Venda suspensa
DATA
25/01/2012 09:59:31
AUTOR
Jornal Médico
Venda suspensa

A nova designação da Associação vem coroar um processo de evolução da representação dos MF...

A nova designação da Associação vem coroar um processo de evolução da representação dos médicos de família enquanto grupo social. O Almada dizia que um nome não interessa nada, é só para não se confundir. Desqualificava assim a importância que tem "não se confundir", ora não se confundir, o falecido que me desculpe, é deveras importante. Este tipo particular de médicos tem-se vindo a impor socialmente como especialidade, embora com muita demora e numerosos obstáculos, mercê de correntes sociais e profissionais contrárias e contraditórias: a favor, uma vénia aos pais fundadores da especialidade em Portugal, citar outro falecido, José Guilherme Jordão, e todos os outros bem vivos que continuam a fazer coisas pelo desenvolvimento da dita especialidade, os doutorados e os outros.

A favor ainda, alguns indivíduos e correntes de opinião e alguma comunicação social mais informada e favorável. A demora e os obstáculos provêm das asneiras que vamos fazendo, de interesses políticos e económicos instalados, e do interface poroso com a comunidade que é o nosso destino e a nossa vocação, contra o qual não podemos nem queremos pelejar. Da relação dialética - ao tempo que eu andava à procura de um pretexto para reabilitar esta palavra tão mal usada noutros tempos - entre estas várias forças, têm surgido tendências sociais identificáveis: a expressão clínico geral foi caindo em desuso como uma coisa desactualizada, que já ninguém quer ser e que desprestigia quem a usa, quase sentida como pejorativa, como chamar canteiro a um escultor.

Ainda ontem passei por um consultório privado que tinha uma placa onde se podia ler: Dra Fulana, Medicina Geral. Faltava-lhe o Familiar, mas há poucos anos diria certamente Dra Fulana, Clínica Geral. Porém, como sempre em Portugal, quando uma coisa se desactualiza, surge a saudade e aqueles que a cantam, património imaterial. Até porque a designação do praticante desta arte levanta algumas dificuldades - clínico geral é directo e facilita, enquanto médico de Medicina Geral e Familiar é pomposo e dificulta, e médico de família retira importância ao indivíduo, a coisa mais importante que a cultura ocidental inventou. Sim, que nós não somos chineses, pelo menos por enquanto, e aprendemos com Aristóteles - e não com Confúcio - que família a gente não escolhe, a gente é lá plantado, e às vezes é mais angústia que suporte. 

 Jorge Nogueira  (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

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