Mobilidade dos médicos só é imposta até 60 km da residência
DATA
17/10/2014 15:00:12
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Jornal Médico
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Mobilidade dos médicos só é imposta até 60 km da residência

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A mobilidade só pode ser imposta aos médicos quando o novo local de trabalho se situe a uma distância até 60 quilómetros da residência, segundo um esclarecimento da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS).

O Orçamento do Estado (OE) para 2015 prevê que os profissionais de saúde estejam sujeitos à mobilidade perante carência de recursos humanos: "em situações de manifesta carência, susceptíveis de poderem comprometer a regular prestação de cuidados de saúde, podem as administrações regionais de saúde (ARS) utilizar a mobilidade prevista (...) de um trabalhador de e para órgão ou serviço distintos, desde que, ambos, situados na respectiva jurisdição territorial”.

Hoje, o Sindicato Independente dos Médicos divulga no seu site um esclarecimento da ACSS, depois de os sindicalistas terem questionado, em comunicado, a forma “discricionária” como esta mobilidade iria ser aplicada.

Segundo a ACSS, “o acordo do trabalhador apenas é dispensado quando o local de trabalho se situe até 60 quilómetros, inclusive, do local de residência”. “Nas demais situações, ainda que estejam em causa dois serviços ou estabelecimentos de saúde pertencentes à área geográfica de influência da mesma ARS é necessário obter previamente o acordo do trabalhador”, continua o esclarecimento assinado pelo presidente da ACSS.

Salienta ainda que a alteração proposta pelo OE “não altera o regime de mobilidade, no que respeita, quer aos requisitos, quer ao acordo do trabalhador”, mas apenas quanto à entidade competente para autorizar alguns dos processos.

O OE para 2015 prevê ainda que os médicos que vão trabalhar para zonas onde o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem dificuldade em chegar possam receber um incentivo, de suplemento remuneratório ou de carácter não pecuniário.

Numa primeira análise ao Orçamento, o Sindicato Independente dos Médicos acusou o Governo de ceder ao populismo e à demagogia, ao criar uma medida que faz com que os profissionais de saúde fiquem sujeitos à mobilidade no local de trabalho.

“Cria uma medida, mais uma vez direccionada só a médicos, que permite de forma discricionária às ARS alterarem o local de trabalho dos médicos para centenas de quilómetros, cedendo à demagogia e ao populismo, considerando serem os médicos os responsáveis pela cobertura desigual do país em vez de procurar soluções efectivas”, comentava o sindicato num comunicado antes do esclarecimento da ACSS.

Numa análise global à proposta do Orçamento do Estado (OE) para 2015, o SIM considera que o Orçamento do Estado persiste no “péssimo hábito de colocar medidas avulsas contrariando as leis do Serviço Nacional de Saúde e convenções colectivas, configurando clara inconstitucionalidade”.

O SIM lamenta a manutenção do corte nos vencimentos e no pagamento de trabalho extraordinário, tal como a “pesadíssima” carga fiscal do documento, num momento “em que seria de sair do colete-de-forças”.

Apesar destas críticas, reconhece como positiva a possibilidade de atribuição de incentivos compensatórios no exercício de funções em zonas mais carenciadas, bem como a anunciada contratação de cerca de 1.500 especialistas e a entrada de 1.500 médicos para o internato.

A mudança necessária
Editorial | Jornal Médico
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Os últimos meses foram vividos por todos nós num contexto absolutamente anormal e inusitado.

Atravessamos tempos difíceis, onde a nossa resistência é colocada à prova em cada dia, realidade que é ainda mais vincada no caso dos médicos e restantes profissionais de saúde. Neste âmbito, os médicos de família merecem certamente uma palavra de especial apreço e reconhecimento, dado o papel absolutamente preponderante que têm vindo a desempenhar no combate à pandemia Covid-19: a esmagadora maioria dos doentes e casos suspeitos está connosco e é seguida por nós.

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