Profissionais protestam "contra intimidação" à porta do Hospital de Aveiro
DATA
11/03/2015 12:00:36
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS


Profissionais protestam "contra intimidação" à porta do Hospital de Aveiro

Médico triste

Centena e meia de profissionais de saúde dos hospitais de Aveiro, Águeda e Estarreja estiveram ontem frente ao Hospital de Aveiro numa manifestação silenciosa “contra a situação social interna do Centro Hospitalar do Baixo Vouga”.

Empunhando cartazes onde se lia “não ao medo” e se pedia a dois vogais demissionários do conselho de administração para reconsiderarem, a manifestação teve a participação de médicos, enfermeiros e auxiliares das três unidades que integram o Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV) e ainda a presença de antigos administradores do Hospital de Aveiro.

O protesto foi convocado para a entrada principal do Hospital de Aveiro, após ser conhecido o pedido de demissão dos vogais do conselho de administração Pedro Oliveira e Ana Lúcia, numa manifestação de solidariedade de funcionários e colaboradores daquele centro hospitalar.

Célia Oliveira, uma das organizadoras, disse à Lusa que os dois administradores demissionários têm sido os únicos a manter o diálogo com os profissionais, e que se vive nos hospitais do Baixo Vouga um clima de "medo e intimidação".

“O que pretendemos é que os vogais Pedro Almeida e Ana Lúcia não se afastem desta instituição porque tem sido apenas com eles que nós conseguimos dialogar. Sempre procuraram atender aos anseios, preocupações e aos problemas da instituição, que são veiculados pelos seus profissionais”, explicou Célia Oliveira.

De acordo com aquela clínica, é “entendimento colectivo" que se esses dois administradores saírem se agrava a dificuldade de relacionamento dos profissionais com a administração.

“Fica ainda maior o fosso que nos separa dos corpos directivos e é isso que as pessoas que aqui estão não querem. Estão aqui médicos, auxiliares e enfermeiros das três unidades, porque o protesto, em que estamos todos juntos, é transversal a todas as classes profissionais”, disse.

Segundo Célia Oliveira, existe “um descontentamento muito grande devido à degradação dos serviços e à ameaça de processos disciplinares” aos profissionais que não se conformam.

“Os serviços têm falta de material clínico, falta de meios humanos, falta de meios complementares e de coisas essenciais à prática clínica diária. Há material obsoleto e degradado que não é substituído e assistimos a alguns investimentos que não são prioritários e nem sequer são de utilização clínica, ou para a população que servimos”, exemplifica.

As ameaças são alegadamente feitas por membros do conselho de administração e alguns directores de serviço por este nomeados, “perante a discordância com as opções tomadas ou relativamente a algumas orientações”.

COVID e não-COVID: Investimentos para resolver novos e velhos problemas
Editorial | Rui Nogueira, Médico de Família e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
COVID e não-COVID: Investimentos para resolver novos e velhos problemas

Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. O estado de emergência terminou e o estado de calamidade passou, mas o problema de saúde mantem-se ativo. É urgente encontrar uma visão inovadora e adotar uma nova estratégia. As unidades de saúde precisam de encontrar respostas adequadas e seguras.

Mais lidas