Hospitais com mais 450 milhões de euros
DATA
22/12/2014 10:01:34
AUTOR
Jornal Médico
Hospitais com mais 450 milhões de euros

Macedo, Paulo 1

O ministro da Saúde defendeu ontem que os hospitais públicos vão conhecer ainda este ano uma “mudança radical” com um aumento de capital, já concretizado e superior a 450 milhões de euros.

É “uma mudança radical na Saúde em termos de equilíbrio destes hospitais e da possibilidade de fazerem novas encomendas, de fazer face à lei dos compromissos e da sua postura perante os fornecedores. Isto é uma mudança muito significativa”, disse Paulo Macedo.

O ministro comentava assim o despacho assinado na sexta-feira pelos Ministérios da Saúde e das Finanças, de aumento de capital dos hospitais públicos “de norte a sul” do país e que envolve mais de 450 milhões de euros (não relacionados com as verbas do Orçamento do Estado). As verbas começam a ser disponibilizadas ainda este ano.

Paulo Macedo referiu que há hospitais em situações muito difíceis, “designadamente em termos de falência técnica” e que este dinheiro vai permitir a regularização de dívidas, a diminuição do passivo e o equilíbrio da situação financeira.

“É o maior esforço que o Estado faz na área social, em termos da Saúde”, afirmou Paulo Macedo, acrescentando que através dele os hospitais “conseguirão apresentar contas mais equilibradas, a gestão poderá ser feita numa base mais sã e sobretudo permite regularizar dívidas a fornecedores, algumas com alguns anos”.

O responsável lembrou que os hospitais tinham “um legado bastante negativo”, acumulando prejuízos anualmente, que os levou à falência técnica, pelo que “resolver esse legado” faz com que haja uma grande mudança.

A presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Marta Temido, considerou hoje que o aumento de capital dos hospitais públicos em mais 450 milhões de euros vai permitir o pagamento de algumas dívidas em atraso aos fornecedores.

Marta Temido comentava assim à agência Lusa o despacho assinado na sexta-feira pelos Ministérios da Saúde e das Finanças, de aumento de capital dos hospitais públicos “de norte a sul” do país e que envolve mais de 450 milhões de euros.

“Esta notícia é muito bem recebida, muito bem acolhida (…). Este reforço vai permitir retirar alguns hospitais da falência técnica e por outro lado vai permitir pagar dívidas em atraso”, disse a presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH).

Marta Temido lembrou que o reforço vai permitir pagar dívidas vencidas ainda este ano, nomeadamente ao grande credor que é a indústria farmacêutica.

“A verba vai permitir encerrar o exercício económico de uma forma mais limpa. Só à indústria farmacêutica estamos a falar de dívidas de mais mil milhões de euros até Agosto deste ano e prazos de pagamentos que ultrapassam um ano”, adiantou.

Apesar de a notícia ser bem-vinda, a responsável considerou que a grande questão mantém-se: como evitar em 2015 acumulação de nova dívida vencida.

“Enquanto presidente da APAH, já comentei esta notícia no ano passado. A questão é como é que para o ano não vamos estar a comentar esta notícia novamente. Que reestruturação, que reorganizações, que eficiências estão a ser trazidas para as estruturas hospitalares de forma a evitar que periodicamente haja necessidade de injectar dinheiros públicos”, disse.

Na opinião de Marta Temido, é necessária “coragem política e envolver todos os agentes do Serviço Nacional de Saúde para fazer uma reorganização que permita mantê-lo (SNS) nos seus princípios constitucionais".

“Devemos dotar o SNS de estruturas que permitam responder às necessidades das populações, que se alteraram radicalmente”, concluiu.

Mulher, autonomia e indicadores – uma história de retrocesso?
Editorial | Jornal Médico
Mulher, autonomia e indicadores – uma história de retrocesso?

O regime remuneratório das USF modelo B há muito que é tema para as mais diversas discussões, parecendo ser unânime a opinião de que necessita de uma revisão, inexistente de forma séria desde a sua implementação.