
Dois casos de poliomielite em crianças pequenas foram confirmados na Ucrânia, o que ocorre pela primeira vez na Europa desde 2010, anunciou ontem a Organização Mundial de Saúde (OMS).
A doença, que causa uma paralisia total ou parcial, foi detetada em duas crianças, de quatro anos e de dez meses, na região da Transcarpátia (sudoeste da Ucrânia), segundo um comunicado da OMS.
“É o primeiro caso de poliomielite na Europa desde 2010”, precisou um porta-voz da organização em Genebra, Oliver Rosenbauer.
Em 2010, foram registados 14 casos de pólio na Rússia, alguns deles na parte europeia do país, a oeste dos Urais. Os casos estavam relacionados com um surto no Tajiquistão e no Afeganistão, país onde a doença continua a ter uma prevalência importante.
Na Ucrânia, precisou, é “o primeiro caso desde 1996”.
A OMS considera no entanto que o risco de contaminação internacional é fraco, apesar de aquela região fazer fronteira com a Roménia, a Hungria, a Eslováquia e a Polónia.
A Ucrânia está especialmente exposta ao risco de surgimento do vírus da poliomielite porque a taxa de vacinação contra esta doença é de apenas 50% das crianças, segundo a associação Polio Global Eradication Initiative.
O Ministério da Saúde ucraniano admitiu por seu lado que os problemas relativos à vacinação existem desde 2008.
O vice-ministro da Saúde, Igor Pereguinets, disse à agência France Presse que o risco de contágio continua a ser elevado tanto para as crianças como para os adultos, na medida em que, devido “ao baixo nível de imunização”, o vírus sofreu “numerosas mutações”.
O responsável apontou como causas da situação “a falta crónica de financiamento” e as campanhas anti-vacinação desencadeadas em 2008 após a morte de uma criança que recebera uma vacina contra o sarampo.
O país recebeu na primavera, “a título de ajuda humanitária”, vacinas contra a poliomielite que “cobrem as necessidades daqui para a frente”.
A poliomielite foi considerada erradicada a 99% pela OMS até o vírus reaparecer na Somália em 2013.
Nesse ano, a OMS classificava apenas três países onde a doença era endémica – Afeganistão, Nigéria e Paquistão -, contra mais de 125 em 1988.
Lusa/Jornal Médico
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