Dia Mundial do Médico de Família: falta de médicos
DATA
18/05/2015 16:35:32
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Jornal Médico
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Dia Mundial do Médico de Família: falta de médicos

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Peniche organiza marcha de protesto contra falta de médicos

A Comissão da Saúde na Assembleia Municipal de Peniche está a organizar para 6 de Junho uma marcha de protesto contra a falta de médicos de família, que afecta metade da população.

A Comissão, em comunicado, informou hoje que os membros da Câmara e da Assembleia Municipal que a integram decidiram "organizar uma marcha no dia 6 de Junho para expressar a indignação pela forma como o concelho de Peniche está a ser maltratado quanto ao direito à saúde das suas populações".

Desde Dezembro que o município tem vindo a alertar para o facto de metade da população do concelho estar sem médico de família, existindo "apenas sete médicos em funções" para os 27 mil utentes do concelho, "quando deviam ser 15", segundo o comunicado hoje divulgado.

O concelho perdeu quatro médicos no último ano, por motivos de aposentação, estando 14 mil utentes sem médico de família, informou a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), que em Abril esclareceu à agência Lusa que dos sete médicos que estão a fazer o internato no Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Oeste Norte, um foi colocado em Peniche e o ACES está a contactar médicos reformados para voltarem a exercer.

Na sequência de concursos – um dos quais está a decorrer e outro que vai ser aberto ainda este ano –, deverão ser colocados entre três a quatro médicos no ACES Oeste Norte, se as vagas forem preenchidas.

A Comissão Municipal da Saúde de Peniche também demonstrou o seu descontentamento contra o "desmantelamento", desde 2009, do hospital da cidade, que não consta da lista de intenções de investimento público.

Salvaterra de Magos é o concelho da Lezíria com mais falta de médicos de família

Mais de 12.000 utentes do centro de saúde de Salvaterra de Magos não têm médico de família, sendo este o pior concelho em termos de cobertura da área abrangida pelo Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) da Lezíria.

Segundo dados relativos a Março fornecidos à agência Lusa pelo ACES Lezíria, as situações mais críticas nos nove concelhos do distrito de Santarém abrangidos são as de Salvaterra de Magos, o concelho com mais utentes sem médico de família (12.366 em 20.979 inscritos), seguindo-se Rio Maior, com 9.652 utentes sem médico de família num universo de 22.338 pessoas, e Almeirim, com 8.792 dos 22.428 utentes sem médico de família.

Coruche e Golegã são os concelhos melhor servidos, com apenas dois dos 19.813 utentes, no primeiro caso, e quatro dos 6.255, no segundo, a não terem médico de família atribuído.

Na capital do distrito, Santarém, os 62.293 utentes inscritos estão repartidos por quatro Unidades de Saúde Familiar (USF) e uma Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP), havendo 3.975 pessoas sem médico de família atribuído (essencialmente na UCSP, 2.373, e na USF do Planalto, 1.592).

Quase metade dos utentes inscritos na Chamusca não tem médico de família (4.099 num universo de 9.709), o mesmo acontecendo no concelho de Alpiarça, onde 3.434 dos 7.008 inscritos não têm médico de família, enquanto no Cartaxo há 2.023 dos 25.972 utentes sem médico atribuído.

O ACES Lezíria insere-se numa região, a de Lisboa e Vale do Tejo, em que faltam 500 dos 800 médicos de família necessários no país, segundo dados fornecidos à Lusa pela Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF).

Do universo de 200.000 utentes abrangidos pelo ACES Lezíria, 17% não possui médico de família atribuído (34.316 pessoas).

Em termos de percentagem de população sem médico de família a nível nacional, as regiões com maior carência são o Algarve/Barlavento (50,5%), Sintra (32,7%), Estuário do Tejo (32,4%), Oeste Sul (30,2%), Arrábida (29,3%) e Amadora (29%).

Segundo os mesmos dados, em Portugal existem 5.500 médicos de família, estando 430 a concluir a especialidade. Em todo o país faltam 800 médicos de família, dos quais 500 na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Assinalado na terça-feira o Dia Mundial do Médico de Família, a APMGF frisa que “o médico de família é essencial na promoção da saúde dos portugueses”.

O dia vai ser assinalado em várias cidades do país com campanhas junto da comunidade, estando em Santarém agendadas acções nas unidades e junto do centro comercial situado no centro da cidade, nas quais serão, nomeadamente, distribuídos uma brochura e um folheto no qual a população pode escrever mensagens sobre as melhorias que entende serem necessárias na prestação de cuidados de saúde primários em Portugal.

Um em cada três utentes sem médico de família em algumas regiões portuguesas

Um em cada três utentes residentes em algumas regiões portuguesas não tem médico de família, numa altura em que cada vez mais pessoas procuram os centros de saúde, denunciou hoje o presidente da Associação de Medicina Geral e Familiar.

A propósito do Dia Mundial do Médico de Família, que se assinala na terça-feira, o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Rui Nogueira, realçou o papel dos médicos de família e alertou para a falta destes profissionais.

“Neste momento temos uma crise, motivada pela reforma antecipada e pelas alterações das regras de aposentação, há dois anos atrás, que levou a uma saída de muitos profissionais em fim de carreira”, disse.

Segundo Rui Nogueira, existia um milhão de cidadãos sem médico de família, número que terá diminuído para 800 mil, há dois anos atrás, quando foram criadas as Unidades de Saúde Familiar (USF).

“Agora temos um milhão e 300 mil utentes sem médico de família, o que é muito preocupante e mais preocupante porque, em alguns lugares, como Lisboa e Algarve, a situação é muito mais grave e notória do que no resto do país”, adiantou.

Para Rui Nogueira, "é grave” existir 20 por cento de utentes sem médico de família, mas no Algarve e em alguns locais da Grande Lisboa a percentagem de utentes sem médico de família atinge os 30 por cento.

O presidente da APMGF sublinhou que esta falta de médicos de família acontece numa altura em que cada vez mais utentes são atendidos nos centros de saúde.

Para Rui Nogueira, a solução não passa pelo aumenta das listas de utentes por médico.

“Podemos aumentar os doentes por médico, mas depois os médicos não têm capacidade de resposta, nem os doentes consultas disponíveis”, disse.

Rui Nogueira lembrou que, no ano passado, limparam-se as listas de utentes e aumentaram-nas de 1.550 para 1.900 por médico.

“Há colegas que já ultrapassam muito esse número, em situações desesperantes, até mesmo para números perfeitamente impossíveis, porque não é razoável, não é possível, ir muito além dos 2.000 utentes, não há capacidade de resposta”, declarou.

Esse aumento, prosseguiu, obrigaria a que cada médico realizasse 40 ou 50 consultas por dia. “É impossível. Existe, mas são casos pontuais. Não sendo ilegal, imoral é seguramente, especialmente para os doentes que pensam que têm médico e não têm”.

Sobre o papel do médico de família, Rui Nogueira destacou o papel de proximidade com os utentes, através da qual se identifica os efeitos da crise nas famílias portuguesas.

“As pessoas têm hoje mais dificuldades em viver, até mesmo em vir à consulta, porque têm de pagar transportes, comprar alguns medicamentos ou fazer alguns exames complementares. As pessoas têm mais dificuldades e vivem com mais tristeza. As depressões são mais frequentes”, adiantou.

Rui Nogueira destaca o impacto do desemprego nas famílias, tanto nos filhos como nos avós que sofrem com este flagelo.

“Os avós sofrem com o desemprego dos filhos e dos netos, que se vêem obrigados a ajudar”.

Baixo Tâmega com maior défice de médicos de família na região norte

O Baixo Tâmega apresenta o maior défice de médicos de família na região Norte, afectando cerca de 25.000 pessoas, destacando-se Amarante e Marco de Canaveses, admitiu hoje à Lusa o presidente da ARS-N.

Segundo Álvaro Santos Almeida, na região Norte ainda há cerca de 100.000 utentes sem médico de família, o que, determinou, corresponde a 3% da população. Para além do Baixo Tâmega, também há défices significativos nos concelhos do Porto, Vila Nova de Gaia, Felgueiras e Resende.

O presidente da Administração Regional de Saúde do Norte recordou que nos últimos meses têm sido colocados médicos em vários concelhos, incluindo Baião, município onde hoje foi celebrado, com a autarquia local, um protocolo para o funcionamento do atendimento nocturno do centro de saúde.

Falando à Lusa naquela vila, à margem da cerimónia, o dirigente disse acreditar que até ao final do ano se possa atingir os 99% de cobertura por médicos de família, entre a população da região Norte. Os ganhos, explicou, decorrerão da contratação de médicos que estão a concluir a especialidade de Medicina Geral e Familiar.

"Estamos a falar de recursos médicos que pretendemos que sejam permanentes. São soluções de futuro, não são temporárias", vincou.

DESconfinar sem DISconfinar: Um desafio para inovar e aproveitar a oportunidade
Editorial | Rui Nogueira, Médico de Família e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
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Depois de três meses de confinamento é necessário aceitarmos a prudência de DES”confinar sem DISconfinar. Não vamos querer “morrer na praia”! As aprendizagens da pandemia Covid-19 são uma ótima oportunidade para acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. O estado de emergência e o estado de calamidade ensinaram-nos muito! É necessário desconfinar o centro de saúde com uma nova visão e reinventar o conceito com unidades de saúde aprendentes e inovadoras.

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