200 Transplantes de córnea numa década!
DATA
13/03/2015 12:27:11
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Jornal Médico
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200 Transplantes de córnea numa década!

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O queratocone em fase avançada, as distrofias corneanas, com predomínio da distrofia de Fuchs e a queratopatia bolhosa, muitas vezes consequência de procedimentos cirúrgicos complicados após cirurgias de catarata, que acarreta uma descompensação da córnea com diminuição da visão e, muitas vezes, dores, são as doenças mais frequentes que necessitam de transplante de córnea. O Serviço de Oftalmologia do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC) foi pioneiro neste procedimento, tendo protagonizado o desenvolvimento de uma nova técnica, revolucionária.

Em entrevista ao nosso jornal, o Professor Joaquim Murta, Director da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, do Serviço de Oftalmologia do CHUC e coordenador da Unidade de Oftalmologia de Coimbra (Idealmed) relata a história dos 10 anos de experiência em Portugal.

JORNAL MÉDICO | O Serviço de Oftalmologia dos HUC foram pioneiros no transplante lamelar da córnea em Portugal. Quando foi o primeiro implante?
Joaquim Murta | Fomos pioneiros em Portugal há mais de 10 anos. Descrevemos e publicámos, em 2013, uma técnica nova que permite rápida recuperação de visão com menos complicações pós-operatórias. Em Coimbra já realizámos mais de 200 cirurgias.

JM | Os HUC são a unidade hospitalar, a nível nacional, com maior número de dadores da córnea. Que balanço faz da actividade do “Banco de Olhos”?
JM | O Banco de Olhos do CHUC faz a recolha de córneas de toda a região centro do País. É o único Banco a nível nacional que, para além de cumprir a lei 12/2009, que regulamenta a actividade de recolha e transplantação de tecidos humanos e encontra-se certificado de acordo com a norma ISO 9001:2008. Desta forma fornecemos córneas a nível nacional e encontramo-nos em condições de exportar. Não há potencial dador que não seja aproveitado.

JM | Em 2014, numa apreciação global da actividade de colheita, como caracteriza a origem/proveniência dos dadores de córnea?
JM | A colheita de córneas está nitidamente subaproveitada a nível nacional. Poder-se-ia colher muito mais córneas se houvesse outra organização e incentivos. A origem dos dadores de córnea, muitas vezes de bancos de córneas europeus, está perfeitamente legalizada. Quando solicitamos uma córnea dispomos de todas as suas características e, se quisermos, podemos ou não recusar.

JM | Em que situações são realizados os transplantes de córnea?
JM | Sempre que existe diminuição da transparência da córnea há necessidade de realizar um transplante. O transplante de córnea pode ser o transplante de melhor prognóstico, não havendo necessidade de testes de histocompatibilidade, ou pode ser o pior de todos com uma taxa de rejeição de 100% (por exemplo, as queimaduras químicas com destruição das células estaminais do limbo da córnea exigem outras cirurgias, havendo, hoje em dia, a possibilidade de recuperação).

JM | Comparativamente com os demais países europeus, como se posiciona Portugal ao nível dos transplantes da córnea?
JM | Está bem mas poderia melhorar imenso se houvesse aumento do número de colheitas. Existem ainda muitos doentes que aguardam pacientemente por uma córnea disponível.

 

 

 

 

 

 

 

As certezas enganadoras sobre os Outros
Editorial | Mário Santos
As certezas enganadoras sobre os Outros

No processo de reflexão da minha prática clínica, levo em conta para além do meu índice de desempenho geral (IDG) e da satisfação dos meus pacientes, a opinião dos Outros. Não deixo, por isso, de ler as entrevistas cujos destaques despertam em mim o interesse sobre o que pensam e o que esperam das minhas funções, como médico de família. Selecionei alguns títulos divulgados pelo Jornal Médico, que mereceram a minha atenção no último ano: