Casodelos: uma causa de insónia
DATA
25/01/2012 08:22:32
AUTOR
Jornal Médico
Casodelos: uma causa de insónia

Num primeiro momento da leitura desta crónica, poucos (ou nenhuns) leitores saberão...

Num primeiro momento da leitura desta crónica, poucos (ou nenhuns) leitores saberão ao que me refiro quando escrevo "casodelos". Porém, se eu relembrar aqueles casos clínicos que, ocasionalmente e sem causa aparente, nos surgem repentinamente a meio da noite após algumas horas de sono, certamente muitos se sentirão familiarizados com o conceito.

Tive a oportunidade de partilhar impressões com alguns colegas acerca destes casos que, por algum motivo, ficam numa gaveta mal fechada da nossa mente e que escapam deste locus em momentos de adormecimento das outras funções cerebrais.

São bem traiçoeiros estes casos que não nos perturbam tanto o dia-a-dia, mas que nos despertam em apenas dois segundos e enquanto nos perguntamos "mas será que fiz bem??".

Estes casos conduzem-nos a um perfeito estado de vigília a meio da noite, quer tentemos fechar os olhos quer tentemos ir beber um copo de água. A cama até poderá estar confortável e apetecível... Porém, a dúvida acerca da nossa abordagem clínica vai martirizando qualquer momento de relaxamento nocturno como se se tratasse de um zumbido intrusivo. E as horas vão passando...balançando entre o "fiz bem porque já li naquele artigo que era assim" e o "mas será que não me escapou aquilo?". Lá se vai o sono... E lá vem a insónia em sua substituição. Uma tranquilização só será possível após uma estadia nocturna de meia hora no escritório pelas 5h da madrugada pesquisando livros ou revistas científicas na internet.

 José Agostinho Santos (USF Lagoa, Centro de Saúde Senhora da Hora)

 

Texto integral só disponível na edição impressa

 

 


 

 

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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