Plataforma vai informar doentes sobre investigação de medicamentos
DATA
01/08/2016 13:53:17
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Jornal Médico
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Plataforma vai informar doentes sobre investigação de medicamentos

Pessoa-mexendo-no-computador.

Vai ser criada em Portugal uma plataforma que integra um projeto internacional, informando os doentes acerca da investigação de medicamentos, incluindo os ensaios clínicos e chamá-los a participar no desenvolvimento de novos tratamentos. Desta Comissão fazem ainda parte Inês Alves, de uma associação de doentes, Nuno Gago, da Universidade de Aveiro, Helena Beaumont, do Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), Cristina Lopes e José Antunes, da Associação da Indústria Farmacêutica Portuguesa (APIFARMA).

O objetivo desta plataforma, que irá integrar a Academia Europeia de Doentes para a Inovação Terapêutica (EUPARI segundo a sigla inglesa), é “criar uma comunidade de pessoas informadas relativamente à sua potencial intervenção na investigação ligada ao desenvolvimento de medicamentos”, podendo ser doentes ou de associações de doentes, mas também profissionais de algumas áreas, de acordo com Beatriz Lima, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Deste grupo fará parte a presidente da Associação de Doenças Reumáticas, Elsa Mateus, a quem caberá preparar a plataforma nacional, que se estima que esteja pronta até dezembro.

“Inicialmente, o projeto estava pensado para 12 plataformas nacionais. Neste momento, já estão previstas 19, até ao final de 2016, e Portugal é uma delas”, afirmou a responsável em entrevista à Agência Lusa.

Com as iniciativas em aberto, o grupo pretende angariar parceiros entre unidades de investigação, indústria, academias e associações de doentes e preparar “workshops” e “eventualmente, uma conferência de lançamento, em dezembro”, acrescentou.

Nas palavras de Elsa Mateus, a participação de Portugal é de extrema importância, quer do ponto de vista nacional, quer europeu, pois “existe um grande desconhecimento sobre todo o processo de investigação e desenvolvimento de medicamentos o que, muitas vezes, dá azo a alguns receios”.

“Este sentimento de receio que, muitas vezes, é gerado por acontecimentos pontuais, seja substituído por um conhecimento ou uma consciencialização informada sobre o papel e potenciais consequências, positivas ou negativas”, afirmou a responsável acrescentando que, “muitas vezes, faltam algumas competências porque o doente é perito na sua própria doença e não propriamente em todo o processo ou na linguagem científica”.

Um doente que entra num processo de experimentação, "espera retirar algum benefício e tem de avançar tendo a noção de que tem benefícios e poderá vir a correr alguns riscos", defendeu a professora da Faculdade de Farmácia, estabelecendo uma diferenciação concreta entre “o cidadão como utilizador, a partir doo momento em que o medicamento está aprovado” e “o cidadão como interveniente ativo no processo de desenvolvimento”, “porque quando as pessoas entram nos ensaios clínicos é exatamente disso que se trata”.

É ainda esperado que o conhecimento acerca dos tratamentos surta efeito na forma como os doentes utilizam os medicamentos.

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Editorial | Gil Correia
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