Mortalidade por doença cardiovascular sobe 500% nos doentes com VIH
DATA
25/06/2014 13:48:26
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Jornal Médico
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Mortalidade por doença cardiovascular sobe 500% nos doentes com VIH

Ataque cardíaco

Um estudo liderado por Paula Freitas, investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), revela que a mortalidade por doença cardiovascular aumentou 500% nos doentes portugueses com VIH/sida nos últimos 24 anos.

A mesma investigação, a que a Lusa teve acesso, revela também que a prevalência de mortalidade por doença cerebral também duplicou neste grupo de pacientes.

O trabalho em causa – galardoado com o 3.º lugar do Prémio Janssen Virologia ’14 – avaliou a prevalência das hospitalizações por doença cerebral e doença cardiovascular e respectiva mortalidade em pacientes com VIH /sida, desde 1989.

Os dados foram comparados com os registados em pacientes não-infectados. Paralelamente, a equipa de investigação tentou perceber o impacto da introdução do cART (terapêutica anti-retrovírica combinada), em 1987, nas hospitalizações por patologia cerebral e cardiovascular deste grupo de pacientes.

Segundo a coordenadora do estudo, “a mortalidade associada ao VIH diminuiu drasticamente nos últimos anos. Contudo, estes doentes têm uma prevalência aumentada de alterações metabólicas, nomeadamente, insulinorresistência, diabetes, dislipidemia e também hipertensão arterial, que aumentam o risco de doença cardiovascular”.

Por outro, esclarece a investigadora, “a existência do próprio vírus e o inerente estado de inflamação podem potenciar o risco de doença cerebral e cardiovascular. E factores como o envelhecimento e o facto de a infecção pelo VIH (Vírus da Imunodeficiência Humana) se tornar uma doença crónica, faz com que estes doentes fiquem sujeitos às influências do ambiente mais tempo: sedentarismo, má prática alimentar, tabagismo e envelhecimento, que também estão associados a estas patologias”.

Os autores deste trabalho consideram que o conhecimento destes novos dados pode servir para promover uma intervenção mais precoce, de modo a reduzir o risco de desenvolvimento de doença cerebral e cardiovascular nos doentes infectados pelo VIH/sida.

A endocrinologista Paula Freitas salienta que houve uma mudança de paradigma: “há alguns anos, o objectivo era manter o doente vivo, e, hoje, o objectivo é reduzir o risco de complicações associadas. Assim, o tratamento da dislipidemia, da hipertensão, da diabetes, a promoção da cessação tabágica e de estilos de vida saudáveis provavelmente poderão acrescentar anos de vida com qualidade a estes doentes”.

Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
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