Teleconsulta para evitar deslocações de doentes em Bragança
DATA
08/06/2015 16:01:26
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Jornal Médico
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Teleconsulta para evitar deslocações de doentes em Bragança

Telemedicina

Os doentes do distrito de Bragança vão ter consultas de especialidades sem deslocações com um projecto-piloto preparado para avançar até ao final do ano, anunciou hoje a Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste.

Em causa não estão especialidades inexistentes na região, mas aquelas de que a ULS do Nordeste dispõe apenas nos hospitais, explicou o director clínico Domingos Fernandes.

Os doentes renais deverão ser os primeiros a usufruir do novo modelo, que vai ser experimentado na área da Nefrologia, especialidade apenas disponível no hospital de Bragança, a partir de onde os especialistas passarão a consultar à distância utentes de Mirandela.

Os dois centros de saúde de Mirandela, a segunda cidade mais populosa da região, foram os escolhidos para o projecto-piloto, cujo arranque está dependente da conclusão da plataforma que está a ser desenvolvido para o efeito e que o director clínico espera possa estar operacional durante o segundo semestre de 2015.

Domingos Fernandes adiantou ainda que a intenção é “rapidamente expandir” a teleconsulta para toda a área de influência da ULS do Nordeste e a outras especialidades médicas.

“Até ao final do ano estaremos a trabalhar”, afirmou.

O propósito é também “tentar aproximar, pelo mesmo mecanismo, os vários serviços de urgência da região à urgência mais diferenciada”, concretamente Bragança, a única médico-cirúrgica do Nordeste Transmontano.

Este projecto de teleconsulta é, como explicou, uma vertente da telemedicina que já colmata algumas lacunas em especialidades em carência na região, como o telerrastreio dermatológico.

Doentes renais de Bragança com mais dois médicos e novos serviços

A ULS do Nordeste anunciou também um reforço da Nefrologia, uma área estratégica no distrito de Bragança, com dois especialistas e a aposta em novos serviços à população, nomeadamente a diálise em casa.

A doença renal tem muito a ver com a idade e numa região envelhecida como Bragança a incidência é maior, daí a importância destas contratações, como vincou Domingos Fernandes, indicando que com estes dois profissionais, será possível “dar resposta relativamente global a todas as necessidades dos doentes desta área”.

O serviço, que fica centralizado em Bragança é agora dirigido por Odete Pereira, uma especialista que trocou a carreira no hospital de São João no Porto pelo Nordeste Transmontano, e que conta com o apoio do jovem nefrologista Rui Costa, que acaba também de chegar a esta região.

O serviço conta ainda com uma terceira profissional que nos últimos anos assegurou a especialidade em Bragança e que está a cumprir uma pena de suspensão de 90 dias aplicada pela Inspecção Geral das Actividades em Saúde, na sequência de um caso relacionado com um doente que viria a morrer.

O novo quadro de pessoal vai permitir, segundo o director clínico, “um melhor suporte ao internamento, à consulta externa, à unidade de hemodiálise e o desenvolvimento de novos projectos”.

Desenvolver um projecto para a região foi o que levou Odete Pereira a aceitar o desafio de se mudar para Bragança aos 50 anos, deixando o Porto, “onde era mais uma entre muitos”, e a aceitar uma nova experiência em que se sente a “rejuvenescer”.

A especialista elaborou um plano adequado ao desenvolvimento da Nefrologia nesta região, as valências que deve ter de imediato e as que devem ser pensadas em termos de desenvolvimento futuro num serviço que dá resposta a 70 doentes em hemodiálise, à consulta externa a toda a área da ULS do Nordeste e também aos hospitais de Mirandela e Macedo de Cavaleiros.

Um dos projectos da nova directora da Nefrologia é avançar com hemodiálise peritoneal, ou seja a diálise feita em casa, embora ainda não esteja calendarizado.

Odete Pereira explicou que “não é fácil” convencer os doentes, porque “as pessoas têm sempre receio de se auto cuidarem” e prova disso é que “dos doentes em diálise, em Portugal, apenas cinco a seis por cento está afazer o tratamento em casa”.

Ainda assim, esta será uma aposta a pensar nas grandes distâncias que caracterizam o distrito de Bragança e que fazem com que as pessoas demorem “muito tempo a chegarem a um centro de hemodiálise”.

“Nessa perspectiva aumentaria alguma coisa a qualidade de vida”, sustentou, ressalvando que este tratamento “tem sempre de ser opção do doente e não imposição”.

O primeiro projecto urgente da nova directora da nefrologia é a renovação da hemodiálise, nomeadamente rever todos os procedimentos para garantir a segurança e o adequado tratamento dos doentes.

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Sejam Felizes
Editorial | António Luz Pereira, vice-presidente da APMGF
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O início de cada ano é também o início do percurso de milhares de novos médicos. A todos, mas especialmente aqueles que como nós escolheram como futuro ser Médico de Família, queremos receber-vos com um desejo e um desafio. Que sejam felizes e façam com que aqueles que se cruzam convosco sejam felizes. Desejamos profundamente que este internato de formação específica em MGF seja um caminho de felicidade. Que se sintam totalmente realizados por terem escolhido a melhor especialidade do mundo. Que sejam felizes no internato, para que possam ser ainda mais felizes fora dele.

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