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O deputado do PS eleito pelo círculo de Leiria António Sales disse ontem que "60 por cento dos utentes em Pedrógão Grande e Castanheira de Pera não têm médico de família".

O socialista anunciou este número depois de ter visitado, na segunda-feira, o interior norte do distrito de Leiria, acompanhado do outro deputado, José Miguel Medeiros.

Em nota de imprensa, o PS refere que os deputados reuniram com o diretor do Agrupamento de Centros de Saúde Pinhal Interior, Avelino Pedroso, "na perspetiva de conhecer a realidade no terreno e procurar perceber o que será necessário para promover uma melhoria no acesso ao Serviço Nacional de Saúde por parte de utentes desta zona".

"Nesta reunião, os deputados apuraram que em Castanheira de Pera e Pedrógão Grande, há 4.200 utentes sem médico de família, num universo de cerca de 7.100 habitantes. Salienta-se ainda a falta de condições do centro de saúde de Pedrógão Grande referenciadas por Avelino Pedroso", lê-se ainda na nota de imprensa.

Segundo os socialistas, "associado aos problemas identificados", foram ainda encontradas "dificuldades de mobilidade relacionadas com a zona geográfica e a população envelhecida, muito dependente dos cuidados de saúde primários.

Desta visita resultou a "garantia de solução para a questão dos recursos humanos por parte de Avelino Pedroso, que pretende reforçar o corpo médico até março de 2016", refere o comunicado.

António Lacerda Sales realçou ainda que este é um tema que o preocupa "não apenas por ser médico há muitos anos", mas, sobretudo, "porque se trata de uma insuficiência no acesso ao Sistema Nacional de Saúde causada pela política de desinvestimento realizada nos últimos anos", que espera ver "reverter-se".

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Sinalética centro de saúde
O presidente da Câmara de Castanheira de Pera, norte do distrito de Leiria, exigiu hoje médico a tempo inteiro para o centro de saúde local, e rejeitou a solução provisória da Administração Regional de Saúde do Centro (ARS Centro).

“Reclamamos uma solução definitiva de pelo menos um médico no horário normal de funcionamento do centro de saúde”, afirmou à agência Lusa Fernando Lopes, explicando que uma clínica rescindiu o contrato e outro está em convalescença, o que provocou que, na sexta-feira passada, a unidade de saúde não tivesse tido médico todo o dia.

Considerando a situação “inadmissível e inconcebível” num concelho que “duplica e, mesmo, triplica a população” nesta altura do ano devido à Praia das Rocas, o autarca considera que a situação “não é nada convidativa para quem quer visitar Castanheira de Pera”.

Na sexta-feira, 21 de agosto, o presidente da câmara enviou uma missiva para a ARS Centro dando conta da sua “mais profunda indignação” depois de ter sido informado verbalmente de que o concelho se encontrava, “por um período indeterminado, sem um único médico que possa atender e socorrer quem quer que seja que de cuidados médicos necessite”.

Nesse ofício, a que a agência Lusa teve acesso, Fernando Lopes sublinha que o concelho tem “uma população envelhecida e, no geral, de parcos recursos financeiros” que não pode “assegurar os custos” de uma deslocação ao Hospital de Nossa Senhora da Guia, em Avelar, concelho de Ansião.

O autarca adianta que, “por via da sua vocação turística, nomeadamente no que diz respeito ao complexo da Praia das Rocas, tem sido visitada por cerca de 3.000 pessoas por dia durante este mês de agosto”, destacando que “uma situação desta natureza, em que não existe nenhuma resposta em termos de saúde num concelho com estas características, não só não pode acontecer como é inadmissível”.

“Assumidamente, não nos podemos dar ao luxo de correr o risco de, à semelhança do ano transato, se verificar uma intoxicação alimentar que afetou cerca de 70 pessoas e não existir uma resposta imediata para uma situação dessa natureza, ou outra, de igual gravidade”, sustentou.

Na missiva, Fernando Lopes garante ainda que não concordará “com qualquer solução provisória e/ou pontual” que venha a ser proposta.

À Lusa, o autarca acrescentou que foi informado nesse dia pelo diretor executivo do Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Interior Norte de que a solução esta semana passa por ter médico nas tardes de hoje, quarta e quinta-feira, enquanto na terça-feira está assegurado médico todo o dia.

“Na sexta-feira não há médico no centro de saúde”, observou Fernando Lopes, referindo que o atendimento complementar aos fins de semana está assegurado até setembro.

Para Fernando Lopes, esta solução "não satisfaz", insistindo numa solução definitiva para o centro de saúde do concelho.

ARS afirma que situação no centro de saúde de Castanheira de Pera é “excecional”

 Administração Regional de Saúde do Centro (ARS Centro) garantiu hoje que a situação no centro de saúde de Castanheira de Pera, no qual um médico se encontra doente e outro rescindiu o contrato, é “excecional e imprevisível”.

“Trata-se de uma situação completamente excecional e imprevisível, cuja resolução imediata se debate com a falta de médicos, aguardando-se o preenchimento da vaga a curto prazo”, refere a ARS Centro, numa resposta escrita enviada à agência Lusa.

A ARS Centro informa que a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados do centro de saúde de Castanheira de Pera, norte do distrito de Leiria, tinha dois médicos, “os necessários para a população inscrita de 3.149”, mas um dos profissionais “rescindiu o contrato de trabalho e o outro médico encontra-se com incapacidade temporária para o trabalho, por doença”.

Questionada sobre como está a resolver a situação, a ARS Centro declara que, “de forma temporária, através da colaboração de médicos de outros centros de saúde e sempre que surja uma situação de doença aguda que não possa aguardar, os utentes podem recorrer ao Hospital da Fundação Nossa Senhora da Guia”.

Quanto a uma solução definitiva, a administração regional refere que “está a decorrer o concurso de colocação dos especialistas de Medicina Geral e Familiar que terminaram a especialidade no início deste ano”, estando uma vaga prevista para Castanheira de Pera.

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