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Desculpem mas eu li!... O que se ganha, o que se perde…
DATA
03/03/2009 05:14:33
AUTOR
Jornal Médico
Desculpem mas eu li!... O que se ganha, o que se perde…

As experiências inovadoras pecam, muitas vezes, por uma ânsia de pioneirismo que, outra tranquilidade, desaconselharia  

rui_cernadas.jpgOuvi recentemente o Professor Mariano Gago, o Ministro da Ciência, durante um programa radiofónico especial - a propósito da celebração dos 200 anos sobre o nascimento de Darwin - recordar - e bem - o que o país ganhou nos últimos 20 ou 25 anos.

Para concluir, na linha do que tem escrito igualmente outro insigne português, o Professor António Barreto, que terá sido em matéria de educação e de abertura à ciência o registo dos maiores avanços "civilizacionais"...

Todos nos lembramos dos elevados níveis de analfabetismo por alturas de 1974 e da Revolução de Abril.

Depois dessa data, com efeito, os portugueses adquiriram novas oportunidades de acesso à instrução e as famílias puderam, ainda que de modo não generalizado, entender a importância do desenvolvimento intelectual e do conhecimento dos seus filhos.

Quantas mães e quantos pais não aprenderam a festejar a aspiração, legítima e compreensível, de ter - de passar a ter - um licenciado no seu seio? 

Claro que outras variáveis interferiram neste processo global da maior mudança sofrida, ou sentida pelo país nestas duas últimas décadas.

Por exemplo, o tratamento de maior igualdade entre homens e mulheres, longe ainda, porventura, de plenamente concretizado - veja-se o caso das quotas na designação politico-partidária para as listas de deputados à Assembleia da República...

Também a difusão e ampliação da informação, com o autêntico "tsunami" nas telecomunicações e informática, muito contribuíram para este novo panorama.

É por isso que a qualidade das nossas escolas e a função social dos professores é extremamente relevante.

Os médicos também devem andar assustados ou, pelo menos, preocupados, face à diversidade e alcance de muitos dos títulos e teores das notícias publicadas e dos artigos de opinião assinados.

Fala-se de ULS (Unidades Locais de Saúde), de ACES (Agrupamento de Centros de Saúde), de Carreiras Médicas, de contratos de trabalho, de recertificação profissional, da falta de clínicos, de regras de prescrição...

O que é preciso é que a "malta" leia com atenção o que se escreve, o que se reflecte, o que se conta ou o que se estabeleceu!... Numa convicção clara e inequívoca: a de que apenas a informação e a sua gestão, nos torna mais capazes e mais atentos.

A vida nos CSP nunca foi fácil, nem fortemente polarizadora, num exercício da actividade médica de proximidade, relativamente aos doentes e de menoridade conceptual face aos "vizinhos" dos hospitais.

Culturalmente, o hospital assume-se como factor de enorme atracção, a que as tecnologias disponíveis e o apoio multidisciplinar, à partida, garantem a quem as procura um outro conforto e segurança.

As perspectivas de actos eleitorais por parte de governantes e de autarcas, despertam a necessidade da luta pelos votos, compreendendo-se como a construção de um hospital ou o seu anúncio público, por exemplo, pode ganhar eleições.

Ainda assim, sejamos justos, registam-se melhorias significativas ao nível das instalações e dos equipamentos em muitos centros de saúde e USF.

Obviamente que há sempre dificuldades e estão na área da gestão dos cuidados de saúde, mais ainda...

Os recursos nunca são suficientes e todos sabemos encontrar defeitos, insuficiências ou carências.

Os caminhos das novas formas de organização passarão por aí e implicarão a concentração na integração dos cuidados, simplificando problemas e melhorando os planos de diálogo e o alcance da informação. As mentalidades podem mudar e o que dissemos na abertura desta reflexão rápida, prova-o!

Por outro lado, as experiências inovadoras pecam, muitas vezes, por uma ânsia de pioneirismo que, outra tranquilidade, desaconselharia.

Foi o caso dos indicadores para a atribuição dos incentivos financeiros às USF, cuja metodologia de cálculo e explicação técnica só no princípio deste ano foi devidamente explicitado pela Administração Central do Sistema de Saúde.

Mas mais vale tarde do que nunca...

Esperemos que, agora, as regras do jogo fiquem perceptíveis para ambos os lados: o de que quem contrata e o de quem é contratado!

Até porque vivemos dias de Carnaval e o tempo das partidas já passou.

 

Rui Cernadas

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Editorial
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