Jornal Médico Grande Público

José A Santos: previsões para 2013 – Signo: MGF
DATA
11/02/2013 08:27:38
AUTOR
Jornal Médico
José A Santos: previsões para 2013 – Signo: MGF

Abaixo segue, em primeira mão, as previsões para 2013 para a MGF, que só poderiam ser publicadas em exclusivo no Jornal Médico de Família!

Versão integral apenas disponível na edição impressa

  jose_agostinho.jpgO ano 2012 chega ao fim e, como qualquer final de ciclo, traz consigo reflexões, balanços sobre os dias passados e as antecipações das jornadas futuras. Nos términos dos anos do calendário, multiplicam-se as previsões para o ano seguinte nas mais diversas formas dos media e muitas delas carregam consigo o cativante travo dos horóscopos astrológicos que nos conduz a uma leitura mais ou menos atenta. Digo "travo", pois os horóscopos são como aqueles bolos cujos aspecto e aroma nos atiçam os sentidos: há aqueles que passam a refeição toda a pensar nessa sobremesa e outros que até nem gostam de doces mas não resistem a provar. Porém, entre o acumular de horóscopos retidos nessas páginas dispersas por aí, nenhum se atreve a fazer uma previsão para o mais magnânime, o mais especial e o mais completo signo médico: Medicina Geral e Familiar (MGF). Pois então, nem é tarde nem é cedo! Abaixo segue, em primeira mão, as previsões para 2013 para a MGF, que só poderiam ser publicadas em exclusivo no Jornal Médico de Família!

 

Amor: A carta que irá reger o signo de MGF durante 2013 no âmbito amoroso será, sem surpresa, a "carta de amor". Esta carta traz consigo o extremo poder deste sentimento pela especialidade e que será absolutamente fundamental na manutenção do seu vigor enquanto especialidade única e mágica sobre o qual se alicerça todo um Sistema Nacional de Saúde. Esta carta confere também um aviso em modo de reforço altamente positivo, relembrando que somente o vibrante amor colectivo elevará a sua auto-estima e fornecerá à MGF uma hetero-imagem que a conduzirá a singrar nos mais diferentes desafios. Adivinham-se grandes barreiras no seu percurso ao longo do próximo ano, porém, a MGF terá força para as ultrapassar se recordar esta "carta de amor".

Trabalho: A carta que se descortina para a MGF para a área profissional em 2013 é a "carta de caçador". Trata-se de uma carta que constitui, na realidade, um fortíssimo alerta para o quotidiano clínico da MGF. O caçador é um coleccionador que reúne o seu património peculiar (colecção) a partir de uma conquista constante que exige perícia e uma visão muito clara do meio circundante. Ora, nenhuma outra carta melhor poderia ter saído à MGF para reger o trabalho em 2013. Isto porque, numa altura em que existe a opção de um Médico de Família reunir 1900 utentes na sua lista (subindo uns tantos degraus quando se fala em "unidades ponderadas"), não poderia haver melhor alerta para uma gigante necessidade de avaliação prévia do meio que o rodeia. Testar a perícia clínica parece ser essencial antes de abraçar esse desafio em 2013. Caso contrário, com o desânimo dos dias pesados, com o cansaço proveniente de uma sensação de resposta cronicamente insuficiente (qual abordagem holística? qual observação abrangente da pessoa? qual medicina centrada na pessoa?) e com a espingarda de caçador apontada para baixo, a MGF corre o risco de sofrer um valente tiro no pé.

Saúde: Para o próximo ano, a MGF terá a "carta de condução" a dominar a área da saúde. Trata-se de uma carta ambígua que poderá assumir tanto um tom positivo como negativo, dependendo naturalmente da forma como a MGF vai ser conduzida nos próximos meses tanto pelas entidades governamentais como por cada Médico de Família. Essa carta poderá permitir uma condução que acabe em desastre assim como poderá propiciar uma agradável viagem de onde se retirem experiências enriquecedoras, que se façam base de uma melhoria contínua dos cuidados de saúde primários. Curiosamente, ou não, resgata também uma curiosa associação com a polémica actual em torno dos atestados médicos para condução de veículos. Será a insustentabilidade dessa nova legislação o trigger para uma inflamação crónica que passará a desgastar e corroer a relação médico-pessoa, a ferramenta primária da actividade do médico de família e assim comprometer a saúde do exercício da MGF? Eis a questão que emana do enigmatismo traiçoeiro desta carta...

Dinheiro: Nesta derradeira quarta área, é a "carta de recomendação" que sobressai no comando dos trilhos de 2013. Numa fase em que se discute se os "indicadores" contratualizados têm, na realidade, impacto na qualidade global dos cuidados prestados aos utentes (sob o prisma biopsicossocial), esta carta surge como uma curiosa provocação. Desvia, portanto, a atenção para a importância da actualização e, quiçá, aplicação das recomendações das sociedades científicas isentas de conflitos de interesse que, baseadas em evidência científica, orientam o clínico para as melhores práticas. O alcance das metas propostas poderá, segundo estudos bem realizados, ter um peso real sobre a qualidade da actividade assistencial, sempre sob o toldo de uma medicina centrada na pessoa. Entre NOC da DGS que tardam em adquirir a sua forma definitiva e parâmetros estabelecidos para incentivos económicos, a "carta de recomendação" recorda a relevância das competências de actualização científica constante, que estão na base de uma MGF de excelência e, certamente, custo-efectiva.

Resumidamente, 2013 adivinha-se turbulento mas altamente desafiador para a MGF. É, porém, de desafios superados que surge a vitória final.

Assim é a vida! Bom trabalho! Feliz 2013!

 

José Agostinho Santos

USF Lagoa, Centro de Saúde Senhora da Hora

 

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Editorial
Rui Nogueira
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