Bom Natal!... E que a reforma seja cumprida!
DATA
25/12/2010 08:39:41
AUTOR
Jornal Médico
Bom Natal!... E que a reforma seja cumprida!

Neste tempo em que o "apagão" persiste e se acentua, ao que parece não só pela razão de os dias estarem mais curtos, é altura de pedir mais luz!

rui_cernadas.jpgOs medos e os receios do que aí vem, ou uma outra forma de dizer que a crise não deixa antever grandes notícias para o novo ano, não fazem esmorecer um certo sentimento natalício que atravessa os nossos dias...

O medo ou os medos, não se apanham nem se adquirem em centro comercial algum ou aproveitando a época das promoções ou dos saldos, ainda mais convidativos.

O medo ou os medos constroem-se dentro de cada um de nós e por cada um, à medida da sua força, da sua graça ou do seu destino, como dizia o Poeta...

Não sei por isso se, para 2011, conseguirei edificar, a tempo e horas, os meus medos, sendo natural que, pelo jeito e a necessidade de resolver outros problemas bem mais prementes, me vá atrasar e esquecer de os ter prontos, quentinhos, à hora do arranque de 2011!

Por temperamento, rejeito a ideia de não ser capaz.

Por convicção, alimento o espírito de me não silenciar.

Vou por isso, aguardar pelo Novo Ano com tranquilidade, e se for caso disso, ganhar um novo desafio num ano seguinte, afinal a táctica do treinador Paulo Bento, que celebrizou o termo tranquilidade e reserva na sua esperança para a partida seguinte...

O Natal, pelo contrário, é um tempo de esconder ou fantasiar os receios, convidativo à complacência e à bonomia, à inter-ajuda e à solidariedade...

O que não significa que devamos ficar calados e empedernidos face a tanta coisa que nos faz irritar, vociferar e ter ganas de esmurrar alguém!

O meu grande e tramado desespero, a propósito, deriva, não de não ser pessoa para me irritar, vociferar e querer esmurrar alguém, mas da dificuldade de escolha, quer em relação aos receios que mais me incomodam, quer no que toca à hierarquização dos meus alvos potenciais!

Dado adquirido, claramente, é o facto de, face à lista que elaborei, não me poder consolar num prazo tão curto quanto o que nos separa do final do ano permitiria... 

Mas deixemos os meus desejos em paz!

E falemos de outros assuntos que nos devem alertar e manter atentos.

Por exemplo, as da absoluta indispensabilidade de os médicos deverem ser parceiros estratégicos nas decisões de gestão em saúde.

Não lhes compete, designadamente, a definição do modelo de financiamento, mas parece que a actual segmentação, não só não responde às necessidades globais, como em muitos casos traduz duplicação de coberturas.

A discussão dos subsistemas merece reflexão.

E a anunciada extinção da ADSE, ao que se diz acordada com os sindicatos, é o primeiro passo no caminho para um novo modelo que, todavia, não se conhece ainda!

A racionalização da procura de cuidados no SNS é outro capítulo em discussão permanente.

Que se poderá fazer para alterar a situação?

Porque não actuar sobre a procura? Ou porque manter a oferta nos moldes actuais?

Que se ganha em manter serviços ditos urgentes entregues a profissionais menos diferenciados e com menor capacidade técnica, por exemplo?

E os medicamentos?

Que pensar de quem parece pretender inventar em Portugal, por encomenda, guidelines ou protocolos que contrariam os de instituições internacionais credíveis?

E será que se vão sujeitar ao vexame de, em nome da falta de coragem política para falar verdade, arriscar a lama da praça pública?

Tapar o sol com a peneira, não é com certeza a melhor solução.

Por exemplo, como com os ACES, de quem se diz no enquadramento legal serem entidades responsáveis pelo estado de saúde da população definida...

Mas que meios e recursos para fazer face às necessidades e ao planeamento em saúde desenvolvido?

E para quando a sua autonomia real, descentralização e responsabilização de facto?

Serei mais um a pedir ao Pai Natal que me traga o cumprimento da Reforma!

Como a terminar Dezembro não parece lógico falar do Sol...

Mas neste tempo em que o "apagão" persiste e se acentua, ao que parece não só pela razão de os dias estarem mais curtos, é altura de pedir mais luz!

Mais luz para quem anda por aí e não consegue ver o que os rodeia.

Mais luz para quem vê mas não percebe, também.

Mais luz ainda para quem já viu e tem que fazer de conta que não vê - sempre pode desculpar-se pelo encandeamento!

Mais luz enfim para quem gosta de dar nas vistas!

Tempo de Natal?

Sim...

Sim, a todos um Bom Natal! 

Rui Cernadas
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Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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