Displaying items by tag: Henrique Martins

Um sistema de avaliação de risco de diabetes disponibilizado pelo portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS) já permitiu a realização de 600 consultas e o diagnóstico da doença a dez utentes.

Published in Atualidade
segunda-feira, 28 dezembro 2015 16:09

Receita “desmaterializada” já é uma realidade!

Nacional_Desmaterializacao_receitas
A tão prometida “desmaterialização” da receita médica, bandeira do anterior executivo, já é, desde o início do mês, uma realidade em 16 unidades hospitalares do Continente.

Lançada em 2014, a implementação da medida obrigou à instalação do equipamento de suporte do sistema em todas as farmácias de oficina (processo que de acordo com fonte dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde já está praticamente concluído), bem como de hospitais e centros de saúde (processo ainda muito atrasado no que se refere às unidades dos cuidados de saúde primários), imprescindíveis para que os médicos possam utilizar a assinatura eletrónica, elemento-chave de validação da prescrição eletrónica.

Para o início do ano prevê-se que o novo sistema já esteja a funcionar em toda a rede hospitalar do SNS e que a partir daí comece, gradualmente, a ser implementado na totalidade das unidades dos cuidados de saúde primários… Um processo que poderá levar anos a estar concluído confessou em julho, ao Público, o presidente dos SPMS, Henrique Martins.

Num futuro que o responsável apontou, então, como próximo, o sistema irá evoluir de modo a permitir que os doentes acedam a receitas sem necessidade de contacto físico com o médico. Será a “versão mobile” da prescrição eletrónica, com a qual os médicos poderão prescrever através do telemóvel, a partir de qualquer lugar, validando a receita com uma chave móvel digital. Emitida a receita, os doentes receberão, via SMS os códigos que lhes permitem adquirir os medicamentos na farmácia.

Enquanto se aguarda por um futuro que quase parece retirado da ficção científica, os portugueses têm à sua disposição o inovador serviço nos centros hospitalares de Setúbal, Lisboa Ocidental e Lisboa Central, do Porto, S. João, Leiria- Pombal, Coimbra, e de Trás-os-Montes e Alto Douro bem como nas unidades locais de saúde de Matosinhos, Alto Minho, Nordeste Transmontano e Castelo Branco.

Atualmente, são dispensadas mensalmente cerca de sete milhões de receitas médicas em Portugal, mas sabe-se que uma parte significativa, “15%”, não são levantadas por várias razões, entre as quais, a incapacidade financeira dos utentes para suportarem a despesa ou por decisão ou desleixo do utentes. Situações que o novo sistema permitirá detetar, fornecendo ao médico, dados sobre os medicamentos efetivamente adquiridos pelos seus doentes. De igual modo, a desmaterialização irá impedir a fraude no setor, uma vez que uma receita que já tenha sido aviada numa farmácia é automaticamente invalidada.

Centro Hospitalar de Leiria na vanguarda da nova tecnologia

O Centro Hospitalar de Leiria (CHL) foi uma das 16 unidades de saúde do País a disponibilizar as receitas médicas sem papel desde o início do mês.

Em comunicado enviado às redações, a instituição refere as vantagens do novo sistema, salientando a possibilidade de monitorização da adesão à terapêutica. “Saber se o utente aviou ou não a receita é fundamental, já que, segundo dados avançados pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, 15% dos utentes não levantam a receita, por motivos económicos ou outros”, lê-se na nota recebida na nossa redação. Alexandra Borges, vogal do conselho de administração, responsável pela implementação deste sistema, explica que “no CHL são passadas anualmente cerca de 350 mil receitas, sendo que este sistema permitirá aferir de que forma os utentes aderem à terapêutica prescrita, e adaptar as estratégias de acompanhamento dos doentes, quando possível”.

A par da receita, o utente poderá receber diretamente um SMS (ou um familiar ou acompanhante) com a indicação do número da receita, os códigos de dispensa e direito de opção, e/ou enviar por e-mail a cópia da guia de tratamento, mantendo, no entanto, a possibilidade de a imprimir, de modo a não excluir utentes sem acesso às plataformas móveis e digitais.

Por outro lado, salienta o CHL, na eventualidade do utente perder o seu documento de identificação, ou apagar o SMS ou e-mail com os códigos necessários, poderá aceder ao Portal do Utente para consultar e reimprimir a guia de tratamento, que contém informação como o medicamento, a validade, o número de embalagens, a posologia, a instituição de saúde e o nome do médico prescritor.

De acordo com a portaria que regula o novo procedimento, em vigor desde 1 de agosto – prevendo um período de adaptação dos sistemas das diferentes instituições de 60 dias –, é criada a possibilidade da mesma receita ser aviada em mais do que uma farmácia, abreviando assim indisponibilidades pontuais de medicamentos. De forma a poder introduzir o sistema de forma segura e esclarecedora para os utentes, ambos os sistemas, de receita com e sem papel, funcionarão em simultâneo durante um período transitório.

“A desmaterialização da receita é um processo eficaz e seguro de controlo de emissão e dispensa, obrigando a um acesso eletrónico autenticado, através de certificado digital qualificado, com cartão do cidadão ou cartão da Ordem dos Médicos, no caso dos profissionais de saúde”, salienta Alexandra Borges. “O Centro Hospitalar de Leiria tem sido um exemplo de modernidade e inovação, e este é mais um passo para podermos, cada vez mais, oferecer aos nossos utentes um atendimento completo e eficiente, com os melhores cuidados”, conclui.

Published in Mundo

Receita
Apenas metade dos médicos têm Cartão de Cidadão ou da sua Ordem, o que deverá dificultar a implantação da receita médica sem papel, prevista em setembro, já que os clínicos precisam deste documento para prescreverem desta forma.

A situação levou os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) – responsável pelo projeto de desmaterialização da receita médica – e a Ordem dos Médicos a assinarem um protocolo para promover a adesão dos clínicos ao mundo digital.

Numa sessão de esclarecimento com a comunicação social, o presidente dos SPMS considerou que “um médico do Serviço Nacional de Saúde [SNS] sem Cartão de Cidadão é uma vergonha”.

“Um médico moderno tem Cartão de Cidadão e usa a internet”, acrescentou Henrique Martins.

O processo de prescrição, dispensa, faturação e conferência de medicamentos, começa precisamente nos médicos, que precisam de ter a sua assinatura digital ativada no Cartão de Cidadão ou da Ordem dos Médicos.

Para tal, o principal software das unidades do SNS foi “adaptado”, cabendo agora aos privados adquirirem o software indicado.

Foram adquiridos 42 mil leitores do Cartão de Cidadão para as unidades de saúde poderem proceder à receita sem papel e, nos últimos seis meses, foi a vez de as farmácias também se adaptarem digitalmente.

A dispensa sem papel arrancará na segunda quinzena de setembro, mas apenas no “núcleo duro”, ou seja, num conjunto de instituições do norte (dez) e sul (sete) do país que envolvem hospitais e centros de saúde.

Segundo Henrique Martins, o Hospital de Barcelos manifestou a intenção de ser a primeira destas unidades a não ter papel no percurso de prescrição de fármacos.

Em 2016, será a vez dos restantes hospitais e cuidados de saúde primários e, em 2017, já não deverá existir emissão de receitas em papel, em todo o sistema de saúde.

Esta desmaterialização terá exceções, até porque existem dois milhões de portugueses sem Cartão de Cidadão.

Então, para quem não possui este meio de identificação, será possível apresentar na farmácia uma mensagem escrita (SMS) que o clínico envia para o telemóvel do doente, ou uma mensagem de correio eletrónico, contendo a identificação da receita e o código de direito de opção.

Esta última, é a forma como o utente pode manifestar a sua oposição à venda de medicamentos genéricos, por exemplo.

Os utentes com Bilhete de Identidade vitalício também poderão usar as novas tecnologias para adquirir uma receita sem papel, mas apenas se tiverem telemóvel ou correio eletrónico para onde a receita é enviada, para posterior apresentação na farmácia.

Os utentes poderão, no entanto, solicitar a impressão do Guia de Tratamento, o que os SPMS desejam que seja cada vez em menor número, nomeadamente porque a receita sem papel é menos suscetível à fraude.

O objetivo do Governo é que, por altura do próximo Natal, dois por cento das receitas sejam passadas sem papel. A fasquia sobe depois para os 20 por cento, em 2016, e os 40 por cento, em 2017.

“O grande desafio é chegar à cabeça das pessoas, pois este é um projeto que toca todos os portugueses”, disse Henrique Martins.

Published in Mundo
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve

É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.