Ai como dói…
DATA
22/07/2009 08:15:29
AUTOR
Jornal Médico
Ai como dói…

A definição de dor daria certamente para encher este artigo. Por isso, atento à boa gestão do papel e do nosso Director, decidi encurtá-lo...

 

A definição de dor daria certamente para encher este artigo. Por isso, atento à boa gestão do papel e do nosso Director, decidi encurtá-lo, pegando para esse efeito na definição constante da Circular Normativa da Direcção Geral de Saúde (14 de Junho de 2003), segundo a qual, "a dor é uma experiência multidimensional desagradável, que envolve não só a componente sensorial como a emocional da pessoa que a sofre, associando-se a uma lesão tecidular concreta ou potencial."

Feita esta introdução "cientificamente decretada", abro outro capítulo, para sublinhar que a medicina extra-hospitalar se torna essencial no acompanhamento de doentes que, ao longo do seu trajecto clínico, a ela recorrem.

É óbvio que, em ambiente hospitalar, o problema coloca-se em fases distintas, também porventura terminal, mas por regra em períodos temporalmente mais curtos e auto-limitados. Como quer que seja, a dor é um sintoma, diria de tipo transversal no sentido em que se liga a inúmeras patologias e que afecta franjas populacionais estimadas entre 22 e 30%. E é um sintoma ainda, o que significa ser de carácter subjectivo, individualizado e relativizado face às experiências anteriores.

Outro aspecto relevante prende-se com a associação da dor à comum deterioração da qualidade de vida e à incapacidade por ela provocada... É por tudo isto que evoco as palavras da actual Ministra da Saúde, proferidas no final do ano transacto - na Assembleia da República - onde aquando da Semana Europeia de Luta Contra a Dor, a Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) organizou uma sessão temática:

- "É preciso que todos os profissionais de saúde tenham a sensibilidade de estar atentos aos diferentes sinais de dor, sabendo que determinadas patologias ou determinados procedimentos a provocam."

Aos mais interessados, sugere-se a consulta do jornal "Tempo Medicina", edição de 3 de Novembro de 2008.

Só assim, o Plano Nacional Contra a Dor, aprovado em 2008, poderá atingir os seus objectivos propostos e definidos:

- Reduzir a prevalência da dor não controlada;

- Melhorar a qualidade de vida dos doentes;

- Racionalizar os custos de recursos utilizados no tratamento da dor.

 

E podia nem doer!

 

 Mais do que pretender tratar doenças ou sintomas, deveremos pugnar pela terapêutica integrada de doentes, balizados entre a sua natural individualidade e a complexidade que se lhes reconhece...

Ouço falar de queixas de servidores públicos, segundo os quais não são ouvidos sobre as suas limitações, dificuldades e catadupas de pedidos, solicitações e exigências funcionais de que são vítimas.

rui_cernadas_01.jpg

É neste contexto que fico com dores...

Os seus gestores, alguns também profissionais de saúde, esquecem-se de falar com eles ou de os ouvir, embrenhados que estão e ficam nos seus gabinetes e nas salas de reuniões...

Estas, as reuniões, sucedem-se a um ritmo impressionante e os problemas também e o rol de coisas para fazer, reflectir e requisitar idem, idem, aspas, aspas...

O pior que se pode fazer sentir a quem trabalha, bem e com gosto, motivada e interessadamente, é abordá-las transmitindo um nervosismo e uma pressão que nem funciona, nem estimula.

No âmbito da MGF a lição a tirar passa por aqui...

Tal como na nossa actividade, o médico de família é o primeiro ou dos primeiros a ter contacto directo com o doente em sofrimento, também na gestão da saúde, o gestor deve ser o primeiro ou dos primeiros a ter contacto com o médico de família em sofrimento!

Na referida sessão na Assembleia da República, usou da palavra uma outra Senhora que, igualmente foi Ministra da Saúde, a Dr.ª Maria de Belém Roseira, na qualidade actual de Presidente da Comissão Parlamentar de Saúde:

-"Importante é os administradores e os gestores falarem com os profissionais das Instituições e conhecerem bem a sua missão. É preciso estar atento às pessoas e ouvir os profissionais de saúde."

Como as Senhoras disseram coisas bonitas! Soubéssemos todos ouvi-las e veríamos como não custa nada, nem dói...

Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

#sejamestrelas
Editorial | António Luz Pereira
#sejamestrelas

Ciclicamente as capas dos jornais são preenchidas com o número de novos médicos. Por instantes todos prestam atenção aos números. Sim, para muitos são apenas números. Para nós, são colegas que se decidiram pelo compromisso com os utentes nas mais diversas áreas. Por isso, queremos deixar a todos, mas especialmente aqueles que abraçaram este ano a melhor especialidade do Mundo uma mensagem: “Sejam Estrelas”.

Mais lidas