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Portugal apresentou 167 candidaturas aos projetos de investigação em saúde da Fundação Bancária espanhola “la Caixa”, no valor de 96 milhões de euros, num total de 785 candidaturas, anunciou hoje aquela entidade.

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Uma equipa internacional de investigadores desenvolveu um modelo computacional quantitativo que descreve o crescimento de novos vasos sanguíneos e que terá “importantes implicações para novos tratamentos”, designadamente do cancro, anunciou a Universidade de Coimbra (UC).

A investigação, desenvolvida por físicos, engenheiros biomédicos, médicos e biólogos, cria um “modelo computacional quantitativo”, que descreve “o crescimento de novos vasos sanguíneos” e “terá importantes implicações no desenvolvimento de novos tratamentos para o cancro e não só”, afirma a UC, numa nota hoje divulgada.

Liderada pelo investigador Rui Travasso, do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, a equipa interdisciplinar internacional simulou o crescimento de vasos sanguíneos que ocorre durante o desenvolvimento de um tumor, permitindo esclarecer como “a proliferação das células dos vasos sanguíneos é regulada durante o crescimento vascular”, refere a UC.

“Este modelo computacional demonstrou, pela primeira vez, como a proliferação das células que compõem os vasos sanguíneos depende da tensão mecânica a que está sujeito o novo vaso durante o seu crescimento”, sublinha Rui Travasso.

“Entender em detalhe como os vasos sanguíneos crescem é essencial para controlar o crescimento tumoral”, sustenta Rui Travasso, referindo que “o desenvolvimento de vários tumores e de diversas patologias como a retinopatia diabética alicerça-se num rápido crescimento da vasculatura sanguínea”.

No caso do cancro, “estes novos vasos são os responsáveis por levar ao tumor os nutrientes necessários à sua rápida proliferação”, salienta o investigador.

“Várias terapias são desenvolvidas com vista a diminuir a vasculatura à volta das lesões tumorais”, mas, “apesar de terem bons resultados”, elas são “bastante onerosas, sendo, por isso, importante desenvolver novas estratégias para controlar a vascularização e a chegada de nutrientes ao tumor”, explica o especialista.

O conhecimento dos membros da equipa sobre a biologia e a física do sistema foi essencial no desenvolvimento desta pesquisa, já publicada na PLoS Computational Biology, afirma UC, destacando que “este novo modelo computacional integra não só os sinais biológicos presentes no desenvolvimento de vascularização patológica, mas também a rigidez do tecido onde os vasos crescem e as forças exercidas pelas diferentes células do sistema”.

Só assim, “foi possível verificar qual o papel da rigidez do tecido e das tensões mecânicas no desenvolvimento da vasculatura”, salienta Rui Travasso.

Este trabalho, que foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), tem, “como consequência, a possibilidade de se utilizarem alterações nas propriedades físicas dos tecidos para dificultar o crescimento dos vasos num tumor”, acrescenta o investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC.

Estas simulações computacionais “foram possíveis graças ao investimento realizado na maior unidade de supercomputação do país, que está sediada na UC”, conclui Rui Travasso.

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As crianças portuguesas entre os sete e os nove anos estão cada vez mais sedentárias, o que constitui um elevado risco para a obesidade infantil, segundo as conclusões de um estudo da Universidade de Coimbra hoje divulgado.

O estudo foi desenvolvido por uma equipa de investigadores do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da Universidade de Coimbra, tendo as conclusões apontado para um maior sedentarismo nas crianças naquela faixa etária, resultados que a coordenadora da investigação, Cristina Padez, considera como "assustadores", devendo, por isso, os responsáveis políticos criar uma estratégia para combater este problema.

A pesquisa, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), envolveu 9.032 crianças de escolas de todo o país e foi apresentada na conferência da International Society of Behavioral Nutrition and Physical Activity, em Edimburgo, na Escócia, no passado mês de junho, adianta um comunicado enviado hoje à agência Lusa.

Os investigadores, que tiveram como referência o limite estipulado pela Academia Americana de Pediatria (em que as crianças não devem ultrapassar duas horas por dia a ver televisão), compararam os comportamentos sedentários das crianças portuguesas entre 2002 e 2009, por nível socioeconómico dos pais.

A investigadora adiantou que as conclusões do estudo apontam para o facto de o número de crianças que vê televisão mais de duas horas por dia ter aumentado 12% durante a semana, 15% ao sábado e 17% ao domingo entre 2002 e 2009.

“As crianças cujos pais têm baixo nível de instrução são as que passam mais tempo a ver televisão”, adiantou Cristina Padez, frisando que, no que diz respeito ao uso do computador, "a situação piora”.

“Enquanto em 2002, as crianças pobres praticamente não utilizavam o computador, em 2009, cerca de 19% destes miúdos gastou mais de duas horas por dia no computador, refletindo o "efeito Magalhães", em resultado da estratégia do Governo de atribuir estes dispositivos [computadores] aos alunos do ensino básico”, sublinhou a investigadora.

No que diz respeito à prática de desporto após o período escolar, a pesquisa revelou que “só metade das crianças é que tem atividade física fora da escola, sendo que, nos níveis socioeconómicos mais desfavorecidos, a percentagem de crianças que não pratica desporto disparou, passando de 36% (em 2002) para 80% (em 2009).

Na sequência das conclusões do estudo, a investigadora Cristina Valdez alertou para o facto de estes comportamentos virem a determinar os hábitos na vida adulta.

“Por isso, os responsáveis políticos devem criar uma estratégia para combater o sedentarismo infantil, caso contrário, iremos ter adultos com graves problemas de saúde, com custos socioeconómicos muito elevados”.

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[caption id="attachment_6513" align="alignleft" width="300"]tuberculose1 Uma das estirpes multirresistentes mais virulentas do mundo é portuguesa, chama-se Lisboa e apresenta especificidades únicas[/caption]

Em 2012, receberam o Prémio de Mérito Científico Santander Totta/ Universidade NOVA pelo desenvolvimento de um teste rápido e mais barato de diagnóstico da tuberculose, baseado em nanopartículas de ouro. Em Janeiro, Pedro Viana Baptista, da Faculdade de Ciência e Tecnologia (FCT), e Miguel Viveiros, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), publicaram um artigo onde mostram que, recorrendo ao mesmo método, e dentro do mesmo tubo, é ainda possível determinar se se trata de uma tuberculose multirresistente e especificar que mutações causam resistência.

[caption id="attachment_6514" align="alignleft" width="300"]miguelviveiros “Em 24 horas, passou a saber-se se os indivíduos estavam doentes e se eram ou não multirresistentes”, diz Miguel Viveiros, investigador do IHMT[/caption]

O estudo, publicado na revista científica internacional Tuberculosis, partiu de genótipos do bacilo da tuberculose portugueses, mas a metodologia de diagnóstico pode ser adaptada a qualquer grupo genético de resistências. Em 2012, Portugal registava 21,6 novos casos de tuberculose por 100 mil habitantes, com aproximadamente 3% de casos multirresistentes, um decréscimo significativo quando comparado com o ano 2000 (25-30%). Foi nessa altura que o IHMT trouxe para Portugal o diagnóstico precoce por biologia molecular e, com o apoio da Fundação Gulbenkian, aplicou-o na área da Grande Lisboa. “Em 24 horas, passou a saber-se se os indivíduos estavam doentes e se eram ou não multirresistentes”, diz Miguel Viveiros.

Com a nova tecnologia de diagnóstico baseada em nanopartículas de ouro, é possível obter o mesmo diagnóstico de forma menos dispendiosa e com uma fácil concretização técnica. “A grande vantagem desta abordagem é permitir sensibilidades superiores às técnicas moleculares padrão (PCR) mas de forma simples e a baixo custo”, refere Pedro Baptista. “Na prática, pegamos nas nanopartículas, que estão funcionalizadas com sequências que identificam o bacilo da tuberculose e com as resistências do bacilo. Se, na amostra doente, existir o bacilo ou o seu ADN, esses alvos interagem com as partículas. Se não existir interacção, a solução muda de cor para azul devido à agregação das nanopartículas”, explica Miguel Viveiros.

[caption id="attachment_6515" align="alignleft" width="300"]PedroVianaBaptista “A grande vantagem desta abordagem é permitir sensibilidades superiores às técnicas moleculares padrão (PCR) mas de forma simples e a baixo custo”, refere Pedro Baptista, da Faculdade de Ciência e Tecnologia e co-autor do estudo[/caption]

A detecção precoce dos casos de tuberculose multirresistente em Portugal é uma necessidade urgente, já que as estirpes portuguesas apresentam características únicas, que as tornam insensíveis aos tratamentos padrão preconizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Sabemos que 75-80% das estirpes multirresistentes em Portugal são do mesmo grupo genético da estirpe Lisboa, que tem características não partilhadas com o resto do mundo”, explica o investigador Miguel Viveiros. Foi no IHMT que a estirpe Lisboa foi identificada pela primeira vez, tendo sido caracterizada, em 1999, no âmbito de uma parceria com a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. As razões que a levam a ter uma maior predisposição para a resistência e a centrar-se em Portugal ainda não estão esclarecidas. Mas estão em estudo. “Temos feito todos os esforços para caracterizá-la do ponto de vista científico. Sabemos que apresenta deleções em alguns genes que a tornam mais virulenta”, daí a falta de resposta ao tratamento padrão da OMS, salienta o bacteriologista do IHMT.

 

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Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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