Jornal Médico Grande Público

Crónica de boas férias!
DATA
03/07/2008 02:24:20
AUTOR
Jornal Médico
Crónica de boas férias!

A unanimidade é cada vez mais difícil... Mas sobre as férias, se todos podemos emitir opinião sobre a melhor época para as gozar, ninguém contestará o desejo delas... que assola transversalmente o pessoal!

 

A unanimidade é cada vez mais difícil...

Mas sobre as férias, se todos podemos emitir opinião sobre a melhor época para as gozar, ninguém contestará o desejo delas... que assola transversalmente o pessoal!

Eram já onze horas.

Demasiado cedo para quem, em vacances, gostando de dormir, o deixou de fazer em nome duma vinda até à praia e ao areal...

Demasiado tarde, porém, para quantos iniciam uma jornada estival, face aos riscos da exposição solar...

Em todo o caso, valha a verdade, há gostos para tudo: havia quem continuasse na praia os rígidos horários de trabalho, iniciando a lavoura pelas oito horas da matina e havia quem, ao invés, prezasse a violentação de quaisquer horários ou normas, chegando à hora que lhe aprouvesse, com ou sem o café da manhã emborcado!

As indumentárias, como noutras situações da vida, ou faziam jus aos seus usuários ou não.

Havia biquinis para todas cores, dimensões ou combinações: grandes, normais, pequenos e muito pequenos. Lisos e estampados, às pintas ou às flores, baços ou brilhantes, com laços e sem laços, mas todos generosos na sua vontade de ajudar os corpos dos que os vestiam a sentir-se o melhor possível!

Neles, os calções, impressionavam pela maior amplitude dos tamanhos: desde o tipo tanga, até à calça ligeiramente mais curta do que a perna, com tons e padrões diversificados, entre o lençol de cama e o lençol de banho...

Para as vistas, o sol brilhante e quente, sugeria a utilização de óculos apropriados. Apropriados duplamente, no sentido da protecção da radiação ultravioleta e das inconveniências dos olhares...

Salvo o devido respeito e alguma admiração, exceptuaria um ou outro caso raro, em que a presença de alguma sereia dispensava cobiças ou espreitadelas...

De igual modo, todavia, as cores das lentes e o arrojo das armações, abundavam, numa mistura digna de exposição em qualquer feira de renome do sector óptico...

Chapéus eram muitos, como diria o nosso velho artista do cinema...

Havia-os para todas as bolsas e latas, ou seja, desde bonés publicitários bem pirosos e berrantes, até belíssimos chapéus… Diria expressamente saídos das corridas de cavalo britânicas!

Cores dominantes? Os beijes, os brancos e os negros.

O aroma dos perfumes era aqui trocado pelos cheiros, ora muito doces, ora bem marinhos, dos cremes e fluidos protectores das peles (e das muitas carnes também!), entre alguns honestos e directos e outros mais ousados e perversamente promissores de benesses estranhas ou duvidosas...

Pelo meio de tudo isto quanto vos conto, duas certezas.

Uma, a de que a ASAE conseguiu, enfim, o seu sonho: o de esterilizar a sociedade!

Pelos areais extensos (e já o foram mais...), a voracidade perdeu-se e ninguém aparecia a vender ou a oferecer bolos e bolas, gelados, batatas fritas, línguas da sogra...

A segunda, a de que o Programa Simplex, o tal da modernização nacional, não chegou ainda às praias e talvez não tenha sido por causa da subida dos preços dos combustíveis...

É que não há indício ou sinal de quiosque informático; não há qualquer computador ligado à Internet, seja para o que for… Nem para nos obrigar a pagar alguma taxa a uma qualquer entidade reguladora de veraneantes, por exemplo, ou para liquidarmos, outro exemplo, uma qualquer taxa de circulação estival pelas nossas praias...

Ainda dizer, com flagrante injustiça, que os ministros das finanças só têm imaginação para nos pôr a pagar impostos e contribuições...

Com criatividade e bom senso, quem sabe, um governo inteligente consegue tudo:

- Os fumadores já pagam impostos elevadíssimos na compra do seu vício que, conforme a lei estipula, os informa nos maços de tabaco que fumar os torna impotentes ou os mata!

- As mulheres que abortam, ou querem abortar, já dispõem de legislação mais aberta… E parecem ser menos do que antes, quando era proibido e ilegal!

- Os médicos já pagam as taxas de manutenção na ERS, sem conseguirem perceber, pelo seu baixo QI e teimosia classista, as enormes vantagens que para eles e para o povinho advêm de tal imposto!

- Os cidadãos já pagam impostos sobre combustíveis, a que acrescem outros, como o IVA, cujo aumento directo sobre a aplicação no preço base em nada os beneficia ou repercute favoravelmente!

Mas isto não interessa...

Quero é falar-vos da praia.

Porque vamos de férias, em tempo delas e de Verão!

Mesmo que se não possa ir a sítio algum, porque os dinheiros não podem chegar para tudo...

Há sempre hipóteses em aberto: sentar a família em volta da mesa, saboreando um pequeno festim com frango, batatas fritas, bola de carne e bolinhos de bacalhau, regados com cervejas ou vinho tinto (se for maduro, os médicos até dizem que faz bem ao colesterol...) e recordar as impressões das últimas férias desfrutadas, relembrando as fotografias então tiradas e comparando os pneuzinhos de então, com as barriguinhas de agora...

Ou em alternativa, se forem assinantes de algum pacote televisivo, sintonizar um canal de viagens e deleitarem-se, todos juntos, com um programa desses, sobre um destino de sonho.

Boas férias para todos e até ao meu regresso...

Aliás, garantido!

Nem sairei do Porto, com medo de perder o meu lugar neste cantinho do Jornal!

 

Rui Cernadas

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