoras sobre os Outros
Editorial | Mário Santos, membro da Direção Nacional da APMGF
As certezas enganadoras sobre os Outros

No processo de reflexão da minha prática clínica, levo em conta para além do meu índice de desempenho geral (IDG) e da satisfação dos meus pacientes, a opinião dos Outros. Não deixo, por isso, de ler as entrevistas cujos destaques despertam em mim o interesse sobre o que pensam e o que esperam das minhas funções, como médico de família. Selecionei alguns títulos divulgados pelo Jornal Médico, que mereceram a minha atenção no último ano: