Do “Acto Médico” à ética  e à avaliação dos médicos
DATA
13/07/2011 05:57:41
AUTOR
Jornal Médico
Do “Acto Médico” à ética e à avaliação dos médicos

A mudança de governo em Portugal é já um facto. Facto que, sob um ponto de vista do cumprimento programático fica pelo menos confinado à aplicação e respeito pelas propostas da designada “troika”, integrando a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional.

 
 
A mudança de governo em Portugal é já um facto.
Facto que, sob um ponto de vista do cumprimento programático fica pelo menos confinado à aplicação e respeito pelas propostas da designada “troika”, integrando a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional.
Nesse contexto, também a Saúde conhecerá o impacto das medidas anunciadas em pacote, que não explicadas, por ninguém…
A ideia de que o SNS será para manter e para melhorar e evoluir é que, não sendo em si contraditória face aos constrangimentos financeiros esperados, nos limites passa a ser uma oportunidade de valorização dos contributos dos seus profissionais.
E a primeira dessas oportunidades, deveria passar obrigatoriamente pela definição e aprovação da lei do acto médico.
Será mais uma tentativa, sendo de saudar e de divulgar que, o nosso Bastonário já anunciou ter preparada uma nova versão, esperando-se que desta feita, os decisores políticos, incluindo o Presidente da República, não renunciem ao seu dever de defesa dos interesses dos cidadãos, no respeito pela sua saúde e pela saúde pública!
Bem-vinda será numa altura em que, também nós, médicos, necessitamos de fazer um apelo sério ao reforço da ética.
Enredados em teias que a vida e a civilização teceram, deixamo-nos envolver numa Medicina nova… não melhor!
As exigências, sejamos honestos, não são só dos gestores.
Também nós nos deixamos embalar pelas modernas exigências administrativas, pelos novos modelos organizativos quantas vezes virados contra os doentes, pelos chamados indicadores e incentivos de e ao desempenho, respectivamente, por acessos fáceis a tecnologias e técnicas de diagnóstico e de terapêutica que limitam o doente ao papel do mais requintado mutismo e que, em regra, na sua globalidade, pouco trouxeram à clínica e muito roubaram aos pacientes.
Desde logo, a qualidade do paciente, enquanto doente.
Passaram, pelo meio, a utentes e, mais tarde, a clientes…
Para além deste prejuízo óbvio, em matéria ética, ficaram ainda largamente sacrificados em disponibilidade temporal para o atendimento e a capacidade de os ouvirmos…
Assistimos, hoje aqui, amanhã ali, hoje com um, depois com dois, a colegas que escolhem o curso médico por variados argumentos e razões, que enumeram com gosto e ligeireza, mas sem que entre eles, mesmo com redobrada atenção, lhes ouçamos alguma ligada ao
doente e aos doentes…
Foi-se a feição mais humanizada da relação médico-doente e criou-se uma renovada figura de ampulheta com os minutos, céleres, a escorrerem como água entre dedos de uma mão, em nome de uma qualquer factura, virtual ou real…
A confiança dos doentes e dos seus cuidadores nos seus médicos continua a ser o placebo mais eficaz e mais económico.
Os interesses dos grupos financeiros que viram na Medicina o palco ou o cenário mais atraente para rentabilizar os seus investimentos, não podem iludir aquela realidade e habituaram-se, em larga medida, a viver às custas ou dependurados nos termos de responsabilidade que, sob os mais diversificados nomes, têm origem no SNS e em qualquer dos seus cantos…    
É por isso que os modelos C, das unidades de saúde familiar, nos cuidados de saúde primários aparecem agora como essenciais.
Desde logo, como forma de rentabilizar os investimentos hospitalares e seus equipamentos e instalações, passando pela utilização dos serviços de meios complementares de diagnóstico…
A “troika” disse reconhecer a aposta na proximidade dos cuidados e sublinhou a urgência de reduzir o hospitalocentrismo tão clássico em Portugal…
A orientação dos apetites financeiros vai mudar de direcção.
Logo agora que o “SIADAP” vai chegar a todos os médicos!
E vai mesmo chegar já no próximo ano, em 2012, a não haver alterações às Portarias nº 207 e 209, de 2011, independentemente de estarem em contrato de funções públicas ou em contrato individual de trabalho.
De igual modo, atingirá todos os clínicos, quer estejam ou não sindicalizados…
Sugerimos a sua leitura, atenta e demorada, antes de partirem para férias, tanto mais que estipula a definição de objectivos individuais, em articulação com os da respectiva unidade, impondo, enfim, a obrigatoriedade da auto-avaliação.
Não sei o que será ser médico lá para o ano de 2020…
Mas sei que não vai ser fácil ser doente!
Crónicas de uma pandemia anunciada
Editorial | Jornal Médico
Crónicas de uma pandemia anunciada

Era 11 de março de 2020, quando a Organização Mundial de Saúde declarou o estado de Pandemia por COVID-19 e a organização dos serviços saúde, como conhecíamos até então, mudou. Reorganizaram-se serviços, redefiniram-se prioridades, com um fim comum: combater o SARS-CoV-2 e evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde, que, sem pandemia, já vivia em constante sobrecarga.

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