Variação genética aumenta risco de hospitalização por infeção respiratória
DATA
08/07/2016 12:23:23
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Jornal Médico
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Variação genética aumenta risco de hospitalização por infeção respiratória

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As pessoas que têm uma variante no gene da proteína IFITM3 correm maior risco de ser hospitalizadas por infeções respiratórias, segundo um estudo do Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge (INSA).

Este gene tem um papel determinante na proteção do organismo contra a infeção pelo vírus da gripe e a sua alteração pode tornar as pessoas mais suscetíveis a contrair a doença de forma severa, uma vez que esta variante influencia a entrada e réplica do vírus da gripe nas células humanas.

O estudo, publicado na revista PLOS One, investigou a relação existente entre a hospitalização e uma variante do gene IFITM3, tentando perceber porque é que alguns pacientes com síndrome gripal durante a pandemia de 2009, apresentavam apenas sintomas ligeiros, enquanto outros desenvolviam complicações graves.

De acordo com o INSA, “ao contrário do tipicamente observado nas epidemias de gripe sazonal, durante a pandemia de 2009 muitos dos casos graves de influenza A ocorreram em pessoas jovens e saudáveis, com a maioria dos óbitos registados em menores de 65 anos”.

Em declarações à agência Lusa, a investigadora do INSA, Marta Barreto, explicou que o objetivo do estudo foi “determinar se esta variante no gene IFITM3 estava envolvida na suscetibilidade e na severidade da infeção com gripe”, acrescentando que “esta proteína é muito importante na entrada e replicação do vírus dentro das células. Portanto, se o vírus tem mais facilidade em entrar, é natural que a infeção seja mais grave”.

Os investigadores mediram a gravidade da infeção através da hospitalização, tendo em consideração os casos mais graves, utilizando as amostras dos pacientes com síndrome gripal que foram recebidas no Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge.

Na análise de resultados, concluiu-se que “as pessoas com esta variante no gene têm maior probabilidade de serem hospitalizados em estado grave. Contudo, esta variante não está diretamente associada ao risco de infeção por influenza, ou seja, nós acreditamos ela confira maior suscetibilidade à gravidade da infeção também por outros vírus respiratórios que, neste caso e neste ano em particular, não foram analisados”.

O estudo demonstra também que o "perfil genético dos pacientes pode revelar-se uma estratégia promissora com vista a identificar potenciais alvos terapêuticos, ajudando a avaliar e prever a gravidade da doença e a fornecer informações críticas para a tomada de decisões durante o tratamento, evitando sofrimento e custos desnecessários”.

Marta Barreto acrescentou ainda que já foi pedido financiamento para alargar este estudo, no sentido de analisar outras variantes genéticas. O objetivo é realizar um estudo a nível do genoma total para verificar as variantes que estão envolvidas “nesta severidade e também para estudar a componente genética de resposta à vacina da gripe”.

Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.